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Thaís Folgosi

O Urbanismo tem diversas definições, mas se trata, essencialmente, de uma planificação urbana. Por afetar o cotidiano de todos, ele busca entender as necessidades da sociedade de um determinado lugar. Projetos urbanos podem melhorar a vida dos moradores de uma cidade. Além disso, o planejamento urbanístico, hoje, deve ser uma das principais diretrizes de qualquer político. Os projetos de revitalização de áreas, ocupação do espaço público e reurbanização, por exemplo, são importantes para qualquer município.

São Paulo é uma cidade com desigualdades sociais evidentes, os condomínios fechados, com segurança física e eletrônica é um claro exemplo de tal problema, além da falta de saneamento básico em bairros periféricos, a ineficiência do transporte público que não alcança todos as regiões, o inexpressivo número de parques, etc. Portanto, neste caso, a Arquitetura e o Urbanismo têm uma importância vital, já que se utilizando de ambos é possível tornar a construção e o desenvolvimento de determinado ambiente mais equilibrado.

O planejamento urbanístico de Haddad

O prefeito eleito Fernando Haddad (PT)

A capital paulista, por ser uma metrópole de proporções gigantescas e que abriga mais de 11 milhões de habitantes, deve tirar o sono de qualquer prefeito, sobretudo por conta do crescimento desordenado e fluxos demográficos de seus habitantes. O planejamento urbano do prefeito eleito Fernando Haddad recebeu o nome de “Arco do Futuro” e tem como objetivo reorganizar a ocupação da capital, de forma que empresas se desloquem para regiões periféricas, para que haja uma descentralização nas regiões da Faria Lima, Paulista e Berrini. No projeto a Avenida Cupecê (zona sul), as marginais Pinheiros e do Tietê e a Avenida Jacu Pêssego (zona leste), e a fronteira com as cidades da região metropolitana serão os novos eixos de moradia e trabalho, e incluirá corredores de ônibus, piscinões, avenidas etc. Ademais, durante o período de campanha eleitoral, e apesar de todos os candidatos terem visitado os bairros Santa Efigênia e Luz, somente Haddad incluiu em seu plano de governo a revisão do projeto Nova Luz.. Os moradores da região são contra o modo de resolver o problema do tráfico e consumo de drogas da Cracolândia (localizada no bairro), parte do projeto de renovação urbana da área do centro de São Paulo.

Para a professora de História do Urbanismo, da faculdade Belas Artes, Maria Lúcia Rangel, o ex-prefeito Prestes Maia foi bom na questão urbanística de São Paulo, “em seu primeiro mandato, fez o primeiro planejamento urbano da cidade, o plano de avenidas de Prestes Maia que sofreu uma série de críticas, mas que dependemos dele até hoje. São Paulo é uma cidade que só funciona graças às suas avenidas. Embora, em parte o plano de Prestes Maias tenha sido modificado porque foram construídas as avenidas em fundo de vale (obras de Maluf) e com isso há sempre problemas de alagamento ou de inundações”.

Apesar dos elogios da professora a Prestes Maia, o candidado eleito, também quer romper com o modelo do ex-prefeito, pois devido a ele, São Paulo se dividiu entre cidade-dormitório e área de trabalho. “O projeto promove a descentralização do desenvolvimento da cidade de maneira a levar esperança para a população do extremo sul e leste de forma que eles terão uma cidade ao seu alcance”, disse Haddad na apresentação de seu programa de governo, em agosto passado.

A escolha foi feita, mas ainda é cedo para afirmar que as propostas de Haddad serão cumpridas, ou se haverá empecilhos/atrasos na execução do programa. “Não é uma questão de quem é o prefeito, e sim, da equipe que trabalha com ele, ninguém faz nada sozinho”, diz Maria Lúcia. Enfim, é imprescindível analisar as propostas, pois aquelas que se prezam devem, no mínimo, apresentar soluções inovadoras e exequíveis na questão do planejamento urbanístico, ainda mais quando se trata de uma cidade global.

 A formação de urbanistas

A cidade também requer cada vez mais arquitetos que pensem na sociedade ao arquitetarem edificações e outros projetos. Quer dizer, é imprescindível que se formem profissionais à altura das demandas e problemas da população.

Fachada da Faculdade Belas Artes de São Paulo

Uma das principais escolas de Arquitetura e Urbanismo da América Latina, a faculdade Belas Artes, localizada na Vila Mariana, forma todos os anos turmas de arquitetos e urbanistas. Segundo a aluna do 4º semestre do curso, Giovana Tavares, 19, “desde o início sempre foi colocado nas aulas à preocupação com a urbanização. Somos constantemente avaliados em relação à observação do espaço e do meio” e completa Maria Lúcia, “na Belas Artes, nos quatro primeiros semestres, os alunos aprendem projetos de edificação conectados ao Urbanismo”.

Os professores também desempenham função importante ao incentivar os alunos a se aprofundarem na área, “eles se preocupam em nos direcionar para um bom planejamento da área estudada tendo como foco não só o projeto de arquitetura e sim estudos preliminares do lugar. Conhecendo não só a história do local, mas também o modo que ocorreu sua urbanização e como podemos intervir nela” diz Giovana.

A FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da Universidade de São Paulo também se encontra entre uma das instituições mais antigas e reconhecidas na área. Sua grade curricular se mostra preocupada com a formação acadêmica dos alunos no quesito Urbanismo, pois nas principais diretrizes de ensino (História e Estética, e Projeto) estão presentes matérias que tratam do tema, como por exemplo, “Fundamentos Sociais da Arquitetura e Urbanismo” e “Desenho Urbano e Projeto dos Espaços da Cidade”.

Embora, o que se vê é uma perda de interesse, por parte dos alunos, pelas disciplinas relacionadas ao tema. Maria Lúcia até nota que “no momento há menos trabalhos de conclusão de curso em Urbanismo do que em edificação”. Isso prejudica o mercado que inevitavelmente precisa de urbanistas, a consequência de tal demanda não poderia ser positiva. Para Giovana, “a falta de urbanistas qualificados faz com que, muitas vezes, haja necessidade de chamar profissionais do exterior”, o que gera outro problema, desta vez, na área do trabalho. “Existe um escritório, nos Estados Unidos, chamado Project Public Spaces, que têm projetos no mundo inteiro, pela sua qualidade. Eles vão ao lugar, veem as carências daquela população e projetam para eles especificamente”, acrescenta a professora Maria Lúcia.

Projeto de alunos da Belas Artes: “Parque linear na Av. 23 de Maio”

Não se deve tratar a Arquitetura e o Urbanismo, isoladamente, tampouco é certo apenas pensar na primeira. O Urbanismo traz a consciência social da Arquitetura, em busca de melhorar e facilitar o cotidiano da população, trazendo praticidade, segurança, conforto, harmonia visual etc. A aluna Giovana conclui que “o arquiteto não pode projetar apenas e sim fazer o diferencial, com projetos de interesse social”. Por isso, é necessário que as faculdades de tais disciplinas incentivem e sigam conscientizando os futuros arquitetos da importância de se formarem urbanistas também.

Um pensamento em “SP: caos e planejamento

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