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Por Maria Paula Angelelli e Patricia S. Zylberman

Um crescente número de europeus abandona seus respectivos países em busca de oportunidades de emprego no Brasil. O País concedeu mais de 30 mil  autorizações de trabalho para estrangeiros no primeiro semestre de 2012, 25% a mais comparado com o mesmo período do ano passado. Desde 2005 esse número cresce, só que, atualmente, com a crise econômica e a economia do Brasil crescendo, essa opção tornou-se muito mais atraente. Uma pesquisa feita pela agência de empregos Randstad mostrou que 65% dos imigrantes ilegais na Espanha estão pensando ou já se decidiram trocar a Europa por outro mercado se não encontrarem trabalho nesse ano e, na realidade, isso já começou. A Espanha em 2010 já registrou uma taxa de saída maior que a de entrada. Os estrangeiros estão procurando alternativas para a situação.

A falta de emprego e o aumento sucessivo do preço de produtos de 1ª necessidade faz com existam diversas manifestações e gerem, assim, descontentamento geral da população espanhola que procura abrigo e emprego em outros países, um deles o Brasil.  Outro motivo que tem gerado uma crescente migração dos provenientes da Espanha para o Brasil é que “a Espanha perdeu interesse nos trabalhadores de origem latina, moradores no país e que possuem baixa formação”, afirma Josep Olive, professor de economia da Universidade Autônoma de Barcelona, que ainda continua “80% dos imigrantes não têm outras saídas além do aeroporto rumo a mercados com melhores opções, como o Brasil, que oferece oportunidades sólidas”.

Porém, não são apenas os trabalhadores de baixa formação que procuram refúgio e emprego no Brasil, os com alta formação também o fazem. Um estudo elaborado pela consultora Adecco e pela Universidade de Navarra indica que 55% dos espanhóis com alto grau de formação e que também foram atingidos pela crise colocam o Brasil como um dos destinos preferidos para emigrar por emprego. O perfil de interessados nesse processo é de homens, entre 25 e 35 anos, com formações em  informática, medicina, arquitetura, biologia, investigação científica e engenharia. “Que engenheiro ou arquiteto não quer ir para o Brasil, de olho nas obras de infraestrutura? Está tudo por fazer, e agora há também recursos, referências de empresas espanholas já estabelecidas e a abertura ao (idioma) espanhol”, disse Sandalio Gómez, professor de Economia da Universidade de Navarra , à BBC Brasil.

Esse aumento na migração espanhola no Brasil fez com que o País tivesse que barrar a entrada de cerca de 80 mil pessoas, nos últimos anos.

Enquanto no Brasil, os empresários estão confiantes na economia e a maioria deles (cerca de 80%) pretende contratar, na Europa, o clima é outro, o qual, menos da metade deles possuem essa perspectiva.

A maioria dos imigrantes são americanos, mas dos dez países que mais mandam, cinco são europeus, provenientes, principalmente dos quatro países membros do PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), que são os que mais apresentam problemas econômicos e sociais relacionados à crise europeia.

Entenda o motivo e o que ele gera.

Em Portugal

O país enfrenta um baixo crescimento econômico o que implica em uma dificuldade na obtenção do necessário para pagar os gastos públicos. O governo também investiu na melhora de alguns serviços, como transporte, para manter sua competitividade, o que também aumentou a dívida. Isso, somado à crise financeira mundial provocou uma imensa dívida no país, de cerca de 26 mil milhões de euros, cerca de 117% do PIB total do país, que só aumenta, ficando cada vez mais difícil de quitá-la.

Na Irlanda

Assim como outros países, a expansão do mercado imobiliário, junto com a sua especulação, somada a queda na arrecadação de impostos – a diferença entre o que o governo gasta em serviços públicos e o que recebe em impostos e taxas atinge 12% do PIB – resultou na crise financeira que Irlanda se encontra nos últimos 3 anos. O preço dos imóveis caiu entre 50% e 60% e para ajudar essas instituições foram necessários recursos de emergência da ordem de 45 bilhões de euros, gerando um déficit no orçamento do governo irlandês equivalente a 32% do PIB neste ano.

