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Por Juliana do Prado

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A famosa “Bolha imobiliária” deixou de ser aplicada especificamente no centro expandido e está chegando á bairros periféricos. (Foto: Reprodução)

Para a economia, a definição do termo “Especulação Imobiliária” significa sinteticamente, a compra de bens imóveis que não serão utilizados para fins habitacionais e sim para comerciais, que tem como objetivo o aluguel ou a venda desses imóveis adquiridos, após uma futura valorização dos preços de mercado em uma determinada região, seja influenciado por uma obra governamental ou pela falta de imóveis em um determinado bairro. Assim, os preços elevam-se artificialmente, conforme a procura dos compradores e a pouca oferta de imóveis disponíveis. Como resultado disso, antigos moradores são prejudicados, como acontece no bairro Vila Brasilândia – Zona Norte de São Paulo –,  que com a chegada da Linha 6 – Laranja do Metrô os preços dos imóveis elevaram-se, causando incertezas em relação aos preços para compra, venda e aluguel das propriedades e esperanças em relação á mobilidade e valorização do bairro que este novo meio de transporte poderá oferecer aos habitantes desse bairro.

 Construção da Linha 6 – Laranja do Metrô

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Com o anúncio da construção da linha 6 – Laranja do Metrô, os preços dos imóveis elevaram-se, gerando especulações nos bairros. (Foto: Reprodução)

 Apelidada de “Linha das Universidades” – já que passará por universidades como FMU, PUC-SP, Mackenzie e FAAP –, a linha 6 – laranja do Metrô foi projetada pela Companhia do Metropolitano de São Paulo no ano de 2008, e terá duas fases de construções para implementação do ramal que unificará as 28 estações previstas. O desenho de arquitetura terá estacionamento subterrâneo, três terminais de ônibus, claraboias e escadas rolantes.

 A primeira fase, ligará a estação São Joaquim (Linha 1-Azul) á estação Vila Brasilândia, que atualmente está em processo de desapropriação, causando especulações, desinformação, dúvidas e ansiedade aos moradores. Já a segunda fase, terá como ampliação as estações Pirituba (zona norte) estendendo-se até o Jardim Anália Franco (zona leste), num total de 28 km de extensão, que tem como estimativa de custos R$12 bilhões e com entrega prevista para o ano de 2020, financiados pela Parceria Pública-Privada (PPP). Já os gastos com as desapropriações serão de R$570 milhões, equivalente aos 406 imóveis, que somados representam um total de 407.400 metros quadrados, que foram declarados de utilidade pública (direito constitucional do Estado pelo direito de propriedade Art. 180 da Constituição brasileira, lei nº. 3.365/41) pelo Decreto número 58.025, assinado pelo governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin em 7 de maio de 2012.

Para a maioria dos moradores da Vila Brasilândia entrevistados pelo Jornal Prottotipo, a construção do Metrô é benéfica, já que trará desenvolvimento e valorização para a região, mas os altos preços cobrados pelos imóveis preocupam á todos. Morador do bairro há 15 anos, Claudio, é a favor da construção, mas é receoso em relação à capacidade de passageiros que o empreendimento trará para o bairro, fazendo com que o meio de locomoção fique sobrecarregado: “Já reclamam do transporte porque tem muitas pessoas na região, e com a vinda do Metrô, invés de um milhão de pessoas que já moram aqui, por exemplo, poderá vir mais um milhão pra cá, e com isso, a situação vai ficar mesma.”

