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Por Fernanda Cerri

O hemisfério norte foi tomado pela primavera “boreal” de revoltas nesses últimos dois anos. Primeiramente, a Primavera Árabe, que acabou com regimes ditatoriais violentos no Oriente Médio, e hoje luta pela constituição de formas mais democráticas de governo. A estação do ano, conhecida pelo reflorescimento da flora e fauna, dá nome a mais uma revolução: Primavera Mexicana.

O movimento começou no dia 1 de maio desse ano, quando estudantes se pronunciaram contra o atual presidente, então candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto. O candidato, que participava de uma palestra para a Universidade Iberoamericana, foi questionado por um estudante sobre os acontecimentos de San Salvador Atenco em 2006, quando dois jovens foram mortos e 45 mulheres camponesas presas e violentadas pela polícia, porque haviam feito um protesto contra a construção de um aeroporto.

Peña Nieto, que era o favorito para assumir a presidência, defendeu o ato da polícia e não pediu desculpas, já que ele era governador do Estado na época. (site que fala sobre os conflitos da cidade mexicana, envolvendo Peña Nieto http://www.adnpolitico.com/opinion/2012/05/13/6-anos-del-dia-mas-negro-de-atenco-al-dia-mas-negro-de-pena).

Os estudantes se revoltaram contra essa atitude do candidato do PRI e após a divulgação do wikileaks, na qual ele aparece tendo pagado pela colaboração das redes de televisão Televisa e Azteca, que detem quase toda a audiência mexicana da televisão aberta, o movimento surgiu. O #yosoy132 (eu sou 132) foi dito pelo candidato como ilegítimo e ligado ao partido de oposição, PRD (Partido da Revolução Democrática). Além disso, Peña Nieto alegava que os manifestantes não eram realmente estudantes, o que foi desmentindo por um vídeo que os jovens fizeram mostrando suas identificações universitárias.

Assim como a Primavera Árabe, as redes sociais tiveram um papel decisivo para que o pais conhecesse o #yosoy132 e aderisse às manifestações que se acumulavam nas ruas e praças. O movimento, que possui um site (http://yosoy132.mx/), divulgou um vídeo que relata o motivo pela luta dos jovens. O vídeo alega que os países estão passando por uma crise: a violência exacerbada, a miséria, falta de justiça, a desigualdade e o acesso limitado da educação; são todos esses apontados pelos estudantes.

Uma realidade longe de ser exclusiva do México. A falta de democracia que a população vive está longe de ser ouvida pela elite que domina o país, podendo ser comparada em menor escala a crise que a Pontifica Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) vive hoje. Os estudantes demandam no vídeo que os meios de comunicação sejam através dos debates eleitorais mais transparentes, competentes para mostrar a verdadeira realidade mexicana e que permitam o acesso à informação.

Os jovens buscam a liberdade de expressão como forma de garantir a cidadania, o que não aconteceu em Alenco quando o candidato Peña Nieto apoiou a repressão policial. O vídeo termina com o apoio a todos aqueles que foram silenciados pelo governo corrupto do país.

Vídeo:http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=oVvju2E3qcc#!

Na semana seguinte a nomeação de Enrique Peña Nieto em julho, o movimento #yosoy132 realizou um encontro nacional dos estudantes contra o neoliberalismo presente na maioria dos países do mundo. O documento produzido pelo encontro rejeita o modelo econômico, que esquece da maioria dos cidadãos, pobres, negros, homosexuais. Mais de 25 universidades foram representadas no encontro.

As discussões envolveram a democratização dos meios de informação, segurança nacional, construção de órgãos de poder constituídos pelos cidadãos como assembléias locais e a política de saúde. Os debates que ocorreram giraram em torno da candidatura autoritária e arbitrária, que deve ser mudada para que se atinja a democracia.

la joranda

O jornal mexicano “La Jornada” defende a luta social do movimento contra o neoliberalismo. “Por el bien del país y de su población, cabe esperar que el movimiento estudiantil y juvenil surgido en la llamada primavera mexicana sepa mantenerse unido, coherente, plural, democrático, eficaz y creativo, como lo ha sido hasta ahora.” completa o editorial em sua defesa. (Tradução: Pelo bem do país e de sua população, cabe esperar que o movimento estudantil e juvenil surgido na chamada primavera mexicana saiba manter-se unido, coerente, plural, democrático, eficaz e criativo, como tem sido até agora.)

Os dirigentes do #yosoy132 definem o movimento estudantil como uma luta, “em que os jovens florescem e espalham suas idéias como pólen, no qual os corações se incendeiam, as mentes se abrem, e se fazem tangíveis às ilusões.” O papel da juventude é lutar contra os regimes antidemocráticos e desiguais que ainda assombram o mundo hoje, para garantir um futuro melhor.

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