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Foto: reprodução.

Por Giulia Simcsik

Quadrúpedes carnívoros digitígrados e domésticos ou, se você preferir, cães. São os melhores amigos do homem há séculos, e essa amizade ultrapassa fronteiras, ultrapassa o conforto dos lares, ultrapassa o bem estar e a saúde. Proporciona aprendizado, oferece lições e emociona. Um exemplo? Cães heróis, cães soldados, cães guerreiros. Esses melhores amigos, sempre dispostos a ajudar, ganham destaque na mídia e espaço nas prateleiras das livrarias, por sua bravura, por sua coragem e por seus feitos inéditos e impressionantes.

O DNA de algumas raças de cães aponta que elas são mais propicias a trabalhos de salvamento: o São Bernardo trabalha muito bem na neve, o Pastor Alemão é uma raça mais recente, que se tornou ‘eficiente’ durante a Primeira Guerra Mundial e o Labrador é um dos cães mais inteligentes do mundo. Além deles, Goldens, Cockers e até vira-latas fazem parte de uma lista interminável de cães heróis.  A raça fica pra trás quando o cão possui características importantes para a função de soldado. As habilidades de um cão são mais significativas do que a tecnologia de qualquer robô ou computador.  Segundo um porta-voz do Exército Real, no Exército, os cães são escolhidos mais por suas características que por suas raças.

O livro de Sam Stall, intitulado 100 Cães que Mudaram a Civilização, apresenta cães que mudaram o rumo da história, histórias verídicas e descomunais. Entre eles estão Péritas, o cão de Alexandre (o Grande), que morreu para salvar a vida de seu dono; Jo-Fi, melhor amigo de Freud, que ficava perto apenas dos clientes tranquilos e Pickels, o vira lata que encontrou a taça roubada da Copa do Mundo de 1966. Além deles, Stall retrata Balto, cão que virou desenho por enfrentar o gelo do Alasca para medicar uma vila perdida e salvar muitas crianças (o Husky ganhou até uma estátua no Central Park) retrata uma cadela que iniciou a guerra entre França e Rússia, a Biche; e também o canino que mordeu o Papa para concretizar o cisma da Inglaterra.

Homenagem à Balto, erguida no Central Park. Foto: reprodução.

Está programado para dezembro o lançamento do livro Soldier Dogs, aqui no país. Ele é escrito por Maria Goodavage, que já foi repórter do USA Today e do San Francisco Chronicle e atualmente trabalha como editora e escritora de um site que liga os cães e a mídia. A paixão da autora pelos ‘cães de guerra’ começou quando seu pai, também autor, lhe contou histórias sobre a Segunda Guerra Mundial e sobre cães militares que ajudavam a salvar vidas e, algumas vezes, a sanidade dos oficiais. A ideia de escrever sobre esse assunto surgiu após a morte de Osama Bin Laden, a partir do momento que todos desejaram conhecer o membro canino do Navy SEALS.  Goodavage afirma que, atualmente, conseguimos utilizar melhor as habilidades naturais dos cães e, eles, adoram ser úteis. Vale destacar as reportagens e entrevistas com oficiais que trabalham ao lado dos cães nas situações mais alarmantes do mundo.

O atentado de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, destacou os cães soldados e suas habilidades incríveis. Para os resgates, foi utilizada uma centena de labradores, além de Goldens, Pastores alemães, Border Collies, Cockers e vira-latas. Trakr, um pastor alemão, encontrou a ultima sobrevivente da tragédia, após ela ficar mais de um dia inteiro soterrada.

Trakr, escolhido por um concurso como o animal mais digno a ser clonado.

Já Dorado, cão guia do técnico de computação Omar Rivera, um deficiente visual que trabalhava no alto da torre, mesmo após ser solto da coleira pelo dono, para que salvasse sua vida, empurrou Rivera em direção à escada de emergência e encontrou uma saída para os dois, por uma porta qualquer.

Cão transportado pelos escombros do World Trade Center, após atentado terrorista de 2001 Foto: Daily News.

As guerras que assolaram diversos países também destacaram os cais heróis. Nos campos de batalha, esses destemidos peludos desarmam bombas, procuram inimigos e salvam vidas. A revista Foregin Policy afirma que só o exército dos Estados Unidos, possui mais de 20 mil cães em atividade. Stubby, por exemplo, é o cão mais homenageado do exército americano e participou de 17 combates durante a Primeira Guerra Mundial, dentre os quais localizou feridos e capturou um espião inimigo.

“Sargento Stubby, cão herói da 1ª Guerra Mundial, um corajoso andarilho.” Foto: reprodução.

O obituário da morte de Stubby foi publicado em três colunas no jornal The New York Times.

Foto: reprodução

Outro canino, o farejador Treo, descobriu uma bomba que poderia ter matado até 50 soldados de uma vez. Dave Heyhoe, seu parceiro militar, afirma para a revista Foreing Policy: “Todo mundo diz que ele é apenas um cão militar – sim, ele é, mas também é um grande amigo meu. Nós tomamos conta um do outro”.

Chips, mistura de Husky e Collie, é uma boa representação de um herói canino da Segunda Guerra Mundial: ficou famoso por eliminar um nicho de metralhadores. Sua façanha se tornou um romance e, em seguida, um filme para televisão, Chips, o cão de guerra.

Esses preciosos soldados sempre são recompensados por seus feitos, seja aqui no Brasil ou nos Estados Unidos, por exemplo, é entregue ao cão herói uma medalha ou uma coleira de honra e, em alguns casos, principalmente nos EUA, um obituário (uma narrativa relacionada à sua morte, que relata os principais aspectos e motivos).

Theo e Liam. Foto: reprodução

Theo, o melhor amigo de Liam Tasker, soldado britânico combatente no Afeganistão, faleceu após ver seu companheiro sendo baleado numa missão na Irlanda.  Segundo a mãe do oficial, de tristeza, de coração partido. Ambos receberam medalha de honra por seus atos na guerra e foram representados por outra dupla fiel: um sargento e sua cadela. Sobre esse assunto, a autora Maria Goodavage fez a seguinte observação: “O cachorro é o melhor amigo do soldado. E não há vínculo mais forte entre eles que numa guerra. Assim era a relação entre Theo e Liam”.

Na Inglaterra, uma Organização Não Governamental, cede aos corajosos  a medalha de ouro George Cross, desde 2001. A maioria dos homenageados são cães que salvaram seus donos e famílias de acidentes domésticos e crimes.

O cão Buster e o Sargento Morgan, durante a cerimônia de recebimento da medalha PDSA Dickin, pelos serviços prestados no Iraque (2003). Foto: reprodução.

Medalha PDSA: “Pela bravura animal e devoção ao dever”.

O salvamento na cratera que se abriu durante as obras do Metrô de São Paulo, há alguns anos, matando e ferindo muitas pessoas, também trouxe destaque aos cães: Dara e Anny, duas cadelas, receberam do prefeito da cidade coleiras de menção honrosa.

Além de cães, também já foram homenageados pombos mensageiros (da 2ª Guerra Mundial), cavalos e gatos.

Uma lição e uma felicidade para nós é essa união de homem e animal (não apenas cães) com o intuito de salvar vidas, corações e mentes; de praticar o bem e defender o que é importante. Tantas pessoas passam as vidas tentando ter alguma lealdade e o mínimo de honra, mas morrem sem conseguir. Já está na hora de aprendermos com esses heróis de quatro patas e seus valentes parceiros.

Foto: reprodução

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