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  Por Ana Flávia Soares

Falar de Alzheimer é um assunto complicado, onde muita gente não se importa e nunca imagina que um dia poderá sofrer desse mal. A doença atinge em sua maioria a população idosa, uma demência que ataca as funções cerebrais, impedindo que o portador da doença utilize sua inteligência, causando consequentemente a perca de memória e incapacidade de realizar atividades intelectuais.

A doença começa com leves sinais e aos poucos vai evoluindo, em fases;e ao fim da doença o portador perde toda sua capacidade de viver uma vida ativa, tornando-o incapaz de lidar com suas próprias alterações de personalidade e sentimentos. A maior característica dos portadores de Alzheimer é a passividade que a doença gera. Infelizmente, os portadores tornam-se completamente dependentes de terceiros para que possam andar, falar ou até mesmo fazer a própria higiene pessoal. Alguns tornam-se agressivos, uma vez que o indivíduo passa a ter sentimentos de onipotência e invalidez, vivendo em tristeza, melancolia e silêncio profundo. Hoje a doença é considerada a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade. Embora exista alguns casos excepcionais em pessoas de 50 anos, e a prevalência entre pessoas de 60 e 65 anos, é a partir dos 65 que ela duplica a cada cinco anos. Após os 85 anos, ela atinge cerca de 40% da população.

Perda irreparável: a memória

Na maioria das vezes, os primeiros sintomas são confundidos com problemas de estresse ou depressão. Tudo porque os pacientes a princípio ficam agressivos, ás vezes mostrando um comportamento de inquietação ou insônia. Antes de se tornar totalmente visível, o Mal de Alzheimer vai desenvolvendo-se por um período indeterminado de tempo, e pode manter-se não diagnosticado por longos anos. A doença se instala de forma indiciosa, com queixas de dificuldade de memorização e desinteresse por acontecimentos cotidianos, sintomas que geralmente são desprezados por familiares. Inicialmente os pacientes se esquecem de onde deixaram as chaves do carro, o cartão de crédito, quem era a pessoa que acabou de falar no telefone ou até o nome de um conhecido. Com o tempo passa a deixar as tarefas que iniciou pela metade. Esquece o caminho de volta pra casa, deixa o fogão aceso, abre o chuveiro e sai do banheiro, não sabe o porquê ligou para alguém etc.

Quando se levanta a suspeita que alguém pode estar com Alzheimer, logo o paciente é submetido a uma série de exames cognitivos e radiológicos. O sintoma inicial e mais perceptível é a perca da memória. Com o avançar da doença, novos sintomas vão aparecendo como: confusão mental (entre nomes, pessoas, épocas, até a própria personalidade, etc), irritabilidade, agressividade, alterações de humor, falha na linguagem, e aos poucos o paciente vai se desligando da realidade.

A perda da memória é progressiva e obedece a um gradiente temporal, uma vez que existe enorme dificuldade para lembrar fatos recentes e ao mesmo tempo, enorme facilidade para lembrar fatos do passado. As atividades mais pessoais como vestir-se ou realizar a higiene pessoal são perdidas mais tardiamente.

Os estágios da doença

De acordo com o quadro, há três estágios clínicos: leve, moderado ou grave. E existe grande variabilidade na duração destes estágios. Variando de paciente para paciente, em alguns casos os sintomas evoluem lentamente; em outros, a deterioração é mais rápida, já em outros a doença evolui rapidamente em surtos de piora seguidos de fases de estabilidade.

Em média, o primeiro estágio tem duração de 2 a 10 anos, o segundo de 1 a 3 anos e o terceiro de 8 a 12 anos. Tais estágios podem ser subdivididos em 7 outros: Pré-clínico (silencioso, sem perda cognitiva observável), Transtorno Cognitivo Leve (primeiras evidências da perca cognitiva), Forma leve (esquecimentos, aqui familiares e amigos passam a notar o problema), Forma moderada (confusão mental, agitação, apatia e ansiedade), Forma moderadamente grave ( não consegue mais lidar com afazeres pessoais, desorientação no tempo e no espaço, dependência), Forma grave (necessita de cuidados em tempo integral, incontinência urinária e fecal, delírios, obsessões, frequentemente requer internação) e por último a Forma muito grave (perda da fala, incapacidade de locomoção e perda da consciência).

Como diagnosticar um portador?

Perceber que alguém está com o Mal de Alzheimer não é tão simples assim. Normalmente, a família do doente imagina que se trata apenas de um problema de idade avançada, e por isto, não procura uma ajuda médica. Ao perceber os sintomas, normalmente o próprio portador tende a escondê-la por vergonha. Assim, a família precisa estar atenta, e se notar algo incomum, deve encaminhar o portador á um especialista mais próximo. É preciso saber diferenciar o esquecimento normal ao de manifestações mais graves e frequentes, que são os sintomas iniciais.

A doença de Alzheimer instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começam a dar errado. Surgem fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços que existem entre eles. Como consequência dessa toxidade, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como a hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, que controla a linguagem, reconhece estímulos sensoriais e o pensamento abstrato.

