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Por Ana Flávia Soares e Mariana Stocco

Vivemos numa sociedade que veicula a todo o momento a busca pela beleza e pelo corpo perfeito. Com isso, são muitas as pessoas que entram nessa nova “onda”. Estabelecem como objetivo de vida ter um corpo perfeito, ser bonito a qualquer custo, ter músculos no corpo todo e estar no peso certo. Se tal fato ocorre por excesso de vaidade ou pressões sociais, ainda não se sabe. Mas é importante ressaltar que tais padrões podem causar a compulsão pelos exercícios físicos. Para o Professor e preparador físico Regis Stefanelli, a sociedade está cada vez mais vaidosa e isso faz com que as pessoas passem mais tempo se cuidando na academia. “O que acontece hoje em dia é que as pessoas estão cada vez mais vaidosas e tem esse apelo estético muito grande”, afirma Regis. Lembrando que, tudo o que é extremamente exagerado, torna-se doentio.

O professor ainda argumenta que, com a proximidade do verão as coisas pioram nas academia. “No verão, as pessoas que não treinaram o ano todo vem pra academia, final de novembro início de dezembro, e quer estar bem em janeiro. Então, se ela ficou em um ano sem treinar, teve um ano para aumentar peso, ganhar resistência física, aí quer fazer tudo isso em um mês.”

Uma doença considerada nova, a vigorexia até então era caracterizada pelos excessos na busca para ganhar músculos e ficar forte. Considerada uma doença masculina, vigoréxicos eram aqueles homens enormes, com músculos no corpo todo, que treinavam compulsivamente e ainda assim, se achavam fracos. Com a evolução dos exercícios físicos e da compulsão pela academia, a doença atingiu também mulheres e tomou maior proporção. Passou então a caracterizar o comportamento de pessoas que dedicam a maior parte do tempo para fazer exercícios físicos, de modo que se torna tão urgente na rotina de alguém, que a pessoa é capaz de deixar qualquer coisa para uma aula na  academia ou um levantamento de peso. Podemos comparar a vigorexia como um comportamento de um dependente de drogas ou álcool. Vigoréxicos passou a serem pessoas que fazem aula de b ody jump, body combat, spinning, musculação e por fim, uma horinha na esteira. Não necessariamente nessa ordem e nem só envolvendo estes exercícios, mas  este tipo de comportamento já é considerado compulsório e doentio. Não existe regra de quantas horas a pessoa deva fazer de atividade física por dia, mas o recomendado é que não ultrapasse duas horas.

A causa:

Cientistas descobriram que a vigorexia possui várias causas. Uma delas pode inclusive ser fisiológica. Com o excesso das atividades físicas, o corpo em resposta aos exercícios passa a liberar endorfina, hormônio que causa sensação de prazer e bem-estar.
Sem se dar conta, a pessoa vai ficando cada vez mais viciada em exercícios físicos justamente pela sensação gostosa que o hormônio proporciona. Outra possível causa é a obsessão pela busca do corpo perfeito ou inclusive, pelo complexo de ‘feiura’ que atinge milhares, devido ao alto padrão de beleza estabelecido. Qualquer quilinho à mais representa um ciclo exagerado de exercícios que não dá descanso ao corpo. Assim, mesmo após um longo trein o de exercícios a pessoa não acredita que foi o suficiente, acha que sempre precisa de mais. Esta causa é considerada bastante grave.
O vício por exercícios físicos sempre vem acompanhado de outras causas, como por exemplo: depressão e ansiedade, medos infundados, tiques e comportamentos repetitivos, narcisismos e etc.

Na grande maioria das vezes, viciados em exercícios físicos são extremamente ansiosos e vêem na prática um modo de aliviar tensões e medos. Acreditam que “crescer” os músculos ou emagrecer pode ser a solução de todos os problemas que os vigoréxicos sofrem. Entretanto, não é. O excesso de exercícios físicos agravam cada vez mais a ansiedade e a compulsão pelo corpo perfeito.

Como identificar o exagero?

Os sinais físicos de mais fácil percepção quando uma pessoa é compulsiva por exercícios físicos são fáceis de serem percebidos: pele seca, baixa autoestima, tendência á auto-medicação, queda de cabelos e falta de proteínas, tornando os cabelos opacos e as unhas quebradiças. Também é fácil de perceber no comportamento das pessoas, uma vez que a compulsão invade a vida da pessoa de tal maneira, deixando- a ansiosa e nervosa na maior parte do tempo, e assim atrapalhando-a no sentido profissional, familiar e principalmente social. Como já dito anteriormente, qualquer coisa é deixada de lado para poder ter mais tempo para o exercício físico.
Um dos mais graves problemas que a vigorexia pode causar é a distorção da imagem corporal, que é enxergar-se diferentemente daquilo que é na realidade. Esse é o principal fator que faz com que alguém dê início à bulimia (hábito de vomitar o que se ingere pela preocupação excessiva em engordar) ou à anorexia (quando a pessoa não come mais e toma remédios, como laxantes, para perder peso).

Não tão saudável assim

Geralmente, a maioria das pessoas que praticam atividades físicas com compulsão acabam ingerindo substâncias para garantir o pique na hora das atividades, reduzem a quantidade de alimentos para manterem se forma ou acabam tomando algum tipo de suplemento para aumentarem a massa muscular. E se não tomadas de forma correta e com acompanhamento nutricional, essas substâncias podem fazer efeito contrário e prejudicar a saúde.
O excesso de exercícios prejudica as articulações, o aparelho respiratório e inclusive o coração, que fica desgastado e com sobrecarga. O corpo também sofre estresse e fica cansado. Mas isso não é empecilho para o vigoréxico retornar à academia no dia seguinte.

Regisdiz que “o ‘overtraining’, o excesso de treinamento, faz mal porque a musculatura tem um período de recuperação para que ela responda aos estímulos da atividade física”. A pessoa que frequenta a academia diariamente e faz mais de 2 horas de treino pesado, não esta respeitando o limite natural do seu corpo. Desta forma, são comuns às lesões por exercício repetitivo (LER) e as lesões em cartilagens e ligamentos.  Mesmo com lesões causadas pelos exercícios, os vigoréxicos  insistem em treinar na mesma quantidade de exercícios.

A ‘cura’:

            Como a vigorexia ainda não é  vista como uma doença, o tratamento é o mesmo que de outras doenças dismórficas, como a anorexia. A pessoa com tal doença é encaminhada ao um psicólogo e a um médico que cuidará para que a sua alimentação esteja de acordo com o seu treino. Além disso, é indispensável o acompanhamento de um profissional na área de educação física. Aos vigoréxicos que usam de anabolizantes, a recomendação é que o consumo seja interrompido imediatamente, antes que maiores danos sejam causados ao corpo.

Exercícios físicos fazem muito bem ao corpo e à mente. Combinados com uma alimentação saudável podem proporcionar bem-estar físico e psicológico. Mas não podem ser a única fonte de bem-estar. Se houver exagero é preciso procurar ajuda em médicos, nutricionistas e personal trainers.

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