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Por Rosa Donnangelo

 A liberdade de expressão é um dos pontos mais discutidos quando o assunto é Jornalismo. A ética, porém, é muitas vezes esquecida. A liberdade que se tem hoje de escrever, falar e publicar deveria ser coerente e estimuladora da ética e do compromisso com a sociedade dentro do Jornalismo. Não foi o que aconteceu quando matérias desprovidas de qualquer fato verídico “mataram” Fidel Castro, de uma hora para outra. Em algumas das reportagens, o ex-presidente estaria agonizando.

O médico venezuelano José Rafael Marquina contou ao ABC da Espanha que Fidel Castro havia sofrido uma embolia em massa na artéria cerebral direita e não resistiria muito tempo. A notícia sobre o estado precário de saúde do ex-presidente não demorou muito a se espalhar nas redes sociais e cada vez mais ganhou espaço e novos fatos. Em alguns veículos, Fidel estava em coma, em outros os problemas neurológicos eram destaque. Este tipo de jornalismo se faz, atualmente, muito presente.

A busca incansável pelo “furo” jornalístico, a notícia em primeira mão, era algo saudável em épocas passadas no jornalismo. Hoje, com a lógica do lucro e da venda de jornais, repórteres e jornalistas ultrapassam as barreiras da ética e do jornalismo de qualidade, não apuram os fatos e simplesmente publicam sem checar as informações que lhes foram dadas. É essa a liberdade de imprensa e de expressão que cerceiam a profissão de jornalista. Hoje, a questão da ética e do compromisso com o que se fala e publica está em segundo plano. O que há por trás da notícia deve ter embasamento e foi o que não ocorreu com as matérias sobre a possível morte de Fidel Castro.

A resposta do líder cubano às notícias foi quase que imediata. Dia 22 de outubro de 2012, Fidel publicou no Granma, jornal oficial do Partido Comunista, um texto de nome “Fidel Castro está agonizando” desmentindo tudo o que foi falado a respeito de sua saúde. Na publicação colocou fotos em que aparece em pé, ao ar livre e com o exemplar publicado no dia 19 do jornal Granma em mãos. Encerrou a publicação com a seguinte frase: “Aves de mau agouro! Não recordo, sequer, o que é uma dor de cabeça. Como constância de quão mentirosos são, lhes deixo de presente as fotos que acompanham este artigo.” As fotos foram tiradas por Alex Castro, filho de Fidel.

Fidel Castro, aos 86 anos, comprova que não está agonizando. Foto de Alex Castro.

Com o jornal Granma do dia 19 de outubro em mãos, Fidel Castro desmente as notícias de sua morte. Foto: Alex Castro

Com aparência saudável, ex-presidente desmente problemas neurológicos, coma e estado agonizante em que se encontrava de acordo com notícias publicadas em alguns veículos de comunicação. Foto: Alex Castro

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