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Por Heloisa Ramos e Bianca Gancedo

“Nós somos mulheres simples, não temos poder, influência ou dinheiro. Mas temos nossos corpos e vozes e iremos usar isso como armas de guerra”  Sara Winter, pioneira do movimento no Brasil
Uma das coisas que a sociedade moderna conquistou com o passar do tempo foi o direito de se expressar. E na verdade, esta é uma conquista que ainda não terminou. Podemos citar inúmeras causas defendidas graças à liberdade expressão, dentre elas, esta a luta de mulheres contra as práticas de exploração sexual, o sexismo e todo tipo de patriarcado. Essa luta faz parte do movimento Femen, que ficou conhecido pelas integrantes fazerem topless durante seus protestos. Engano daqueles que acreditam que o movimento se restringe apenas a esse ato. As meninas, de fato, tem muito o que falar com seus objetivos esclarecidos.

   O grupo feminista originou-se na Ucrânia em 2008 e foi crescendo com o tempo, a ponto de hoje ser um movimento internacionalizado, presente em mais de 30 países. O fato das integrantes não virarem as costas para mídia colaborou para que isso acontecesse. Utilizar os veículos de comunicação em favor das causas defendidas é uma forma de não ser uma “vítima que se cala”, é uma forma de fazer com que mais pessoas recebam a mensagem que elas querem passar. Até porque, elas não se consideram como vítimas e acreditam que quanto mais exposição melhor será, já que muitas pessoas não sabem sobre as ideias do feminismo e também do Femen; é uma forma da sociedade ter contato com esses ideais e com o grupo especificamente.
Na Ucrânia, berço do movimento, as integrantes bateram de frente com varias formas de oposição e aqui no Brasil não é muito diferente, a luta também não é fácil. Mesmo que com realidades distintas, as propostas e o discurso do movimento são passados para o contexto brasileiro de forma que o espírito Femen se mantenha vivo.

O que querem as mulheres talvez seja algo que poucos saberão responder, mas não no caso das meninas do Femen. Sara Winter, pioneira do movimento no Brasil, diz que toda mulher deseja sua independência e sabe o que quer desde pequena. Mais do que falar com seus corpos, as mulheres do movimento falam com seus peitos que, desde a queima dos sutiãs tem força e significado forte, capaz de abrir caminhos e fazer rupturas de pensamento e na política. Mesmo com essa força, a receptividade que ele tem na sociedade não é a mesma em todos os contextos. Pode passar uma imagem positiva, sendo um objeto sexual e na amamentação, que remete o espírito materno, o amor, carinho e afeto. Mas quando usado para protestar, pode chocar e até mesmo ser visto como uma ofensa. Sara Winter, em entrevista ao programa Saia Justa, do GNT, afirma que no Brasil existe hipocrisia, pois enquanto elas são presas por fazerem criticas durante os protestos, no país da “boquinha da garrafa” e do carnaval nenhuma mulher é acusada de ato obsceno.  

   Uma das teorias presente no movimento é a do Neo Feminismo, que segundo Sara, tem as mesmas ideias do feminismo, mas que são feitas de formas diferentes. O movimento acredita que feminismo tem propostas conhecidas principalmente pela elite, sendo assim, o objetivo delas é que a informação e as propostas do Femen cheguem a todas as camadas. Por isso, a exposição das integrantes é maior, para que mais pessoas recebam a mensagem. As consequências disso são as punições que elas recebem, já que mostrar os seios em público é considerado um gesto obsceno, segundo a constituição brasileira. Mesmo assim, a nudez é usada como uma forma de provocação para aqueles que exploram as mulheres.

   Além das causas defendidas e dos protestos que participam, o grupo feminista também apóia a banda Pussy Riot e os índios Guarani Kaiowá. Independente da sociedade estar ou não preparada para ouvir as mulheres e de aceitar o movimento feminista, principalmente o movimento Femen, a luta continua.

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