Algumas estimativas indicam que o empréstimo chegaria a 80 bilhões de euros e viria de diversas fontes. Uma delas poderia ser o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (EFSM), que forneceria até 60 bilhões de euros, outra fonte seria o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF), constituído por 440 bilhões de euros. Além deles, o Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que estaria disponível para empresta até 50% do montante provido pela União Europeia.

Esse quadro gera desemprego e com ele, insatisfações e revoltas perante a população irlandesa, que, por esse motivo, emigra para outros países.

Na Grécia.

Após sucessivos empréstimos, a Grécia entrou em crise. Nos últimos dez anos os gastos públicos foram gigantescos e os salários destinados ao funcionalismo praticamente dobraram. O país ficou totalmente vulnerável à crise de 2008 e sua dívida aumentou, chegando nos dias de hoje à 12 bilhões de euros, 121% do PIB total do país. Esse fato fez com que muitos ficassem em dúvida sobre investir em sua economia, o que gerou desemprego e, com ele, muitas revoltas civis. Fazendo com que os habitantes desse país procurassem emprego em outras localidades, entre elas, o Brasil.

Revoltas na Grécia

Além disso, cada vez mais, o país tem realizado leis anti-imigrantistas, dificultando a chegada de novos moradores à Grécia. Um partido ultranacionalista denominado Golden Dawn tem cada vez mais recebido apoio dos gregos e após ser indicado como um dos responsáveis pelos ataques terroristas a imigrantes teve um crescimento de quase 10% de apoio, desde as eleições em junho. A adesão aos partidos de teor mais socialista e democrata tem diminuído cada vez mais, uma pesquisa demonstrou que o apoio ao conservador Nova Democracia, que lidera a coalizão pró-resgate do país e não tem propostas contra imigrantes, caiu de 29,7% em junho para 25%, enquanto o apoio ao partido radical de esquerda Syriza também diminuiu, de 27% para 24%. O partido socialista,  Pasok, caiu para o quarto lugar, com 8%, enquanto outro aliado do governo, a Esquerda Democrática, viu seu apoio diminuir quase 2%, para 4,5%.

Os gregos contrários a essas mudanças anti-imigrantistas, procuram refúgio e emprego em outros países.

Na Espanha

Diferentemente dos outros países do PIGS, quando a crise mundial de 2008 teve início, a Espanha não foi atingida fortemente continuando com um superávit anual relativamente alto se comparado a outros países, obtendo um aumento de 1,7% do PIB, tanto os EUA quando da União Européia, não tendo nem a dívida pública sido atingida, pois era cerca de 27% do PIB, quase metade da dívida pública alemã, um dos países mais ricos do mundo.

A crise espanhola não esteve diretamente ligada à crise mundial. Tudo começou quando a banca alemã emprestou 109.000 milhões de euros à banca espanhola, com os quais esta, visando favorecer o setor imobiliário, investiu massivamente não na economia produtiva do país, como era de se esperar, mas sim na economia especulativa, criando a bolha imobiliária que, ao explodir, assim como a crise americana de 2008, provocou um déficit gigantesco e o enorme problema da dívida privada que atingiu dimensões astronómicas – cerca de 227% do PIB – pouco após.

Acredita-se que a Espanha deve que pedir auxílio à Zona do Euro e União Européia para quitar sua dívida.  O empréstimo, que poderá chegar a 100 bilhões de euros, será transferido do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE) para o governo espanhol. Na Espanha, ficará depositado no Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (FROB) – a agência de reestruturação bancária do país- e será redirecionado aos bancos em dificuldades.

Um motivo comum para cada país, em particular, não decretar a moratória, ou seja, deixar de pagar os juros das dívidas ou pressionar os credores a aceitar pagamentos menores e perdoar certa parcela da mesma, é o que, decretada a moratória em um, pode estimular os demais nessa situação a fazerem o mesmo. Assim, a Europa entraria em um colapso sem perspectiva de mudança.

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