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Por: Bianca Benfatti

A adolescência é o tempo das novas descobertas, das mudanças biológicas, psicológicas e sociais, talvez por esses motivos, essa seja a fase mais difícil de lidar, tanto para o próprio adolescente quanto para as outras pessoas que convivem com ele. É uma etapa, na maioria dos casos, de imaturidade, na qual as responsabilidades ainda estão se consolidando. Portanto se tornar mãe com 13, 14 anos pode significar uma perda da juventude, prejuízo que jamais será recuperado. Engravidar nessas condições constitui em problemas para a menina e para o bebê. Como a sabedoria popular diz seria uma criança cuidando de outra criança. Frequentemente, causada por dificuldades financeiras, os recém-nascidos são abandonados ou deixados sob os cuidados dos avós. A mãe e o pai, geralmente muito novos e sem experiência, acabam largando a escola e seus projetos de vida, sendo que não raro o menino não assume seu filho e deixa a namorada grávida.

Segundo o médico ginecologista do Hospital Vila Nova Cachoeirinha, Jorge Mendes, é crescente o número de adolescentes gestantes tanto na clínica privada como no serviço público e com idades cada vez menores, sendo que a maioria engravida na primeira relação, por falta de orientação das famílias. Pensando nas dificuldades das mães muito jovens, a prefeitura de São Paulo criou em 2006 um programa de auxílio voltado para a mãe e para a criança, intitulado Rede de Proteção à Mãe Paulistana. Tem como objetivo acompanhar a gravidez desde o pré-natal até o parto, de mulheres atendidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Inclusive o hospital Cachoeirinha citado anteriormente também está cadastrado para receber essas mães. Em seis anos de funcionamento ele já realizou 697.219 partos. Além dos exames básicos, após o nascimento da criança é fornecido um enxoval com alguns objetos necessários (cobertor, macacão, bolsa, casaco).

Para o doutor Jorge o programa não é perfeito, existem falhas e a principal delas é que no Mãe Paulistana há um serviço responsável pelo controle das vagas nos hospitais da rede, promovendo os contatos através de uma central telefônica, na opinião dele isso não tem sido muito eficaz, principalmente na busca por vagas. Além do que conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria o atendimento da gestante adolescente deveria ser diferenciado, pois as circunstâncias a que estão expostas são distintas em relação às outras mulheres. A jovem apresente características próprias no seu desenvolvimento, e por esse ser um momento delicado da sua formação. Por tratamento diferenciado entende-se que é necessário um acompanhamento psicológico, o qual compreenda e reconheça as questões relacionadas à adolescência e comporte os possíveis riscos que possam existir: menores de 15 anos, baixo peso, desnutrição e anemia, tentativa de aborto; falta de apoio da família e do companheiro, gestantes que sofreram violência, gravidez em consequência de estupro, deficiência mental; uso de drogas, entre outros.

O Mãe Paulistana acaba negligenciando esses casos específicos, não fornecendo tratamento adequado para as gestantes adolescentes, sem uma ajuda psicológica. O ideal, de acordo com Jorge Mendes, seria auxiliar também a família da menina, promovendo o esclarecimento sobre as consequências dessa gravidez, enfatizar o planejamento familiar, oferecer atendimento em grupo, resgatar a autoestima da jovem e prepará-la para o parto. Sem esquecer que acima de tudo a prevenção é muito importante, e pra isso fornecer orientação para os adolescentes evita s gravidez, mas também as doenças sexualmente transmissíveis. É preciso conhecer e utilizar os métodos contraceptivos, como camisinha (feminina e masculina), pílula anticoncepcional, DIU (dispositivo intrauterino), entre outros que devem ser distribuídos aos jovens.

 Uma exceção à regra

A adolescente *Raissa dos Anjos engravidou de seu namorado aos 15 anos. Porém diferente da maior parte dos casos de gravidez na adolescência, ela recebeu apoio da família e do seu companheiro, “Não fiquei com medo em nenhum momento, só pensei que a minha juventude iria acabar, mas não desisti de ter meu filho. Foi um pouco difícil, mais deu certo sai de casa e fui morar com ele (namorado).” Atualmente ela tem 18 anos e ainda mora com o pai da criança, mas alerta:” Eu tive sorte, porque hoje as coisas não acontecem dessa maneira.” Os pais quando receberam a notícia, ficaram nervosos, principalmente o pai de Raissa, contudo a única solução foi se conformar e aceitar a situação.

A gravidez não constitui nenhum risco mental ou físico, a maior dificuldade, porém, foi lidar com o bebê, deixar  de ser uma criança e amadurecer a ponto de formar uma família, oferecer uma estrutura adequada ao desenvolvimento do filho. Quando perguntada sobre qual ensinamento tirou dessa experiência, Raissa respondeu: “As pessoas precisam ter ao menos um pouco de responsabilidade, pois ao contrário do que ocorreu comigo, muitas meninas que engravidaram cedo não tiveram sorte e acabaram criando seus filhos, sozinhas.”

Documentário

Sobre o assunto há um documentário chamado “Meninas”, dirigido por Sandra Werneck e Gisela Camara. O filme foi realizado em 2006 e tem como personagens principais, jovens com 13, 14 e 15 anos que engravidaram precocemente e ainda possuem a mentalidade de crianças. Segundo Sandra acompanhá-las durante um ano foi revelador, pois elas quase não vivem suas infâncias, desde cedo precisando assumir grandes responsabilidades, “Acabam por confundir maternidade com maturidade, na expectativa de que o novo status de mãe signifique um reconhecimento na comunidade e na família”.  Com o objetivo de mostrar um problema grave no Brasil, a diretora retrata a menina que engravida geralmente despreparada, abandona a escola e reduz suas perspectivas de vida.

Sandra pretendeu mostrar uma solução: “O Brasil precisa pensar na questão do planejamento familiar. É uma loucura botar cinco ou dez filhos no mundo sem ter condições de criá-los e educá-los de verdade”. E termina: “Para muitas, ter filhos é simples questão de status ou a realização de um sonho vago que não sabem exatamente o que é.” O mais importante é estimular o debate sobre esse problema da adolescência perdida, e permitir uma melhor reflexão da sociedade, com a preocupação de evitar mais crianças grávidas brincando de boneca.

Link do filme:http://www.youtube.com/watch?v=KaVDBiZ-bdM%5D

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