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por Gislene Yura

Muito pouco se divulga sobre a ação dos agrotóxicos nos seres humanos e quão eles são perigosos. O Brasil é o campeão mundial quando o assunto é o uso indiscriminado de agroquímicos. Desde 2008, lidera o ranking dos países que mais usam esse tipo de veneno, utiliza 1/5 de todo agrotóxico produzido em todo o mundo. Desde a década de 60 o país faz uso autorizado na agricultura. Segundo dados oficiais, mais de um bilhão de litros de defensivos agrícolas são utilizados nas lavouras. Venenos que já são proibidos em vários países, inclusive Estados Unidos, são usados sem restrição e sem prazos de validade aqui no Brasil.

Acaba por se tornar um ciclo vicioso porque cada vez se vai precisar de maior quantidade de  veneno, e agrotóxicos mais potentes,  para combater a mesma praga. Os alimentos vão sendo cada vez mais envenenados.

Além dos alimentos, esses venenos contaminam também a água de rios, lagos, e os lençóis freáticos, envenenando uma área muito maior àquela onde foi usada efetivamente.

O manuseio incorreto dos pesticidas é responsável por grande parte dos acidentes de trabalho no campo. Para aquele que faz uso dos agroquímicos, o mau que é causado em seu organismo é lento e cumulativo.

Agrotóxicos causam câncer, má formação do feto e passam para a criança na amamentação. São causadoras também de depressão e infertilidade.

Reprodução

No Brasil, quem tem a responsabilidade de avaliar se se tem usado pesticidas demais nos alimentos é a ANVISA. Ela, todos os anos, faz uma avaliação de quanto cada alimento tem de veneno.

Sementes transgênicas só podem ser usadas com o defensivo agrícola específico, causando um estrago maior na saúde daqueles que fazem uso e consomem os alimentos contaminados. Quem usa, diz que o benefício é o aumento e otimização da produção. Alimentos “melhores e livres de pragas”. A produção aumenta, os preços diminuem, mais gente é alimentada.

Produtos orgânicos são a alternativa para quem não quer mais ser consumista de pesticidas por tabela. O brasileiro consome cerca de cinco quilos de agrotóxicos por ano. Cinco quilos! Apesar dos produtos orgânicos serem mais caros, a saúde agradece.

O alimento campeão, aquele que mais veneno absorve na lavoura é o pimentão, seguido pela uva, pepino e morango.

Poder-se-ia pensar que seria só lavar as frutas, legumes e verduras para se livrar dos agroquímicos que foram neles usados. Infelizmente não é tão simples assim. O veneno penetra na polpa agindo negativamente da mesma forma.

Reprodução

Infelizmente o governo está engessado na política podre da banca dos agronegócios. Eles têm muito poder e influência.

O agronegócio é um modelo de produtividade que tem sido vendido como o único possível para suprir toda a demanda de alimentos do mundo. Nada mais é do que um comércio de sementes e seus acompanhamentos – os agrotóxicos que fazem parte da venda (cada semente tem o seu pesticida específico) – que deixam ricos e detentores de poder as grandes empresas da área. E por outro lado, inibe a produção de pequenos produtores de subsistência que ficam refém dos grandes.

Segundo o MST, Movimento dos Sem Terra, a expansão desse modelo de produção agrícola é responsável pelo desmatamento, envenena os alimentos e contamina a população.

Ao menos deveria haver algum incentivo fiscal e econômico para a produção de orgânicos. As pessoas têm o direito de ter a opção de querer ou não consumir transgênicos e pesticidas. Por enquanto a opção existe de uma forma cara e a maioria da população do Brasil não tem acesso. Mudar isso é uma tarefa bem difícil porque existe muito dinheiro e interesses envolvidos.

Não podemos deixar de consumir frutas e legumes. Elas são responsáveis pela alimentação saudável em qualquer cardápio nutricional. No entanto, temos que saber escolher esses alimentos. Se tivermos a consciência de que certo alimento faz mal, devemos trocar. Alimentos orgânicos são a opção, apesar de mais caros. A produção desses tipos de alimentos deve ser incentivada e a população deve estar bem informada sobre o que estão sendo obrigadas a consumir sem saber.

O governo deve ser intolerante e a fiscalização do uso abusivo e incorreto de produtos químicos usados na agricultura deve ser dura e eficaz. A população deve exigir do governo uma atuação firme com relação a esse assunto. A política pública deve sim prevenir a população das doenças que o uso indiscriminado de defensivos agrícolas causam no organismo humano. A prevenção custa bem menos do que o tratamento das doenças que eles causam. De acordo com Paulo Kliass, especialista em políticas públicas e gestão governamental “aqui os estudos de técnicos envolvidos com a matéria apontam para o elevado custo social associado ao uso desses produtos. Para cada dólar gasto em consumo de agrotóxico, pode estar embutido uma despesa futura de US$ 1,28 em despesas sociais pelo governo. E são cálculos ainda subestimados, envolvendo apenas as doenças agudas e conhecidas até o presente. Os custos indiretos no futuro apontam para somas muito maiores.”

Outra alternativa eficaz de se combater essa máfia dos agrotóxicos é a população se unir. Algo somente poderá mudar quando todos os cidadãos se unirem para exigir seus direitos de consumir alimentos saudáveis. Do contrário a tendência é piorar. A população precisa ser avisada e conscientizada de que os agrotóxicos são sim, perigosos para a população e que há alternativas. A ideia de que sem as sementes transgênicas e sem os agrotóxicos não haverá alimentação para todos, não é verdadeira. A saúde da população deve ser prioridade em todos os sentidos e em todas as políticas públicas.

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