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Murilo Cepellos
e
Pedro Arbex

A nova cena do rap nacional que toma conta do país

O inicio do hip hop no Brasil se deu pela importação desta combinação de ritmo forte e uma letra com conteúdo de crítica social, que tanto fazia sucesso na década de 80 nos Estados Unidos. Curioso notar que em um país onde a vida era narrada pelo samba, de maneira semelhante a que acontecia no rap norte-americano, e na terra dos repentistas, músicos, rimadores que dominavam a língua portuguesa e tinham no improviso o ponto alto, foi necessária a influência do exterior para que o repente deixasse de ser exclusividade do nordeste, e ganhasse o ritmo e os temas que condizem com a realidade das grandes metrópoles que nasciam no país.

A malandragem típica do rap era mais que comum na música brasileira, principalmente se pensarmos na boemia carioca, desde o início do século XX, como Cartola, Noel Rosa, Jair Rodrigues e assim se sucederam no status de “malandro”. Até traje próprio o carioca da malandragem ostentava. Chapéu a esconder a cabeça, sapatos sempre com destaque e camisas que já misturavam a elegância com o desleixo.
A cena da década de noventa se dividia em coletivos, como RZO e Racionais Mc’s, respectivamente das zonas sul, e leste da capital paulista. No Rio de Janeiro nomes já apareciam forte, como a banda de hip-hop e rock Planet Hemp, ou o Mc Mv Bill, entre outros. Na clandestinidade das “batalhas” de rap, duelo de improvisadores, cresceu o rap brasileiro, tomou forma, identidade, e hoje é talvez a música mais ouvida pelo jovem das grandes capitais do país. Marcado tanto pela influência do samba como do funk que tanto fez sucesso principalmente no Rio de Janeiro, o hip hop brasileiro foi tomando forma, até chegar a mistura que se tornou hoje a fórmula do sucesso.

Do hip hop norte-americano, do samba e funk cariocas, do repente nordestino e do cotidiano ridiculamente urbano paulistano vieram as influências da febre que é o rap nacional. O que antes era exclusividade da periferia hoje ganha o horário nobre.

Mercantilização da periferia

Se o coletivo carioca Oriente diz em uma de suas letras que sua revolução será televisionada, fazendo referencia à tomada de consciência coletiva da juventude atual fortemente influenciada pelas críticas letras do hip hop brasileiro, a pergunta que devemos fazer é se a midiatização da cultura periférica produzida no país é de agrado de quem a produz.
De um lado o rapper Emicida, que grava músicas com Nx Zero, Skank entre outros artistas populares, do outro Mano Brown, a periferia paulistana personificada, que não almeja sucesso, fama ou cifrões e sim apenas contar sua realidade e passar sua mensagem.  O rap é isso, assim surgiu, a voz que não se ouvia, mas hoje ouvir essa voz por todos os cantos da cidade causa estranhamento aos ouvidos de quem se acostumou a ouvi-la como forma de protesto.
Com o recente sucesso, principalmente entre o público adolescente, artistas como o rapper paulistano Pollo, ou bandas cariocas como Bonde da Estronda têm sofrido forte preconceito no cenário do hip hop nacional. Por outro lado, jovens coletivos paulistanos e cariocas como Cone Crew Diretoria e Oriente do Rio de Janeiro e Haikaiss e Pentágono em São Paulo fortalecem a cena underground do rap e tentam reescrever a história que os precursores do estilo no Brasil construíram.
Porém, mesmo essas bandas que humildemente se dizem alunos dos grandes artistas do gênero como Racionais e Sabotage sofrem com o mesmo preconceito dos novos artistas que produzem extremamente ao estilo “comercial” do hip hop.
Em matéria especial publicada no jornal L. A. Times no mês de agosto deste ano, uma entrevista exclusiva com os expoentes da nova cena do rap nacional Criolo e Emicida. Na matéria, o jornal americano ressaltava a grande abrangência de público dos novos artista brasileiros que produzem o estilo musical semelhante ao tão conceituado hip hop americano.
Extremamente ressaltado na entrevista, o caráter social das letras de rap brasileiros chamaram a atenção do jornalista americano. Segundo a conclusão da matéria, o rumo do rap brasileiro e de toda a categorizada como “black music” deve seguir o da norte americana, tornando-se tendência para alcançar o sucesso por toda uma geração.

O código de expressão estética deve causar a identidade do seu público, para com a obra. Os poetas e poetizas da cidade cinza, levam sua mensagem através do hip hop e um sentimento de identidade de grande parte da juventude brasileira têm sido alcançada. Para o dj e mc KL Jay, do grupo Racionais Mc’s, a popularização da internet foi vital para que o som feito dentro ou fora das periferias, alcancem todos os públicos da cidade. “A internet quebrou o monopólio da produção e da distribuição, Foi onde o rap teve um pouco mais de voz”, declarou KLJay em entrevista para o “Programa do VMB” da emissora MTV.
Segundo o grande símbolo do rap nacional, Mano Brown, também integrante do grupo Racionais Mc’s, as influências do Funk norte americano foram vitais em grande parte da música produzida no país. “James Brown, mentor de tudo isso, ele é responsável pelo Mano Brown fazer sucesso”. A “Cena” está muito bem agora, fazendo sucesso, mas não há nada para comemorar, o hip hop é o maior movimento vivo hoje no Brasil. Vivo e operando. E ainda temos muita coisa pra fazer. Rap é uma faculdade, o rap é infinito. O conhecimento do rap é infinito” ressaltou Mano Brown também ao “Programa do VMB” da Mtv.

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