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Por Heloisa Ramos e Bianca Gancedo

Quem nunca teve a sensação de acordar sem nem mesmo ter pegado no sono? Quem nunca passou um dia inteiro cansado, mas não conseguiu pegar no sono ao deitar? SONO

O ritmo da sociedade moderna exige uma rotina acelerada e por conta da agitação do dia-a-dia, o sono é um dos mais afetados e prejudicados.
Muito mais do que ser algo prazeroso, uma noite bem dormida é fundamental para uma vida saudável, independente do fato que as necessidades de sono variam por faixa etária. Ele é um estado que é ativamente gerado por regiões específicas do cérebro, e por não ser algo passivo, podemos compreender o porquê de mais de 60% da população adulta ter queixas relacionadas ao sono. É através dele que é recuperada a energia gasta durante o período em que estamos acordados, o chamado período de vigília. Além disso, a memória é consolidada, a temperatura do corpo é regulada e há a manutenção do equilíbrio geral do organismo. No momento em que dormimos há a liberação de hormônios e o relaxamento dos músculos. Ou seja, ter qualidade de sono é garantir a qualidade do momento em que estamos acordados.

Para aqueles que não dormem bem, o cansaço, o mau humor e a falta de concentração são comuns. Conforme isso se agrava a ansiedade, depressão, doenças cardíacas, hipertensão, diabetes e até mesmo obesidade podem ser consequências recorrentes. Isso porque, o corpo pode produzir mais cortisol e adrenalina, hormônios da tensão o que favorece os problemas cardíacos e digestivos. Embora muitos não se sintam sonolentos depois de uma noite mal dormida, isso pode comprometer as atividades do cérebro, como a criatividade, equilíbrio e memória. As crianças podem ter problemas de crescimento e de peso e fora essas questões, uma boa noite de sono elimina radicais livres, o que ajuda a evitar tumores e o envelhecimento precoce.

Um estudo feito com pessoas que não dormiam há 19 horas, realizado pela Universidade de Stanford nos Estados Unidos, apontou a concentração deficiente por parte dos envolvidos. Dessa forma, é um engano pensar que ficar mais tempo sem dormir para realizar tarefas será algo produtivo, já que à medida que o sono é prejudicado a concentração também será.

Como visto, o sono é algo complexo e é reflexo de uma arquitetura, já que é dividido em duas fases, o N-REM ou não-REM (Non- Rapid Eyes Moviment) e o REM (Rapid Eyes Moviment). O N-REM é subdivido em 4 fases que costumam durar de 45 à 85 minutos cada. A primeira fase é a que precede esse estágio do sono, denominada de Vigília, ocorre entre o ato de deitar na cama e o adormecer, onde nota-se ata atividade cerebral, movimentos oculares aleatórios e um acentuado tônus muscular. Ao adormecer, inicia-se o primeiro estágio do N-REM, que se mantém até o início do sono, o organismo libera a melatonina e o tônus muscular é reduzido, a respiração apresenta oscilações que ocorrem também no próximo estágio. A segunda fase corresponde de 45 à 55% do sono total, momento em que a sincronização da atividade elétrica cerebral acontece, os ritmos cardíaco e respiratório diminuem, os músculos relaxam-se e a temperatura corporal diminui. O terceiro e o quarto estágio costumam ocorrer mutuamente, neles os movimentos oculares são raros e o tônus muscular diminui progressivamente; ocorre o pico de liberação do hormônio GH, responsável pelo crescimento, e da leptina, que controla o apetite, a massa muscular e pressão arterial. Inicia-se na última fase o sono profundo, atingindo seu pico no início da manhã, onde a pressão arterial atinge seu nível mínimo e a ventilação respiratória volta a ocorrer normalmente. Após o quarto estágio, inicia-se o sono REM, onde a atividade cerebral assemelha-se com a do primeiro estagio do N-REM, os músculos mantém-se atônitos a não ser pelas oscilações da posição dos olhos, dos lábios, da língua, da cabeça e dos músculos timpânicos. Nesse período acontece a maioria dos sonhos, referente a 20-25% do sono total.

Entre os principais problemas referentes ao sono estão a apneia do sono e a insônia. A apneia obstrutiva do sono é uma doença na qual ocorrem pausas na respiração durante o sono porque as vias aéreas estreitam, ficam bloqueadas ou frouxas, devido o relaxamento dos músculos respiratórios. Os sintomas mais comuns são ronco – que pode ser excessivamente alto –, episódios visíveis de interrupção da respiração, sono excessivo durante o dia e, em casos mais graves, irritabilidade, depressão, redução da líbido, impotência sexual, além de cefaleia durante a manhã devido a fragmentação do sono. Em alguns casos, o indivíduo costuma acordar com sensação de sufocamento, boca seca, espasmo da laringe, vontade de urinar e apresentar refluxo.
Sua manifestação pode ser associada e intensificada pela obesidade, crescimento das amígdalas, malformações da mandíbula ou da faringe, hipertrofia da língua (como ocorre na síndrome de Down), tumores, hipotonia dos músculos da faringe ou falta de coordenação dos músculos respiratórios, uma vez que esses diagnósticos geram estreitamento ou fechamento da passagem das vias respiratórias. Diversos estudos mostraram que a síndrome está associada também a um aumento na incidência de infartos do miocárdio, derrames cerebrais e arritmias cardíacas, visto que a hipertensão arterial é encontrada em 70% a 90% dos que sofrem de apneia do sono. Ao contrário, 30% a 35% dos pacientes que apresentam hipertensão essencial são também portadores de apneia do sono.
Mais de 10% da população acima de 65 anos apresentam apneia obstrutiva do sono. Num estudo publicado em 1993, entre americanos de 30 a 60 anos, 9% das mulheres e 24% dos homens apresentavam índices de distúrbio iguais ou maiores do que 5. Cerca de 2% das mulheres e 4% dos homens queixavam-se também de sonolência durante o dia. Crianças podem apresentar apneia do sono em 1% a 3% dos casos.

