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Por Lucas Turco

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) completou no dia 2 de outubro, 65 anos de existência. Ao longo desse período, o museu de arte ocidental mais importante do hemisfério sul, trocou de sede, recebeu coleções históricas e passou a ser um dos ícones de São Paulo. Apesar de a cidade ser, na época, a grande capital financeira do país, muito por conta da circulação de dinheiro das indústrias e do café, São Paulo não contava com um grande número de museus voltados para a arte. A Pinacoteca do Estado se dedicava, quase que exclusivamente, à arte acadêmica, assim como a Escola de Belas Artes. Além disso, existiam poucas galerias voltadas às tendências modernas. Então, Assis Chateaubriand decidiu fundar o MASP, um museu elaborado para suprir exatamente essa carência. Chateaubriand era empresário, jornalista e um dos homens mais influentes do país entre as décadas de 1940 e 1960. Chatô, como era apelidado, era dono dos Diários Associados, maior conglomerado de mídia da América Latina na época.

P. M. Bardi e Assis Chateaubriand na inauguração do MASP, em 1947
Acervo do Estado de S. Paulo 3/10/1947

Mas, apesar de todo poder, Chateaubriand era um leigo em arte. Para dar prosseguimento ao projeto, Pietro Maria Bardi, jornalista e crítico de arte italiano, foi convidado para ajudá-lo na empreitada. Era uma parceria em que Chateaubriand usava seu prestígio entre os grandes empresários para arrecadar os recursos para a aquisição das obras, e P. M. Bardi entrava com a experiência no assunto para escolher as melhores produções. Os primeiros exemplares do museu foram selecionados pessoalmente por Bardi em suas viagens com Chateaubriand às capitais culturais da Europa.

Em 1947, o MASP foi fundado, em local provisório, na Rua 7 de Abril, em quatro andares do prédio dos Diários Associados, império de Chateaubriand formado por 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 canais de televisão, editora e a revista “O Cruzeiro”. A cerimônia de abertura contou com a presença de figuras do cenário artístico e político como Menotti Del Picchia e Eurico Gaspar Dutra, presidente do Brasil na época.

“A meu ver, a maior importância do MASP para a sociedade brasileira não é apenas a reunião de obras de artes, mas o processo de apresentação de uma cultura global e para a sociedade brasileira”, avaliou Eduardo Nogueira, professor de história do Colégio Emilie de Villeneuve. No fim da década de 1950, o aumento do volume do acervo e a ampliação das atividades didáticas do museu fizeram com que Bardi procurasse um espaço mais amplo e adequado para se tornar a nova sede do MASP. Na Avenida Paulista, havia um terreno que antes era ocupado pelo Belvedere Trianon, ponto de encontro da elite paulistana, que foi demolido em 1951 para dar lugar a um pavilhão. O terreno foi doado por Joaquim Eugênio de Lima à prefeitura, com a condição de que a vista para o centro da cidade e para a Serra da Cantareira fosse preservada por meio do vale da Avenida 9 de Julho.

Lina Bo Bardi, que era casada com Pietro Maria Bardi, foi a responsável pela realização do projeto arquitetônico da atual sede do MASP. Para manter a condição exigida pelo doador do terreno, a arquiteta elaborou a construção de um prédio sobre um vão livre de 74 metros (considerado o maior do mundo na época), suspenso oito metros do chão e sustentado por quatro pilares. O engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz foi escolhido para colocar o projeto em prática. A moderna e ousada construção, que teve início em 1958, levou dez anos para ser finalizada.

Início da construção da nova sede do MASP na Avenida Paulista (Acervo MASP)

Assis Chateaubriand não pode ver a inauguração do novo prédio do MASP, o jornalista faleceu alguns meses antes, em 4 de abril de 1968, vítima de uma trombose. No dia 8 de novembro de 1968, a nova sede do museu, que virou um cartão postal de São Paulo, foi inaugurada com 11 mil metros quadrados divididos em cinco pavimentos. A coleção já era respeitada em diversos países pelos quais passou durante os anos em que o edifício estava em construção, como França, Itália e Japão. A cerimônia de abertura contou com a presença do Príncipe Filipe e da Rainha inglesa Elizabeth II, que realizou o discurso de inauguração, além das maiores autoridades brasileiras da época e uma grande participação popular em frente ao prédio. A exposição de abertura, coordenada por Lina Bo Bardi e batizada de “A mão do povo brasileiro”, era dedicada à cultura popular do Brasil.

Desde então, o MASP proporciona ao público brasileiro centenas de exposições dos mais variados artistas. O intercâmbio de obras com outros diversos museus do mundo e o patrocínio de empresas parceiras também são determinantes para a realização de grandes exposições internacionais. O acervo conta atualmente com cerca de oito mil peças. Entre as pinturas destaque para obras de Picasso, Van Gogh, Monet e Cândido Portinari. Na área das esculturas chamam a atenção os mármores da deusa grega Higéia do século IV a. C, as 73 esculturas de Degas e os bronzes de Rodin. Também fazem parte da coleção gravuras, fotografias, desenhos e arqueologia.

“Nós costumamos nos lembrar do MASP apenas na época de exposições, mas esquecemos de que o museu possui um acervo fixo e que a visita para esse patrimônio permanente cobra apenas um valor simbólico. Isso permite com que possamos conhecer outras formas de culturas e enxergarmos até mesmo as influências artísticas que o Brasil e a arte do país apresentou ao longo de sua formação”, comentou Eduardo Nogueira. Alguns artistas consagrados já tiveram suas obras expostas no MASP, entre eles: Aleijadinho, Anita Malfatti, Gregori Warchavchik, Hercules Florence, David Hockney, Monet, Michelangelo, Caravaggio, Botero, Dalí e Gaudí.

O acervo do museu foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1969. O prédio do MASP foi tombado em 1982 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (CONDEPHAAT) e em 2003 pelo IPHAN. À convite do Museu d’Orsay de Paris, o MASP integra o “Clube dos 19”, grupo que inclui apenas os museus que possuem acervos de arte européia representativos.

O MASP passou por algumas mudanças ao longo dos anos. Em parceria com a empresa Suvinil, as colunas do edifício foram pintadas de vermelho em 1990, em comemoração aos 40 anos do museu. Em 1997, o prédio passou por uma reforma e recebeu um terceiro andar subsolo. O local é reservado para abrigas as peças do acervo enquanto não estão em exposição. “O MASP, por si só, também é uma obra de arte, a arquitetura e a forma como ele foi construído simboliza a presença da arte moderna dentro da arte e da sociedade brasileira”, analisou Eduardo Nogueira.

Além de exposições o local é serve como centro cultural que proporciona atividades ao público, como: escola de arte, ateliês, espetáculos de dança, música e teatro, palestras e debates, entre outras. O museu é o mais freqüentado de São Paulo, com média de 50 mil visitantes no mês.

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