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Por Gabriel Vilela

A visão de um indivíduo morando nas ruas de São Paulo é uma constante, não só para quem vive no centro e nas regiões periféricas, mas sim por toda a cidade. Logo há uma necessidade de ajuda a essas pessoas que vivem em condições precárias, o governo necessita dar o suporte para todos até porque eles são habitantes da cidade, tem seus direitos e votam.

Morador de rua usa animal como travesseiro

Primeiramente necessita de uma análise dos informes de quantos cidadãos estão em situação de rua, segundo dados da pesquisa feita pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). No ano de 2011, a cidade de São Paulo possui um total de 14.478 (quatorze mil quatrocentos e setenta e oito) indivíduos, sendo 6.765 (seis mil setecentos e sessenta e cinco) em situação de rua e 7.713 (sete mil setecentos e treze) em centros de acolhida da capital.

O Estado acolhe mais que a metade dos sujeitos nessa situação, enquanto o outro meio sobrevive sem nenhum auxílio e sem um lar para ter uma vida digna, o que resulta    na aparência ruim para os quesitos sociais impostos pela plebe, o que gera um preconceito de algumas pessoas da população paulista.

A desconsideração

No dia 20 de junho de 2012 o secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega, disse que as instituições que insistirem em persistir oferecendo comida na via pública para a população de rua serão “enquadradas administrativamente e criminalmente”. Isso quer dizer, que os “sopões” que existem em São Paulo foram banidos pela prefeitura. O que a prefeitura quer é a regularização da entrega de “sopões”, colocando-as nas tendas organizadas pelo município com a intenção de manter os moradores de rua no local para passar a noite em uma cama com coberta.

A informação sobre a proibição foi dada pelo jornal O Estado de S.Paulo, que logo após essa atitude da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), alguns internautas da rede social Facebook se organizaram para fazer um “sopaço chique”, um realizado na praça da Sé e o outro na casa de Kassab, em pinheiros, e no micro blog Twitter foi criada a hashtag #SopaodaGenteDiferenciada e #KassabSopaZero.

Com a repercussão negativa da notícia, logo depois a prefeitura de São Paulo emitiu uma nota na tarde de quinta-feira dia 28 de junho em que “não cogita proibir a distribuição de alimentos por ONGs na região central da cidade” e que a orefeitura compreende que a união das ações das ONGs com as dos agentes sociais têm potencial para tornar ainda mais eficazes as políticas de reinserção social.

Infelizmente não foi somente esse fato que ocorreu na capital, em 2005, o então prefeito José Serra iniciou a construção de rampas debaixo de pontes e viadutos onde os moradores de rua costumam se abrigar da chuva, o que impossibilitava o repouso em período chuvoso. Depois, a prefeitura, na gestão de Kassab, passou a cercar parques e instalar apoios de braços em bancos de praças, no qual tinha o objetivo de impedir qualquer pessoa a deitar e dormir no assento.

Não satisfeito, iniciou seu polêmico projeto de “descentralizar” as vagas em albergues, no qual não teve nenhum destino e só piorou a situação em que passavam os moradores de rua, além de diversos abrigos no centro que foram desativados, ao menos quatro albergues, sendo eles o Jacareí, com quase 400 leitos, o Glicério, com 300 vagas, uma pequena unidade na República para 85 usuários e o Pedroso, com 400.

O contraponto

Existe ainda um movimento em São Paulo que ajuda os sujeitos nessa situação, organizado por um ex-morador de rua, Antônio Carlos de Araújo, participa da associação do “Movimento de Defesa da População de Rua” que se baseia em procurar políticos e lutar pelas políticas públicas em favor da população de rua.

Porém existe residentes de rua que sofrem de problemas com o álcool, drogas para fugir da realidade, mas existe também outros que tem uma saúde mental debilitada e com deficiência. Para esses com problemas mentais, existe os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

A realidade

O entrevistado “Fernando Augusto Silva Neto”,  28 anos, morador de rua na região do Tatuapé (Zona Leste de São Paulo), vive há um ano nesse estado e está prestes a sair dessas condições pois conseguiu um trabalho como balconista e já está procurando uma moradia. Porém, já passou por inúmeras dificuldades.

Quando perguntado como ele viveu todo esse tempo, o entrevistado responde:

– Vivi com “muita gente” só me judiando, alguns me davam dinheiro, enquanto isso outros até ficavam bravos ao me verem, me xingavam ou se escondiam de medo.

Existe o preconceito de alguns habitantes da região, o sujeito ainda cita que sofreu de inúmeras agressões e de ameaças de morte por jovens que estacionavam com o carro e praticavam a barbárie e a hostilidade com ele.

Além da dificuldade na alimentação. O homem ainda diz que mesmo com o dinheiro para a consumação de certos alimentos, ele era retirado do estabelecimento  pois não entrava nos “padrões” do lugar e quando não tinha dinheiro, as vezes não ganhava nem um copo de água.

O frio intenso que acontece na cidade de São Paulo também é um fator determinante para a vida dessas pessoas, segundo médicos, o corpo humano quando exposto a baixas temperaturas ele começa a reagir para não perder calor e isso pode deixar o corpo debilitado, causando até arretimia e matar, como já aconteceu em São Paulo, Essa é a realidade do morador de rua, não só do Tatuapé, mas na cidade inteira.

A necessidade de políticas públicas

Na madrugada do dia 20 de agosto de 2012, reuniram-se moradores de rua na praça da Sé, para realizar um protesto para reivindicar políticas sociais de apoio à população que dorme debaixo das marquises da capital.

Essa manifestação se deve ao dia 19 de agosto, em que ocorreu o massacre da Sé, nome pelo qual ficou conhecido o episódio em que sete pessoas que dormiam na praça foram mortas nesse dia em 2004, até hoje, nenhum dos suspeitos foi preso

Mesmo após a aprovação da lei n.º 2316 que fala dos direitos dos moradores de rua, em que os prefeitos Paulo Maluf e Pita aprovaram a Lei, a prefeita Marta a regulamentou, hoje essa norma não é tão respeitada e isso prejudica todos os residentes de rua.

A luta continua, porém cada dia mais difícil, pois alguns moradores de ruas não possuem nem RG (Registro Geral), não possuem certidão de nascimento e nem outros documentos necessários para a burocracia paulistana. A política pública necessita de mudanças que beneficiem essas pessoas consideradas “indigentes” que sofrem todos os dias com tarefas simples como comer e dormir.

Morador de rua dorme em um ponto de ônibus

Um pensamento em “Quando o CEP é a rua

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