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Por Amanda Brandão Lima

Os famosos “flanelinhas” são conhecidos como figuras populares que frequentam as ruas da cidade com a função de “cuidar” dos carros ali estacionados e em troca, normalmente, as pessoas lhes dão alguns trocados. Não é um profissional regulamentado, mas se utiliza da coação para conseguir qualquer tipo de remuneração.

No Brasil a profissão é aceita legalmente apenas na cidade de Belo Horizonte e Brasília, mas atualmente, é exercida em praticamente todo o país. Porém, boa parte da população discorda com a atuação dos flanelinhas por julgarem que eles tomam conta das ruas, quase obrigando os donos dos carros a pagarem pelo serviço, que muitas vezes não é executado. Essa parte descontente da população diz que esses “profissionais” não merecem ser remunerados por não olharem o seu carro e ainda danificarem caso não recebam nada em troca pelo serviço prestado. O caso de Luís Thomaz, 34 anos, foi mais além. Ao parar seu carro na Avenida Pacaembu para ir ao jogo do Palmeiras, um flanelinha o abordou e avisou que deveria lhe pagar oitenta reais pela vaga na rua. “Eu não ia pagar esse valor para deixar meu carro sem segurança alguma na rua, resolvi sair educadamente da vaga e foi então que o flanelinha deu uma paulada no meu vidro de trás, trincando-o. Fiquei nervoso na hora, mas resolvi ir embora mesmo assim para não arranjar confusão, acho um absurdo eles se revoltarem por não pagarmos algo que é de direito nosso”. Felizmente, esse caso acabou bem, porém, na maioria das vezes, situações assim geram violência, e esse é um dos incomodo dos habitantes da cidade perante os “guardadores de carros”, por não poderem parar na rua que é pública de graça.

Entretanto, há o outro lado da moeda, aquele que encontra-se o trabalhador que está ali somente com a finalidade de ir atrás de seu dinheiro justo. Flanelinha por mais de 10 anos no bairro do Morumbi, José Alves Sousa diz que o ponto é um dos melhores, principalmente de final de semana. “Temos muitos shows e jogos de futebol aqui, o que torna a área sempre muito movimentada. Levo muito a sério o que faço, considero como profissão, mas claro, sei da fama que nós carregamos e não tiro razão conheço muita gente malandra.” Quando perguntado sobre dinheiro, José responde que em dias de semana, costuma faturar em média 150 reais, mas além de depender da boa vontade do cliente, essa profissão depende muito também do movimento diário das ruas. “Bom mesmo é no final de semana. Fico o dia inteiro na rua e às vezes consigo até levar 250 reais para casa em uma noite. A família agradece, claro”, completa dando risada.
De acordo com a Lei Brasileira (2953/04 que visa à criminalização destas atividades inserindo o artigo 160-A no CP até as legislações municipais e estaduais que tentam regulamentar), atuar como flanelinha pode constituir uma contravenção e até mesmo crime, onde se associa essa prática como uma forma de extorsão, formação de quadrilha e até mesmo loteamento do espaço público.

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“Não gosto do serviço dos flanelinhas, apenas buscam dinheiro fácil, não vejo nenhuma segurança em deixar o carro na rua com um deles, o risco de ser roubado será exatamente o mesmo e estarei pagando por um serviço praticamente inútil”, diz Carla Quaglio, moradora do bairro do Pacaembu a 18 anos. Já para Paulo Fonseca, morador da Vila Leopoldina, os flanelinhas não prejudicam em nada. “Assim como tudo na vida, existe o lado bom e ruim, nunca destrataram meu carro quando precisei utilizar o serviço. Não pago 20 reais por um estacionamento, e quem me garante que não serei roubado?”, complementa.
Este com certeza é um assunto muito debatido entre a população e com opiniões distintas. Não seria justo generalizar e considerar todos os flanelinhas iguais, mas também não se pode esquecer aquelas situações extremas que alguns passam diariamente nas cidades que formam algumas opiniões distorcidas da realidade, infelizmente. Também, é um ponto que deve ser legalizado ou banido  pela prefeitura de São Paulo, legalizando essa situação, para que a população saiba como deverá agir nas próximas situações em forem abordados. Alguns consideram trabalho, outros apenas uma forma de conseguir dinheiro fácil, praticamente te forçando a aceitar pelo serviço. Mas, na realidade, tudo isso faz parte de um molde atual da sociedade, com suas mudanças, avanços e contradições.

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