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Por Carolina Veneroso

“(...) ficar doente não é nada engraçado e, mesmo nessa condição, crianças não deixam de ser crianças. Todas elas continuam querendo brincar, levando uma vida normal”.  Doutores da Alegria.

A palavra palhaço provém da língua celta. Originalmente designa um fazendeiro, um camponês, visto pelas pessoas da cidade como um indivíduo desajeitado e engraçado. Muitas pessoas não sabem, mas palhaço é uma profissão, assim como médico, professor, advogado etc. No palhaço, aparecem diversas características humanas que ele pode mostrar trabalhando. Ele ri de seus próprios erros, o que torna seus erros engraçados, e ganha uma imagem de que errar é humano. Assim como o médico precisa de jalecos e o professor precisa de giz para trabalhar, o palhaço precisa de maquiagem, roupas coloridas, e o nariz vermelho, assim ele está pronto para exercer sua profissã. Mas, não é qualquer um que sai por aí fazendo palhaçada que pode ser considerado um palhaço. Na linguagem popular, pessoas que fazem coisas engraçadas são chamadas de palhaços, mas para o palhaço que tem isso como profissão é diferente. O nariz vermelho – que a maioria dos palhaços usa – representa os olhos, e os olhos, por sua vez, representam a alma do palhaço, por isso o nariz é tão importante. Sem ele é como se o palhaço não estivesse vestido, e não estivesse pronto para exercer sua profissão.

Antigamente, nos grandes circos, os palhaços eram pessoas mais velhas e mais habilidosas, normalmente músicos, poetas, bailarinos; era uma grande honra e responsabilidade. Hoje, encontramos palhaços em muitos lugares, nas ruas, em shoppings, na televisão, nos hospitais, no cinema, e não somente nos circos. Sempre há aquele que tem por linda missão fazer os outros rirem, e sempre haverá aqueles que precisam disso para se sentir melhor.

Hoje em dia existem cursos para se formar palhaços, mas segundo Marcos Montenegro, professor de artes cenicas, e integrante do grupo “Doutores Gota de Luz, esses cursos que ensinam a ser palhaços são uma fabrica de ganhar dinheiro, porque o palhaço já nasce palhaço, por isso que não precisa ser palhaço para poder trabalhar nos grupos atuantes em hospitais como Doutores da Alegria e Doutores Gota de Luz. O palhaço e a criança têm muita coisa em comum. Segundo o Professor de artes cênicas e integrante do grupo “Doutores Gota de Luz” Marcos Montenegro, o palhaço tem uma criança dentro de si, e, mais do que isso, todo mundo tem uma criança dentro de si, pois, mesmo depois de adultos, às vezes deixamos essa criança falar mais alto, cometendo atos infantis, de muita felicidade, damos pulos de alegria e muitos outros. Já o palhaço deixa essa criança que está dentro dele falar mais alto o tempo todo, afinal é disso que é feito o palhaço. A roupa e a maquiagem também fazem parte do palhaço, mas não adianta nada o palhaço estar todo fantasiado e agir como um adulto, sério, não sorrir. “quando você cresce e deixa de ser criança você só cresceu no tamanho. Haha. É claro que sempre vai existir um pouquinho de alma de criança dentro de você, se não ser adulto seria muito chato, ninguém ia agüentar. Essa afirmação pode ter virado senso comum com o tempo, mas é a mais pura verdade, já o palhaço tem o mesmo espírito que a criança, por isso os dois combinam tão bem.” Disse o palhaço Nando Bolognesi que trabalha em hospitais psiquiátricos com o projeto Fanáticos Frenéticos.

No entanto, não são só as crianças e os loucos que entendem e se identificam com os palhaços: adultos, jovem e velhos também, pois vêem no palhaço “defeitos” que todos nós também temos, os erros, trapalhadas, escorregões a ignorância e o ridículo.

O grupo Doutores Gota de Luz surgiu na cidade de Guararema (interior de são Paulo) através de um grupo teatral amador (Grupo de teatro Gotas de Luz), idealizado pela pedagoga Luciana Regina Zitei. Com objetivo assistencial, as peças infantis e esquetes eram apresentadas gratuitamente a crianças e a população moradora de bairros carentes do município. Em 2004 surgiu a ideia de formar um grupo de doutores palhaços, focando os princípios básicos da doação pessoal, inspirados em um sonho antigo de Zitei e tendo como referência o trabalho do dr. Patch Adams. Como base para aperfeiçoamento dos trabalhos, o grupo participou de oficinas com Marcio Ballas, dos Doutores da Alegria, e de palestras e workshop com o próprio Dr. Patch Adams, nos anos de 2006 e 2007.

O nome Doutores Gota de Luz surgiu da ideia de doar energia (luz) para as pessoas que estivessem em situação desconfortável. O grupo tem como missão levar alegria, amor e descontração a pessoas hospitalizadas, familiares acompanhantes e aos profissionais do hospital, bem como a crianças e famílias carentes de periferias e idosos internos em asilos, utilizando-se da artes dos doutores palhaços através da técnica do clown.

Atualmente, o grupo conta com seis integrantes e cinco participantes voluntários, entre eles estão advogados, médicos, estudantes de Letras e de Artes. O atendimento é feito a pessoas de todas as idades, desde os recém-nascidos até os idosos. É de costume o atendimento em todas as alas médicas, contudo é maior o índice de idosos e adultos acima de 40 anos, tanto nas UTIs quando nos quartos. Mulheres entre 26 e 32 anos também se tornam frequentes, devido a complicações relacionadas à gravidez. Até o momento, o grupo não conta com qualquer ajuda de custo, visando oportunidades para formalização, busca de patrocínio e ampliação dos atendimentos, que até o momento são realizados aos finais de semana no Hospital Santana.

Segundo Luciana Zitei, e energia boa é fundamental. Ao descrever o trabalho dos Doutores Gota de Luz, Zitei conta como passam a boa energia para os familiares ou acompanhantes dos pacientes . O trabalho deles no hospital segue um roteiro: atender UTI, internação (apartamentos) e as alas feminina e masculina, além da pediatria. Feito o trabalho com os pacientes, um pouco antes do horário das visitas eles descem para a recepção para animar também os visitantes a fim de prepará-los para a visita (normalmente esses estão com a auto-estima baixa e, se subirem para o quarto levando energia ruim, irão estragar todo o trabalho feito com os pacientes).  Assim, toda energia boa que os doutores palhaços passam, os visitantes levam para o quarto do paciente.

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