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Por Carolina Veneroso

Em meados do século XIX, São Paulo era uma pequena cidade com pouco mais de 20 mil habitantes e não era, territorialmente, nada mais do que o primitivo “triângulo” do século XVI (Ruas São Bento, XV de Novembro e Direita). Os grandes edifícios eram todos religiosos (igrejas e mosteiros) e só um exemplo para comprovar isto, até a academia de direito, que era uma das maiores construções da época, tinha instalada dentro de si um convento franciscano. São Paulo só sobrevivia devido a sua localização estratégica, uma vez que era passagem obrigatória do interior com o porto de Santos, e na época, o café era a economia dominantes do país. O café, quando chegou no Brasil se desenvolveu no Rio de Janeiro, mas devido ao terreno colinoso do Vale do Paraíba, ele acabou vindo para o interior de São Paulo, que além de ter o terreno menos acidentado (Cuesta), a terra era fértil, pois foi originada de erupções vulcânicas. É a famosa terra Roxa.A plantação foi se alastrando pelo interior, porém o escoamento do produto era muito difícil, já que as ferrovias só chegavam até São Paulo e depois elas desciam os declive de 700 metros até Santos no lombo de burros.

A cidade crescia muito, e isto se agravou muito quando em 1859, o Barão de Mauá convenceu o governo imperial de que era importante construir uma ferrovia que ligava São Paulo a Santos. Esta descida era considerada implacável, então ele chamou um especialista no assunto, o engenheiro ferroviário britânico James Brunlees. Brunlees avaliou o projeto viável e chamou Daniel Makinson Fox que já tinha experiencia em ferrovias em montanhas. Este montou um protótipo que foi aprovado e foi criado uma nova empresa, a São Paulo Railway Company – S.P.R.. Em 1867 ela foi inagurada e devido ao grande fluxo de café que ela levava, em 1895 foi construido uma nova estrada de ferro paralela a antiga, e esta era mais tecnológica. Agora com o melhor transporte, e o crescimento e desenvolvimento do café, a cidade de São Paulo crescia muito. Em 1872, por exemplo, o governador provincial de João Teodoro Xavier promoveu diversas melhorias de serviços urbanos: iluminação a gás (feito por capitalistas ingleses que deram origem a São Paulo Gás Company), serviços de esgoto, abastecimento de água (CIA Cantareira), exploração de serviço de bondes com tração animal além de diversas obras de arruamento e arborização de praças. Com o crescimento da cidade, a criação de bairros operários junto das industrias, era demandado mais energia, e em 1901, a Light constrói a primeira usina de São Paulo, a Hidrelétrica de Santana do Parnaíba, no rio Tiete a 33 km da cidade.

Porém existia um problema, no inverno não tinha chuva, e a produção de energia baixava, então para isso foi criada a represa de Guarapiranga, que controlava a produção no inverno, e além disso, alimentava a cidade. A cidade continuava crescendo e em 1925 foi construída uma outra usina em Pirapora do Bom Jesus, em uma queda do rio Tiete, seguida por outra em Salto Grande. Porém, todas estas quedas do rio que geravam a energia eram pequenas, então, um engenheiro inglês Billings viu a possibilidade de se aproveitar a queda de São Paulo até Santos, de 720 metros que geraria muito mais energia. Para isso, eles fazem a represa Billings (em homenagem ao engenheiro) que mandaria água para a Usina Henry Borden que produzia 10 vezes mais que as outras usinas. Mas surge um problema disso, que era o abastecimento da represa, então eles revertem o curso do rio Pinheiros de maneira que ele abastecesse a represa.

Para reverter o curso, é criado uma barragem, a do Retiro que fazia com que a água do rio Tiete fosse jogada no rio Pinheiros empurrando-a. Além da barragem, o rio foi retificado para que a água fluísse melhor.

Também foram feitas duas usinas elevatórias, a de Traição que eleva a água 5 metros através da utilização de turbinas em uma antiga queda do rio, chamada de Pedra Negra. Além desta usina, foi criada a de Pedreira que elevava a água 25 metros diretamente para a represa.

A Light agora influía muito em São Paulo. Ela influía tanto que foi apelidada de o polvo, já que controlava a eletricidade e o transporte com um contrato de 99 anos. Então, a empresa que já tinha retificado o rio, faz um acordo com o governo de que não teria poder sobre o rio, mas sobre a várzea. O contrato dizia que as áreas das cheias (máxima) seriam da Light, então, em 1929 a empresa cria esta cheia máxima fechando a barragem de Santana do Parnaíba e abrindo as comportas do rio Tiete inundando grande parte da várzea. Assim ela ganhou a posse dos terrenos até o Largo da Batata, os quais loteou de diversas maneiras. Podemos ver estes exemplos de áreas enormes nas várzeas do rio, como a USP, o CEAGESP, o Villa Lobos e o Jóquei Club.

Porém, surgiu um último e grande problema, que era o esgoto de uma cidade que cresceu muito. Não tinha para onde mandar o esgoto, então este passou a ser jogado nos rios poluindo-os muito.

O rio Pinheiros ficou tão poluído, que em 1992 foi criado uma lei que proibia que a água dele fosse para a represa Billings, que além de reservatório para mandar a água para a Usina, também era a maior abastecedora da cidade de São Paulo.

Maria Helena, 67 moradora do bairro de Pinheiros, próximo ao Jóquei conta que já acostumou com o cheiro do rio, mas que ele vem piorando muito. “Em dias que faz muito calor, o cheiro é insuportável, tenho que sair de casa, imagino que isso deva provocar doenças”, diz.

Hoje em dia, o Rio Pinheiros não tem nascente, pois foi represada (Guarapiranga) e nem fim, pois está proibido de mandar água para a Billings. Ele tem 290 afluentes de esgoto de fábricas e é também esgoto de 490 mil moradias.

 

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