Home

Por Julia Teixeira

A produção teatral no Brasil tem se destacado nos últimos anos, e isso se deve ao crescimento principalmente do gênero musical. A prova disso é que o País se encontra em terceiro lugar mundial no ranking que tem como critério o número de musicais em cartaz, atrás somente dos Estados Unidos e da Inglaterra. Em cerca de um ano já são nove produções montadas principalmente no circuito São Paulo – Rio de Janeiro. O faturamento das empresas que participam da vinda desses espetáculos também aumentou bastante. A companhia Aventura Entretenimento, por exemplo, só em 2012, pretende elevar seus ganhos de R$ 37 milhões para R$ 52 milhões só com projetos musicais. Além disso, a maioria das peças conta, em seu elenco, com a presença de atores de destaque no âmbito televisivo, fato que ajuda a atrair espectadores.

Os palcos da Broadway, obviamente, vêm servindo de inspiração para esse crescimento. A maioria dos espetáculos que têm vindo ao Brasil são adaptações de sucessos de Nova York, contando com nomes como “Cabaret”, “Fame”, “O Violinista do Telhado” e “Hair”.

Cena da montagem brasileira do sucesso “Hair” (Foto: Guga Melgar divulgação)

Em meio ao sucesso as indagações frequentes referem-se aos motivos que fazem crescer o gênero musical exclusivamente, e não outros gêneros como drama e comédia. Há vários elementos que podem (e devem) ser levados em conta na hora de se elaborar uma resposta, como o alto custo de produção de histórias de peso, em sua maioria, inclusive, importadas, como já foi citado anteriormente. Em contrapartida, pode-se pensar que essa explosão seja fruto da famosa ascensão da classe C brasileira, do aumento (tanto em termos de quantidade quanto de abrangência) de seu poder aquisitivo. Outro fato que também tem chamado a atenção recentemente e que pode se unir aos argumentos utilizados para elaborar o motivo pelo qual o gênero musical vem se expandindo no teatro é a grande quantidade de shows e festivais, nacionais e internacionais, que tem acontecido nas principais capitais do Brasil nos últimos tempos, o que mostra que a música como um todo tem estado em alta no Brasil.

De acordo com o produtor Claudio Botelho, que integra, junto com Charles Möeller, a dupla Möeller&Botelho, produtora de inúmeras peças e adaptações como “Um violinista no Telhado”, “Hair” e “Milton Nascimento – Nada será como Antes” e que irá estrear no próximo ano o espetáculo “Orfeu Negro” na Broadway, os musicais conseguem atrair para o teatro espectadores que não iam ou não iriam a peças de outros gêneros antes. Segundo ele, este tipo de produção é o que há de mais importante no cenário brasileiro atual por levar centenas de milhares de pessoas ao teatro, inclusive aquelas que não tinham esse costume.

Cena do musical “Milton Nascimento – Nada será como antes”, uma das poucas produções atuais nacionais. (Foto: http://www.rioshow.oglobo.com)

A história também influencia

O gênero teatral musical começou a ser desenvolvido principalmente nos Estados Unidos, a partir das óperas e das chamadas operetas, por volta dos anos de 1890 e 1900, mas foi em 1920 que este tipo de apresentação teve seu real início no campo das artes. Passando a enfatizar os atores e atrizes, as rotinas de dança e as músicas mais do que o enredo em si, essas produções tiveram seus “anos de ouro” entre 1940 e 1960. Já em 1980/1990, o modelo das superproduções que vigora intensamente nos dias de hoje passou a ter destaque nesse meio musical, realizadas não por um único diretor/produtor (como era antes), mas sim por uma empresa ou no mínimo dois grandes nomes do meio artístico.

Para Claudio, o fato das produções musicais terem o início de seu desenvolvimento na América do Norte e no “West End londrino” (área na região central de Londres onde se concentram os principais teatros ingleses) explica a importação de renomadas peças destes lugares por vários países pelo mundo, especialmente pelo Brasil, pelo menos neste primeiro momento. Entretanto, ele ainda tem esperanças da ascensão das produções nacionais no mercado.

Essas adaptações de espetáculos musicais são uma tarefa bastante árdua para os produtores brasileiros, já que envolvem, além de altos custos, as dificuldades da tradução dos textos e de adequar as histórias a realidade brasileira. Ainda para Botelho, as traduções tem que ser bem elaboradas para não parecerem forçadas e só as bilheterias não cobrem os gastos de superproduções. Além disso, os ingressos no Brasil custam barato para este meio e as temporadas não costumam ser longas, o que não torna o investimento em espetáculos de grande porte rentável. Uma possível e prática solução para este problema é a aderência ao sistema de patrocínios. Várias empresas que se encontram em solo brasileiro acham atraente vincular seu nome a sucessos nova-iorquinos adaptados para o País.

Futuro

Depois da apresentação de todas as dificuldades que envolvem a apresentação de um espetáculo musical no Brasil, se contrapondo ao imenso sucesso destes com o público, pode-se concluir que, mesmo com a maioria do que é necessário para uma produção teatral deste porte sendo de difícil acesso, a tendência deste gênero nas artes é obter cada vez mais sucesso em nossas terras. Se depender do público sedento de cultura, pelo menos, a “era de ouro” dos musicais retornou e pretende se estender por um bom tempo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s