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Por Bruna Mello

O teatro sempre esteve presente em nossas vidas

“O palco é o refúgio dos demasiados fascinadores” (Oscar Wilde). Atuar sempre esteve presente na vida do ser humano através de suas necessidades. O teatro então acompanha o homem desde a era primitiva, depois com a “tragédia grega”, época do filósofo Aristóteles. A dramaturgia sendo uma arte de composição do texto dos atores gesticula essa ação dos conflitos dos personagens em diversas situações, sendo relacionada não só ao teatro teatral e sim roteiros cinematográficos, telenovelas, sitcoms ou minisséries.

As primeiras manifestações teatrais no Brasil foram introduzidas pelos Jesuítas no século XVI devido a interesses religiosos. No século XVIII, as casas de “Ópera” ajudaram na propagação do teatro. Como nesse século a corrente do Romantismo estava presente, temas como o cotidiano e o nacionalismo marcaram a dramaturgia subsequente. Na semana de arte moderna, em 1922, não é visto com o teatro com uma participação representativa, mas com a toda certeza as outras artes também contribuíram para o desenvolvimento do mesmo, já que reuniam muitas delas.

O autor que participou deste movimento, introduzindo nas peças de teatro os traços modernistas, foi Oswald de Andrade, que escreveu peças como: O Rei da Vela, a Morta, O Homem e o Cavalo e Marco Zero. Um dos mais influentes dramaturgos brasileiros foi o aclamado Nelson Rodrigues. Suas peças eram tachadas como obscenas e imorais, abordando assuntos corriqueiros, como problemas familiares, adultérios, homossexualismo, entre outros. O sucesso do dramaturgo veio com “Vestido de Noiva”, que trazia, em matéria de teatro, uma renovação nunca vista nos palcos brasileiros.

Teatro Municipal de São Paulo – Foto: reprodução

A cena teatral em São Paulo teve mais ênfase com a construção do Teatro Municipal de São Paulo, em 1922: foi construído para atender a demanda da elite paulista da época que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais da época, assim como promover a ópera e o concerto. O Teatro Municipal ainda goza de um grande respeito, mas com o passar dos anos, por diversas transformações sociais e culturais, as apresentações ficaram voltadas apenas para um público muito seleto. Ir ao teatro hoje em dia é muito difícil pela maioria da população. É um paradoxo, pois ao mesmo tempo em que produtores dizem que não dá lucro, há o preço exorbitante – mas não de todas as peças.

Contra a censura na época da ditadura militar – Foto: reprodução

Durante a ditadura militar o teatro viria a sofrer as consequências como as outras artes: o AI-5 pelo deflagrou o terror de Estado e exterminou aquilo que fora o mais importante ensaio de socialização da cultura jamais havido no país. O teatro mais artístico refugiou-se em pequenas companhias. Com orçamentos reduzidos e sem muito apelo ao público, ocupavam espaços alternativos, não mais experimentais e, por vez, tentavam suscitar uma dramaturgia nova. Atores e diretores não podiam dar as costas a essa influência arrebatadora, principalmente na década de sessenta, quando o mundo assistia a uma reviravolta dos costumes e, no Brasil, cresciam os infames mecanismos de repressão e censura. Para bloquear o avanço desse teatro, estagnar o elo estreito entre o palco e a política, os militares estendem um “cordon sanitaire” entre o público e os artistas. A censura e a perseguição acirram-se.

A classe média se afastou de vez do teatro, influenciada pela campanha que o esquema dominante havia desfechado contra ele, fazendo-o aparecer perante a opinião pública como um antro de perversões, violências e subversão. O mais prudente para o potencial espectador era passar longe das bilheterias.

Não há como negar, que a barulhenta arte do chamado teatro de agressão, assustou bastante o público tradicional, e, em vez de fazer de tudo para não perder o espectador e forçá-lo a participar ativamente dos acontecimentos cênicos, fizeram o inverso, e o assustaram ainda mais, tornando as salas de teatro mais vazias do que nunca.