O acompanhamento médico é o fator essencial para que se identifique a existência do mal, e o quanto mais rápido possível, inicie o tratamento. Em 2002, o Ministério da Saúde instituiu no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) o Programa de Assistência aos Portadores da Doença de Alzheimer. Esse programa funciona por meio dos Centros de Referência em Assistência à Saúde do Idoso, que são responsáveis pelo diagnóstico, tratamento, acompanhamento dos pacientes e orientação aos familiares e atendentes dos portadores de Alzheimer. No momento, há 26 Centros de Referência já cadastrados no Brasil.

O tratamento medicamentoso

Infelizmente o Mal de Alzheimer é uma doença degenerativa, que leva a deficiência de diversos neurotransmissores, moléculas que agem na condução dos estímulos nervosos transmitido de um neurônio para o outro. Os medicamentos do tratamento têm por objetivo justamente corrigir esse déficit com dois tipos de drogas: os inibidores das colinesterases e antagonistas dos receptores de glumato.

Esses medicamentos tem eficiência documentada, e estão indicadas no tratamento das formas leves ou moderadas, com finalidade de ajudar os pacientes a manter a habilidade de executar atividades de rotina por mais tempo e de preservar a capacidade de relacionar-se com os familiares e amigos.

O objetivo dos medicamentos é retardar a evolução da doença e preservar por mais tempo as funções intelectuais do paciente. Os melhores resultados são obtidos quando o tratamento é iniciado nas fases iniciais.
Numa doença que está sempre em progressão, é difícil avaliar melhoras ou resultados. Por essa razão, é fundamental que familiares utilizem de um diário para anotar as evoluções dos sintomas nos pacientes. Para saber se a memória está melhor, se o declínio ocorre de forma mais lenta do que antes da medicação, se os afazeres diários estão sendo cumpridos normalmente, e se o quadro está conseguindo manter-se estável.

Uma doença , ainda, sem cura

A doença infelizmente ainda não tem cura, entretanto, como já se sabe, o tratamento é feito para retardar sua progressão. Por ser degenerativa, a doença tende a evoluir rapidamente, em média, por um período de cinco a dez anos. Os pacientes, em geral, morrem nessa fase. Ainda não existe medicamentos que possa paralisar a progressão da doença. Até a presente data, a cura do Alzheimer ainda não foi descoberta, mas vários cientistas têm realizados estudos com as células tronco com resultados animadores.
Médicos e cientistas confiam na possibilidade da descoberta da cura do Alzheimer com o uso de células tronco. A esperança é de que, ao serem implantadas as células tronco embrionárias de um recém-nascido num indivíduo que sofra do Mal de Alzheimer, estas transformem-se em novos neurônios trazendo a remissão dos sintomas e a cura da doença.
Recentemente, um grupo de cientistas americanos também desenvolveu uma técnica para detectar sinais do mal de Alzheimer 25 anos antes da doença apresentar seus primeiros sintomas precoces. O grupo selecionou para o estudo pacientes britânicos, americanos e australianos que possuem risco genético para desenvolver a doença. Dos 128 pacientes examinados, 50% têm chances de herdar uma das três mutações genéticas conhecidas pela ciência que provocam o mal de Alzheimer. Os pesquisadores também analisaram os pais dos pacientes para tentar descobrir com que idades eles haviam desenvolvido a doença. A partir daí, começaram a avaliar quanto tempo antes disso era possível detectar os primeiros sinais do mal.
Os pesquisadores descobriram, então, que era possível detectar pequenas mudanças no cérebro de quem possuía alguma das mutações que no futuro levarão ao surgimento do Alzheimer. Por volta de 15 anos antes do aparecimento da doença, pacientes já apresentavam níveis anormais de uma proteína de células que podem ser encontradas no fluído espinhal. Além disso, imagens do cérebro revelaram encolhimento em algumas regiões do cérebro desses pacientes.
Dez anos antes dos primeiros sintomas foram detectados problemas de memória e um processamento anormal da glicose no cérebro dos estudados. Assim, os cientistas puderam concluir que será provável que qualquer novo tratamento para Alzheimer deverá começar mais cedo para que tenha melhores chances de sucesso.

Prevenção

Ainda incurável, o Alzheimer não possui uma forma eficaz de prevenção. Mas os médicos acreditam que manter a cabeça ativa e uma boa vida social permite, pelo menos, retardar a manifestação da doença. Entre as atividades recomendadas para estimular a memória, estão: leitura constante, exercícios de aritmética, jogos inteligentes e participação em atividades de grupo. A família e a sociedade devem ser o grande apoio ás vítimas do mal. A associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), é formada por familiares dos pacientes e conta com a ajuda de vários profissionais, médicos e terapeutas. A associação promove encontros para que as famílias troquem experiências entre si, e possam aprender a cuidar e a entender a doença e seus efeitos na vida dos idosos. O objetivo é fazer com que os familiares e inclusive os pacientes, possam receber carinho e oferecer cuidados.

Por mais difícil e triste que seja, ninguém deseja ser um portador de Alzheimer. Porém, ele chega silenciosamente e de repente, é dono de uma situação que muitos não desejavam. Aceitar a doença e conviver bem com ela é o primeiro passo para manter o portador emocionalmente e psicologicamente bem, e assim, manter a união da família que é primordial para o convívio de todos que estão envolvidos com a doença.

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