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Por Juliana Bittencourt e João Monteiro

A televisão está na sala, no quarto e muitas vezes, até na cozinha, deixando que a criança entre em contato com o mundo midiático em todos os momentos do seu dia: na hora do almoço, à tarde e na hora de dormir. Um estudo feito pela Unesco prova que o tempo que as crianças gastam assistindo a televisão é 50% maior que o tempo dedicado a outras atividades como fazer a lição de casa, conversar com a família, brincar, ler etc.

A criança, hoje em dia, tem crescido muito mais rápido do que deveria. Hoje é comum ver meninas pequenas vestidas como adultos, com salto alto e maquiagem, mostrando um padrão de erotização inapropriado para a idade delas. A mídia estimula esse crescimento precipitado de crianças pequenas que ainda deveriam estar vivendo seus sonhos da infância.

A Barbie é uma boneca que continua viva na história da criança, desde que foi lançada pela Mattel em 1959. Ela foi criada por um casal que viu sua filha brincar com bonecas bebês até a pré adolescência, então a mãe teve a ideia de criar uma boneca adolescente. Uma curiosidade é que a Boneca Barbie teve o seu primeiro lote baseado em uma boneca erótica alemã, tanto que a Mattel teve que pagar uma indenização por vender esses produtos à crianças.

Essa boneca possui influencia sobre a estética mundial. Quando alguém está vestido de rosa e é loira, chamamos de Barbie, criando um padrão de beleza e comportamental. Ela sempre busca simbolizar uma mulher bonita, inteligente, amiga, companheira, meiga e correta. O grande problema é que antes as meninas queriam ser as mães das bonecas e não dá para ser mãe da Barbie. As meninas passaram a querer ser as Barbies, que possuem um padrão estético completamente deformado para os aspectos normais.

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Proporções reais de uma boneca Barbie.

As Barbies já foram lançadas portando todos os estereótipos existentes. Barbie mãe, Barbie Médica, Barbie de personagens de filmes, como Grease e O Mágico de Oz. E ela possui acessórios que são sempre cor de rosa – carros, casas, avião, entre outros.

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Barbie Mágico de Oz e Barbie Grease.

Patrícia Kaulfmann, artísta plástica, fez um ensaio fotográfico com a boneca Barbie nua. Uma mescla de luz e sombra mostrando cenas que simbolizam solidão, sensualidade e melancolia. A artista conta que fez o ensaio pois tornou-se fascinada por essa forma quase humana. Esse ensaio fez parte de uma mostra chamada “Sombra Negra”.

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Mariel Clayton é uma canadense que fotografa a Barbie em momentos cotidianos e vende suas obras em uma galeria na Suiça. Ela fez uma série de fotos chamada “Little Plastic Deaths” que simula as bonecas em papeis assassinos ou suicidas.

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Esse senso de erotização é também mostrado na mídia. Há meninas pequenas que querem parecer com a Barbie e, por isso, a indústria midiática faz cada vez mais produtos da boneca como roupas, sapatos e maquiagem, querendo que a criança se torne um protótipo vivo da boneca, não importa a sua classe social.

Essa erotização leva a um crescimento muito rápido que transforma meninas em mulheres num piscar de olhos. Elas querem crescer, ser as mais bonitas, terem os melhores namorados e ir às festas mais legais. Isso tudo com treze anos de idade, época em que deveriam estar preocupadas com assuntos infantis.

Em nossos círculos sociais é fácil encontrar meninas, ainda pequenas, que já demonstram alguns traços de adolescência precoce, como mais interesse por meninos do que por brinquedos, maior interesse em parecer bem em frente às outras crianças do que brincar de boneca.

Uma mulher que prefere não se identificar passou, há pouco tempo, por uma experiência um tanto quanto radical com a filha de treze anos.

Um dia, conversando com suas amigas, descobriu que a filha havia tirado diversas fotos em posições eróticas e totalmente nua e mandado para vários garotos. Em vista dessa situação, a mãe encontrou-se transtornada. Não entendeu o que deveria fazer para ajudar sua filha, não sabia se ela precisava ser ajudada. Não sabia se deveria conversar com seu marido, se ele entenderia toda aquela problemática. Talvez devesse colocar a filha em um psicólogo, quem sabe ela melhorasse. Mas melhorar do que?

Perdida em meio a questões, a mulher optou por conversar com a filha. Explicou a ela que isso não era certo e, de maneira nenhuma, deveria se mostrar daquela forma para conseguir algum namorado, até porque, o momento de se importar com a aparência e com relações ainda estava um pouco longe. A filha respondeu que queria que os garotos a chamassem de gostosa e bonita; queria que eles a quisessem como namorada e achou que aquela seria a única maneira. Mais uma vez, a mãe tentou explicar toda a função da infância e como tudo aquilo não era necessário. A filha não pareceu dar ouvidos, então a mulher achou melhor consultar ajuda de uma psicóloga que compreendesse o assunto.

Alguns pais tendem a criar seus filhos dentro da política do “tudo pode”, sendo liberais, e não estipulando nem regras e nem horários. As crianças devem entender que existe um tempo certo para tudo, inclusive para namorar, se maquiar e, em geral, crescer. A infância deve ser protegida, deve ser dado o seu devido tempo para que ela se desenvolva e amadureça para uma adolescência comum, que chegará para todos em algum momento, mas no momento certo.

A pedofilia é um assunto muito tratado e bem exposto na atualidade. Vira e mexe vemos casos de crianças abusadas em jornais e noticiários. Ela é uma tendência patológica que aborda a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente que é dirigida primariamente para crianças na fase da puberdade.

A Organização Mundial da Saúde categoriza a pedofilia como uma desordem mental e de personalidade do adulto. Relações sexuais entre crianças e adultos é crime em vários países, assim como divulgar pedofilia infantil ou fazer apologia a esse tipo de crime.

Suas causas não são conhecidas. Os estudiosos já fizeram diversas suposições como, por exemplo, o fato do indivíduo ter sofrido algum tipo de abuso na infância, entretanto, perceberam que não há uma relação casual porque nem todas as crianças que sofrem abusos se tornam infratores.

Recentes estudos feitos por meio da ressonância magnética na Universidade de Yale mostram diferenças significativas na atividade cerebral dos pedófilos. O Centro de Vício e Saúde Mental de Toronto demonstrou que a pedofilia pode ser causada por ligações imperfeitas no cérebro, tendo menos matéria branca, que é responsável por unir diversas partes do cérebro.

Um caso conhecido de pedofilia é o autor de Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll, que foi conhecido por manter amizade com várias garotinhas, tirando fotos, hoje consideradas sensuais demais para a idade; entretanto, Alice Liddell, filha de um amigo seu, fora a que mais chamou sua atenção e foi a inspiração principal para escrever o romance. Foram encontradas cartas endereçadas à garota e outras, onde ele explica “Gosto de crianças (exceto meninos)”.

A Edição da Vogue Paris de dezembro de 2010 possui um editorial de moda completo: com meninas, maquiagem, roupas incríveis, salto alto e jóias. Entretanto, possui um diferencial relevante: essas modelos são crianças de seis anos se portando como verdadeiras adultas.

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O colunista Justin Fenner, do Styleite.com, escreveu sua opinião sobre o ensaio fotográfico. “Em vez de meninas brincando de se vestir no closet da mãe, essas fotos mostram crianças crescendo rápido demais”.Imagem

Editorial Vogue

A boneca Barbie estabeleceu padrões e estereótipos em que a loira, de cabelo liso e magra é a imagem da mulher bonita, o que nos faz questionar se o ideal nazista realmente perdeu. Como se não fosse bastante, ainda

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