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Por Fernanda Cerri e Isabella Prado

   O esporte conhecido pelo nome de Roller Derby foi inventado por Leo Seltzer em 1935, fazendo parte da maratona de uma das cidades mais culturais do Estados Unidos, Chicago. Essas corridas sobre patins que envolvem resistência se popularizaram durante a Grande Depressão, consequência da crise de 1929. A competição começou sendo mista e tinha como objetivo um número fixo de voltas, 57 mil, porém os choques entre os participantes que ocorriam durante o jogo culminaram em um novo objetivo. Os times deveriam se atacar e defender enquanto patinavam em uma pista inclinada. Hoje, o esporte se espalhou pelo mundo e busca um maior reconhecimento.
Nos EUA o predomínio é de ligas femininas de Roller Derby. Arizona Roller Derby, Assassination City Derb, Carolina Rollergirls, Gothan Girls Roller Derby e L.A Derby Dolls são alguns dos times mais conhecidos. O país que inventou o esporte apresenta mais de 700 ligas somente femininas.
Para mostrar como as brasileiras estão se interessando pelo esporte, a tabela abaixo indica os times de acordo com o estado:


Pela Internet foi como tudo começou. A primeira liga brasileira, Ladies of HellTown, a surgiu quando a integrante Juliana, conhecida no time como Beki Band-Aid, decidiu apresentar o esporte americano para meninas que estivessem interessadas. Exatamente nessa época, o filme “Garota fantástica”, que mostra a vida de atletas de Roller Derby, estava sendo lançado no Brasil e, assim, as pessoas começaram a tomar conhecimento do esporte. “Conseguimos juntar algumas meninas, que chamaram amigas, que chamaram amigas, e por ai foi!” diz Débora, outra integrante da equipe.

Assistir para aprender

As partidas de Roller Derby na teoria são complexas, mas na prática são bem simples de visualizar. Em uma pista oval, cinco patinadoras de cada time entram para disputar em tempos de 2 minutos, chamados Jams. Quando o primeiro apito soa, as quatro bloqueadoras saem, que tem a função de impedir a passagem da única atacante do outro time, chamada de jammer. As duas jammers começam a patinar no segundo apito, tendo o objetivo passar pelo bloqueio adversário, computando 1 ponto a cada jogadora ultrapassada.
Para gerar uma boa competição, de 3 a 5 times são suficientes, pois não existe um padrão para estipular esse número. Estruturado em ligas, o esporte forma times que competem entre si em campeonatos internos. A renda arrecadada pelos ingressos é revertida para as atividades da liga. O comprometimento é a regra número um das equipes. As faltas não são bem vistas e em todos os treinos é feita uma chamada para marcar presença das participantes. “Precisa se comprometer muito para fazer parte da liga, e o comprometimento é dentro e fora dos treinos. Nos dividimos em comitês, e cada um tem a sua obrigação: criar a arte, cuidar do merchan, organizar os treinos, recrutar novas jogadoras, cuidar do RP… precisa amar muito”, comenta Débora sobre as funções estabelecidas no time.

O que rola na prática

O espaço físico onde as jogadoras treinam não é totalmente adequado para a prática do esporte. “A área de escape é muito maior do que a exigida oficialmente. O ideal seria uma quadra com quase o dobro do tamanho.” afirma Débora. Apesar de pagarem uma mensalidade para utilizar o quarto andar do Círculo Macabi, o lugar não oferece os recursos necessários à altura do que elas precisam.
No último domingo, acompanhamos um treino da equipe Ladies of HellTown. As 10:30 da manhã, ainda sonolentas, começaram um aquecimento bem puxado. Como o esporte é muito intenso e algumas meninas ainda estão começando, exige-se treinos rigorosos para evitar lesões e acidentes. A eficiência do aquecimento reflete na fala de Débora: “Em nossos 3 anos de liga, só tivemos 3 jogadoras lesionadas de verdade.”
As garotas levam a essência do esporte a sério. Hot pats, coloridos ou estampados e meias-calças divertidas são suas escolhas preferidas. O estilo do esporte hoje é uma releitura dos uniformes dos anos 60, relembrando topetes Rockabilly. Ainda assim, está longe de ser uma regra. O time é aberto à multiplicidade de estilos.
A equipe com mais de 20 mulheres, apesar de ser concentrado na maioria do tempo, também tem um intervalo para a fofoca. Durante o treino, uma das participantes, que faz o papel da treinadora, apita algumas vezes para dispersar os grupos de conversa que vão se formando. O treino, mesmo assim, continua muito animado. Perguntamos a Débora qual seria a trilha sonora ideal para o treinamento. “A música da banda de uma das meninas da liga, a White Light Lametta, feita em homenagem às Ladies of HellTown” responde a integrante.

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Um dia de treino com Ladies of HellTown from Isabella Prado on Vimeo.

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