A mortalidade entre os portadores da síndrome é significativamente mais alta entre os que não recebem tratamento adequado ou entre aqueles que apenas roncam sem experimentar momentos de apneia. O tratamento baseia-se na abertura dessas vias, para que a respiração se mantenha constante durante o sono, podendo ser feita através de cirurgias em determinados casos.
A insônia é o principal problema referente ao sono, porém não se trata de uma doença, mas sim de um sintoma para diversos problemas. Baseia-se na dificuldade que determinado indivíduo apresenta para adormecer, sem motivos aparentes. A situação merece atenção quando esse período com dificuldade para dormir ultrapassa três semanas, diagnosticando insônia crônica. Os fatores podem ser inúmeros, tanto de ordem emocional, como fatores externos e algumas doenças. Entre as principais causas estão os hábitos inadequados (horários de dormir e acordar irregulares ou continuamente alterados e fatores de estilo de vida, incluindo o mal uso de cafeína, álcool e outras substâncias), conflitos familiares ou no trabalho, mudanças de fuso horário, barulho, mudanças no ambiente ao redor, problemas hormonais (como a produção inadequada de serotonina), idade avançada (a insônia ocorre mais frequentemente depois dos 60 anos e em mulheres após a menopausa), efeitos colaterais de medicamentos, Mal de Parkinson, Alzheimer, estresse crônico, depressão, ansiedade, doenças que causam dor ou desconforto como a fibromialgia, predisposição genética e até mesmo outros distúrbios do sono. O tratamento é feito a partir de medicamentos que controlem ou curem essas causas, já que a insônia é apenas um sinal de que algo está errado.  
Maria Isabel tem 70 anos e sofre de insônia desde pequena. Sua mãe achava que a dificuldade para dormir fosse algo natural e não sabia da gravidade do problema.
Hoje em dia, Isabel diz que não relaciona sua insônia ao stress do dia a dia, mesmo que sem razões específicas para ter dificuldades para dormir acaba se concentrando nisso e piorando sua dificuldade.
“ Se não tenho uma noite bem dormida fico mal o dia todo, e com a Yoga ajudei meu problema”

As doenças dos dias de hoje não são as mesmas que as de antigamente, isso é reflexo das mudanças e dos novos costumes que se alteram conforme a modernidade chega. Junto com a modernidade, que tanto nos ajuda em alguns aspectos, vieram equipamentos que também ajudam para atrapalhar o sono das pessoas. O computador e o conteúdo da televisão, que prendem a atenção, favorecem a ansiedade e insônia. Jovens que geralmente passam horas na frente do computador principalmente antes de dormir apresentam maior dificuldade para pegar no sono. Essa situação aponta que além da insônia, o uso excessivo de computadores e aparelhos eletrônicos também acaba sendo um problema.
Segundo a psicóloga Gema Galgani Mesquita, a luminosidade presente no computador e na televisão, impede que a pessoa entre em sono profundo, por ser algo que estimula os neurônios e desregula a liberação da melatonina, o hormônio do sono. 

Juliana, de 19 anos, considera-se uma menina agitada por conta de sua rotina. Sai de casa logo cedo para ir trabalhar e volta à noite, quando sai da faculdade. Juliana diz que o momento que tem para fazer as coisas que mais gosta é à noite, quando chega em casa. Uma delas é ficar no computador. Ela afirma que não usa as redes sociais somente porque gosta, mas também, porque é uma forma de estar com algumas pessoas já que mal para em casa.
“É o jeito que eu tenho para saber o que esta acontecendo. Inclusive os compromissos com meus amigos. A questão que é à noite o único momento que tenho para fazer isso”
A jovem estudante tem dificuldades para dormir e sabe que isso é consequencia da sua rotina agitada, que a deixa ansiosa demais, e por causa do uso do computador antes de dormir

Fazendo jus à expressão, São Paulo, a cidade que nunca dorme, tem 25% da população com dificuldades para dormir, 27% que acorda precocemente e 36% que relata ter dificuldade de manter o sono.

Embora seja grande o número de pessoas com algum tipo de problema relacionado ao sono, para que eles se minimizem é aconselhado ter horários regulares para deitar e acordar, fazer refeições leves e fazer algum tipo de relaxamento antes de dormir, evitar o sedentarismo, manter baixa a luminosidade do ambiente.  É recomendado também, evitar bebidas alcoólicas e cafeína antes de dormir assim como os cochilos durante o dia. Os problemas são frequentes e as especificidades variam entre as pessoas e principalmente entre as faixas etárias, dessa forma, as horas de sono variam para cada um e assim como as medidas para se ter uma boa noite de sono

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