Home

Por Mariana Stocco e Maria Augusta Valente

O mercado do luxo brasileiro não conhece a crise. Esse é o panorama em que se encaixam os consumidores de alto luxo. O número de milionários no Brasil cresceu 6,2% em 2011 em relação a 2010, chegando a 165 mil, segundo um estudo da gestora de ativos RBC Wealth Management com a consultoria Capgemini. Como consequência, o mercado de luxo deve crescer 20% em 2012.

Cartier no shopping Cidade Jardim (Foto: Reprodução)

O consultor de vendas de relógio de luxo, André Nakamura , afirma que o consumo de artigos “top de linha” vêm crescendo em decorrência do poder aquisitivo da média. Atuante no mercado desde 1996 diz que a crise não atingiu o mercado de luxo, e os efeitos das sucessivas crises financeiras respingam nos operadores que trabalham com este mercado, devido ao baixo valor do dólar. A moeda faz com que as pessoas saiam mais do País para realizar compras. Desse jeito, apesar do mercado estar super aquecido, o capital é transferido para fora do Brasil e não entra nos indicadores oficiais. Segundo dados da pesquisa “O Mercado do Luxo no Brasil”, iniciativa da MCF Consultoria e Conhecimento, em parceria com o instituto de pesquisas GFK Brasil, há um grande potencial de crescimento para o mercado do luxo. O destaque atual é a cidade de Belo Horizonte, que surge como o principal destino de expansão das marcas, tirando de cena São Paulo e Rio de Janeiro. No cenário mineiro a demanda por apartamentos de luxo, por exemplo, é constante e crescente, devido ao crescimento econômico brasileiro que possibilitou o aumento do poder de compra da população.

Contudo, o Brasil ainda precisa crescer muito nesse setor, que tem demandado uma enorme quantidade de empregadores, que ainda precisam se qualificar para entrar nesse ramo. A maior deficiência encontrada para empregar brasileiros nesse ramo é a falta de especialização e qualificação para atuar com as espeficidades deste mercado. Outro fator restritivo é falta fluência no idioma inglês. Apesar da desaceleração na economia, o Brasil possui alto potencial para ingressar nesse mercado, não parando apenas nas capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, o que vai passar a gerar maior demanda de mão de obra para o Brasil nos próximos anos.

“A classe média, os menos favorecidos se espelham no rico. Então eles têm o mesmo sonho de consumo do rico por conta da publicidade”, afirma André. “Ele compra com esforço uma peça que muitas vezes é uma única unidade, mesmo que parcele em muitas vezes, ele compra. Enquanto o rico compra várias unidades”, completa. Esse é o principal motivo para esse mercado ser tão forte, já que todas as classes sociais compram artigos de luxo.

Esse mercado é tão poderoso que a MCF Consultoria, uma das mais reconhecidas nesse ramo, possui um curso para entender e aprender a vender o seu produto para o mercado de luxo. Sucesso que só irá ocorrer, com muita paciência segundo o consultor, uma vez que é um mercado que não cresce de uma hora pra outra, para conquistar seu público e fazer com que um produto ganhe prestigio no mercado o processo é lento.

Gucci no shopping Cidade Jardim (Foto: Reprodução)

É necessário que o produto se torne único, de altíssima qualidade, possuir uma estética super valorizada, sensação de ser um produto eterno e remeter emoções ao consumidor, não sendo apenas mais um produto a ser utilizado, mas sim algo que passe um sensação de destaque ao consumidor, que o diferencie e o faça único.

O mercado de luxo tomou proporções muito diferentes ao longo do tempo, surgiu na metade do século XIX com o objetivo de personalizar o produto a medida de cada cliente, atingiu consumidores que não estavam preocupados com a conta no final do mês e hoje é do interesse e curiosidade de todos, até mesmo daqueles que fazem um esforço para comprar determinado produto, com a intenção de se assemelhar a classe mais alta.

André acredita que os produtos de luxo, como relógios, bolsas, jóias fazem parte dos desejos das classes mais baixas, que se endividam com facilidade, quando passam a adquirir um produto, mesmo que não haja frequência na compra em produtos de luxo, como a classe A brasileira. Outro aspecto importante que faz esse mercado ser tão diferenciado é o modo como sua divulgação ocorre, de modo muito diferente do que lojas comuns fazem. De maneira muito mais discreta, a fim de atingir apenas seu público alvo, a publicidade do mercado de luxo, para André, acontece na maior parte das vezes, pela internet com sites não tão conhecidos e através do “boca-boca” . Ao conhecer os produtos, os clientes repassam seu interesse pela nova marca e assim no seu círculo social o produto passa a ser conhecido. Os chamados sacoleiros também atuam nesse mercado, com função de fazer o produto se tornar conhecido, levando seus produtos em mala visitando clientes, empresas e interessados em produtos luxuosos para conseguir vender o produto que trouxe muitas vezes de fora do País.

Um mercado informal, uma vez que não cai na boca do povo e se transforma cada vez mais de maneira ainda muito discreta cujo objetivo é manter a exclusividade de seus produtos. Shoppings em São Paulo, como o recém-inaugurado JK Iguatemi e Cidade Jardim, são exemplos de um aglomerado de lojas de produtos altamente requisitados pela classe AA de São Paulo. Não é à toa, que apesar do sucesso de inauguração, André diz que esses locais estão às moscas, uma vez que esse tipo de

Fachada da loja Sephora no shopping JK Iguatemi (Foto: Reprodução)

produto, não é vendidoc om frequência, e por mais que sejam luxuosos, os consumidores fiéis desse tipo de produto preferem a exclusividade e cada vez mais novidades. Muitos consumidores preferem comprar fora do País quando estão em viagem, deixando para consumir nesses locais, por exemplo, cosméticos, que se esgotam com maior frequência, como é o caso da loja Sephora, que é uma das únicas que permanece cheia ao longo da semana no shopping JK.

Apesar das mulheres, continuarem sendo as consumidoras mais assíduas de qualquer tipo de produto, o homem vem se tornando cada vez mais presente nesse meio. E são tão exigentes quanto ao comprar um produto de luxo de seu interesse, para consumo próprio, além de apenas presentes, como era de costume.

Em contrapartida ao que vemos na mídia e historicamente, de que o consumismo vem cada vez mais dominando as sociedade, nos fazendo nos tornar escravos do consumo e de que a maior parte do consumo se dá pelo desejo de se inserir na sociedade, André acredita que o mercado luxuoso apesar de ter se tornado interessante para classes mais baixas, que não conseguem ter aquisição deste produto, ele ainda se mantém forte para as classes de maior prestigio, que não pensam em comprar apenas para manter um status diferenciado das outras pessoas, mas sim por pura necessidade e estilo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s