 Desapropriações

Para a construção dos 13,5 Km que farão a interligação do trecho da Vila Brasilândia á São Joaquim, imóveis comerciais e residenciais serão desapropriados, gerando incertezas sobre o futuro do bairro. Para Thiago, proprietário da JC pizzaria, localizada na Estrada do Sabão, 1434, – um dos imóveis que serão desapropriados –, recebeu formalmente a notificação por meio de uma carta do Estado, indicando que em Março de 2013 ele precisa se retirar do imóvel para a construção da obra. Ele acredita que as incertezas que rondam o projeto, prejudicarão o bairro: “Isso é uma situação chata, porque vai acabar com o comércio, que é forte na região, e todo mundo vai embora… Não sabemos muitas informações, uns dizem que a obra foi embargada, outros falam que até o Solimeo (Escola Estadual João Solimeo) vai ser desapropriado… Ficamos sem saber se saímos ou não, ficamos sem ação.”.

Já para o porteiro Daniel, morador do bairro há 15 anos, o valor que será pago pelo Governo do Estado, é o que mais o preocupa no momento: “Já recebi a carta e ainda está tudo muito cru ainda. Só avisam que vai ser desapropriado, mas não dizem os valores que vão pagar… Se não for um valor justo, vou entrar na Justiça.”

 Especulação

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A valorização dos imóveis na região da Vila Brasilândia chegam em até 20%, depois do anúncio oficial da construção do Metrô. (Foto: Reprodução)

Como toda obra que traga desenvolvimento para uma região, há a especulação imobiliária, que atinge tanto os compradores, vendedores, quanto os profissionais do ramo imobiliário, resultando nos irreais preços cobrados pelas propriedades. A famosa “bolha”, está atingindo os valores dos imóveis, que com a confirmação da obra, houve um aumento de 30% nos preços cobrados. Segundo Wilson Geraldo da Costa, proprietário da imobiliária “Gol Imóveis” e corretor há 38 anos, há uma grande desinformação sobre os locais em que as estações irão ser inauguradas, e com isso, a população especula o preço conforme boatos criados, prejudicando os próprios moradores: “Muitos estão segurando os imóveis por conta da construção, mesmo sendo em 2016. Está acontecendo muita especulação, e quem sofre são os próprios moradores, moradores antigos, comuns, porque os novos têm dinheiro para investir aqui. Quem comprou, comprou, e quem não comprou, não compra mais, porque os preços estão supervalorizados, podendo ser comparados com os preços de regiões como Lapa, onde já têm uma infraestrutura, e com isso as pessoas estão fugindo para regiões melhores, já com uma infraestrutura instalada”. Mesmo com a insistência de Wilson da Costa sobre os fantasiosos preços estipulados pelos moradores nas avaliações, muitos clientes usam como justificativa a frase, que já se tornou um clichê: “Ah, o metrô vai passar por aqui, aumenta esse preço!”. Ficando sem alternativa, da Costa é “obrigado” a satisfazer o cliente, mesmo sendo contrariado: “Eu aumento, mas logo eu deixo bem claro, que a pessoa vai ficar esperando deitada, e não sentada… Não adianta, não vende. Porque o meu cliente vai no Google Maps e olha a vizinhança, e vê como as casas são mal cuidadas. Desistem de comprar e vão embora.”

Polêmica

Em Maio de 2011, a prevista localização da futura Estação Angélica/Pacaembu foi alvo de polêmicas pelos moradores dos bairros de Higienópolis e Brasilândia, resultando em um abaixo-assinado pela Associação Defenda Higienópolis, que representa os morados do bairro, que no qual, não concordam com a implantação da estação na Avenida Angélica.

Com a negativa dos moradores, a Companhia do Metropolitano de São Paulo, desistiu do projeto inicial de construção, mudando a estação para a região da Rua Ceará com a Rua Sergipe, no mesmo bairro. Mesmo o Metrô desmentindo os rumores de que os moradores influenciaram na decisão, houve uma movimentação nas redes sociais, chegando a ser um dos assuntos mais comentados do Twitter no Brasil, além de ter sido criado um evento público no Facebook, que convidava á todos a se reunirem na frente ao shopping Pátio Higienópolis para realizarem o “Churrasco para gente diferenciada”, famosa designação preconceituosa dada por uma moradora do bairro nobre, referindo-se aos moradores da Brasilândia.

 

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