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Por Juliana do Prado

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Catarinense gera especulações sobre a autonomia da mulher em ter o direito de escolher o que deseja fazer com seu corpo. (Foto: Reprodução)

Natural da cidade de Itapema, a jovem catarinense de 20 anos, Ingrid Migliorini, ficou famosa na mídia brasileira por leiloar sua virgindade na internet. Este caso levanta um questionamento na sociedade, Migliorini por ser mulher, tem o direito de fazer isto com o próprio corpo dela ou ela está “manchando” a imagem da mulher, por estar colocando a sua intimidade á venda?

Concurso e leilão

Quando tinha apenas 18 anos, Ingrid Migliorini se inscreveu em um concurso na internet que dava a chance de participar de um documentário – sem previsão de lançamento – que acompanha a vida de uma jovem virgem até a consumação do ato, além de dar a oportunidade de leiloar sua virgindade. Essa escolha feita pela catarinense está relacionada com a concretização de sonhos pessoais e materiais.

Os lances foram dados no site “Virgins Wanted” e começaram no dia 15 de setembro e foi finalizado por um comprador japonês de 53 anos no dia 24 de outubro, chegando ao valor de $780,000 dólares, ou 1,5 milhão de reais.

A primeira relação do ato de consumação de Ingrid ainda não ocorreu, mas está planejado para acontecer em uma viagem de avião da Austrália até os Estados Unidos, para não ter problemas legais com nenhum país. Entre as regras que deverá ser obedecidas pelo arrematador japonês será: o uso de camisinha obrigatório, proibição da filmagem do ato, não será permitido beijo, realização de fantasias ou fetiches nem uso de brinquedos eróticos. Mas, caso a catarinense não queira a consumação, ela poderá desistir a qualquer momento – mas não vai receber o valor pago pelo vencedor do leilão – Enquanto o ato não acontece, Ingrid está aproveitando a fama e fechou contrato com uma revista masculina.

Para Luciene Sudré, militante e participante do Coletivo Feminista 3 Rosas, Frente Feminista da PUC-SP e Mulheres do Rompendo Amarras (Campo de juventude e Movimento Estudantil): “O caso dessa catarinense é a concretização da mercantilização do corpo da mulher. Todo e qualquer movimento feminista tem como primazia a luta pela liberdade e escolha da mulher sobre qualquer assunto, como qualquer outro ser humano, e pela igualdade entre os gêneros. Em nenhum momento, a jovem deve ser retalhada ou sofrer algum tipo de preconceito, pois o corpo é dela e ela é livre para usá-lo da forma que bem entender. Mas, com certeza, o machismo prevalente não a privou disso. É um caso muito delicado, pois coloca em atrito a liberdade do corpo da mulher com um cenário de perpetuação do machismo. Essa situação é sintomática.”

Além disso, sobre a questão da jovem catarinense “manchar a imagem da mulher” , Sudré opina: Em nenhum momento a jovem mancha a “posição de ser mulher”, porque cada ser humano é livre, independente do gênero, para fazer o que quiser. Até porque, como diria Simone de Beauvoir: ‘Não se nasce mulher: torna-se’.

Preconceito?

No dia 7 de novembro, a catarinense foi convidada para desfilar no Fashion Rio pela marca TNG, mas depois da má repercussão do convite pelos clientes, a marca cancelou a participação da jovem na passarela. Perguntada sobre a repercussão negativa que a marca recebeu, Ingrid acredita que muitas pessoas rotulam a atitude dela como um ato de prostituição, mas para ela há muita hipocrisia em relação a isto, já que segundo ela, o significado da palavra prostituição é bem mais amplo, e mesmo assim, ela não se incomoda com o preconceito sofrido. Sobre a atitude de Ingrid, Sudré acredita: “a atitude da jovem catarinense não é errada, pois ela é livre para fazer o que quiser com seu próprio corpo. Mas ela não está a margem de todo esse envolto machista, que possibilita a ela sua própria mercantilização. Isso só é normal e considerado uma notícia pela sociedade porque ela prega que as mulheres são objetos e tem o seu valor, direta ou indiretamente. Há machismo nisso. E a machismo também, naqueles que a julgam por ser dona do seu próprio corpo. Há machismo nos dois lados.”

Virgindade indígena

Enquanto Ingrid Migliorini ganha status de estrela por leiloar sua virgindade, jovens índias  de etnias uriana ,tucano, baré e tariana da cidade de  São Gabriel da Cachoeira no estado do Amazonas, vendem a virgindade em troca de R$20,00, caixa de bombons, roupas de grife e até mesmo de um celular. O caso está sendo apurado há mais ou menos um ano pela Policia Civil e no mês de Outubro, a Policia Federal entrou na investigação.

Ao todo, doze meninas prestaram depoimento, relatando que foram exploradas sexualmente e denunciaram nove homens – dentre eles  um ex-vereador, dois militares do Exército, um motorista e um empresários do comércio local –  como os autores do crime.

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