Teatro Tuca atualmente – Foto: reprodução

Aqui em São Paulo, o teatro TUCA (da universidade PUC-SP) nasceu em 1965, portanto a ditadura já estava instalada. Até 68, ainda foi possível muita peça frontalmente contra o regime militar, e depois do AI 5- em dezembro de 68, tudo ficou mais difícil. Os shows passaram a ser uma alternativa. A MPB era uma possibilidade de protesto. As metáforas permitiam falar o indizível. Mas nem sempre os shows eram liberados e outras vezes havia cortes na programação. A primeira peça exibida no TUCA foi “Morte e Vida Severina”, peça adaptada da obra literária de João Cabral de Melo Neto e de acordo com Ana Salles, da superintendência do TUCA, a obra foi “um texto crítico sobre os flagelados pela seca no NE do Brasil e que abordava a reforma agrária. Para a censura da época, uma peça comprometida com o socialismo representava uma afronta. O sucesso que o grupo fez na França e em vários países europeus trouxe ainda mais vontade de enfrentar os problemas e ir adiante.

A  importância desta peça não está só no resultado, mas no processo de construção. Muitos alunos e professores trabalharam para que ela  existisse: Letras, Direito, Geografia, História… cada faculdade na sua especialidade contribuía para desvendar o texto e o contexto a que se referia. Esta foi a maior inovação. Uma experiência universitária e uma produção coletiva”.

O TUCA também sofreu dois incêndios em 1894, o que quase destruiu o teatro. A caus ado motivo é desconhecia, porém desconfiam de que seja de ato criminoso (e o inquérito policial ainda ficou devendo conclusões). A mídia deu total cobertura ao caos. O teatro funcionou em condições precárias até 2002, onde iniciou-se uma reconstrução e restauração do local, reinaugurando em 22 de agosto de 2003.

Camila Florio, estudante de artes cênicas pela USP, acredita que existem varias peças que marcam a história do teatro de São Paulo, pois foi aqui que nasceram grandes companhias teatros: “peças do TBC (teatro brasileiro de comedia), que foi a companhia paulista pioneira de teatro do século XX e apresentava tanto peças políticas de autoria de dramaturgos brasileiros como, por exemplo, “Eles Nao Usam Black Tie” do Gianfrancesco Guarnieri até clássicos do teatro como “Entre Quatro Paredes de Jean-Paul Sartre”. Também podemos citar a montagem de Macunaíma do diretor Antunes Filho e Vento forte para um Papagaio Subir primeira peça do grupo teatro oficina”, conta.

       Locais como o SESC (que tem diversos espalhados pela cidade de São Paulo), promovem algumas peças a preços baratos ou de graça; entretanto ficam por curtas temporadas. No Brasil, o hábito de ir ao teatro sempre foi restrito a classe média e alta até por conta dos preços altos de uma grande parte das peças e por falta de políticas públicas para tornar o teatro algo menos custoso de se realizar e mais próximos do publico comum. Está havendo uma pequena mudança, entretanto, como não ha muita valorização da cultura no País, muitos preferem gastar o dinheiro com outras coisas principalmente porque muitas vezes o teatro não é uma forma de entretenimento: ele pode ser, mas esse não é o objetivo principal. Além disso, pode lidar com assuntos complexos que necessitam de um maior domínio de linguagem e de referência.

O ator Dudu Pelizzari, de 27 anos, vê a falta de incentivo dos colégios e principalmente dentro de casa. “A falta de retorno financeiro acaba causando desinteresse dos investidores e principalmente de quem faz arte no país. A grande quantidade de entretenimento de fácil acesso, sem nem ao menos precisar sair de casa faz com que o público prefira passar horas na frente de um computador ou assistindo TV, do que ir assistir a algo de boa qualidade no teatro”, lamenta.

A melhor divulgação das peças teatrais é o “boca a boca”. Temos hoje espaço nos principais jornais e revistas. A dificuldade é maior junto ao público jovem – e neste segmento as redes sociais é que funcionam. Mas os jovens parecem estar mais interessados em humor de acordo com Ana Salles. “Veja, os Barbichas estão com um espetáculo no TUCA “O Improvável” que lota todas as quintas-feiras há quase 3 anos. E são  675 lugares. Eles não fazem tijolinho nos jornais nem nas revistas, só usam as redes sociais”.

Quem ama a atuação vive em função de poder sempre estar subindo num palco, e já dizia Machado de Assis que “o melhor drama está no espectador e não no palco”. O tempo passou e passaram muitos dos acontecimentos para essa nossa já histórica falta de memória cultural. Mas o teatro se mantém e se renova a cada dia.

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