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Por Amanda Brandão e Ana Flávia Soares

Internet renunciada por alguns

Viver sem Internet? Para algumas pessoas parece impossível.  Mas engana-se quem acredita que hoje todas as pessoas usam e apreciam a rede, mesmo sendo uma ferramenta presente no nosso dia-a-dia, no ambiente de trabalho, no celular e principalmente, nos encontros com os amigos. Ainda assim, existem aquelas pessoas que não veêm utilidade no principal instrummento da globalização. Essas, estão espalhadas por muitos lugares do Brasil. Alguns afirmam que a Internet não veio para interagir ou tentar aproximar, mas sim para separar. Claro, é preciso ressaltar que existem pessoas que não utilizam a internet por não poderem ter acesso, ou simplesmente, por não saber utilizá-la.

A pesquisa mais recente realizada pelo Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra à Domicílio)  revelou que em 2008, 105 milhões de brasileiros, na faixa etária de dez anos ou mais, ainda não acessavam a Internet. O percentual de pessoas que não achavam necessário ou não queriam acessar a web foi o que mais aumentou de 20,9% em 2005 para 32,8% em 2008. Outro percentual que também aumentou foi pessoas que declaravam não saber utilizá-la, de 20,6% em 2005 e crescendo para 31,6% em 2008.

O custo de um computador, também citado como impeditivo para o acesso à Internet na pesquisa, caiu de 9,1% em 2005 e 1,7% em 2008, nos estados do Nordeste, Alagoas (48,3%), Rondônia (43,5%) e Acre (47,5%), onde tiveram os maiores percentuais de pessoas que não utilizam a rede pois não tinham acesso a um computador. Os estudantes que não utilizam a rede também apresentam como principal motivo o fato de não ter acesso a este aparelho (46,9%).

Já no Rio de Janeiro o principal motivo foi não achar necessário ou não querer (45,1%). Os que não acessaram a Internet porque não achavam necessário ou não queriam e os que não sabiam utilizar a Internet apresentavam idades médias mais elevadas (44,1 e 45,2 anos, respectivamente) do que aqueles que alegaram os demais motivos. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), em 2005,  680 milhões de pessoas, cerca de 12% da população do planeta utilizavam a internet. Hoje esse número dobrou, cerca de 2 bilhões de pessoas estão conectadas em todo o mundo.

Atualmente rede mundial não é mais encarada como um socializador através das redes sociais, mas é também um uso obrigatório em várias situações do dia-a-dia, como por exemplo, pessoas que pensam em se inscrever em um concurso público, fazer faculdade à distância ou até mesmo, trabalhar com isso. Diante de tamanha importância que hoje a Internet tem, o que pensam as pessoas que não querem acessar o mundo virtual? Acredite, elas ficam bem, e muito bem. Afirmam que não sentem falta e principalmente, que é totalmente possível viver desconectado e mantendo relações saudáveis.

A tecnologia não veio para resolver a vida, mas para acelerar os processos. Para conseguir a interação e o resultado, é preciso interagir com as pessoas e não com os computadores. E é justamente neste ponto, que as pessoas que não usam a internet hoje se encaixam. Elas acreditam que a interação acontece em presença, em uma conversa que acontece “ao vivo e á cores” e não através de computadores, ou de uma rede que possibilite isso. É completamente viável manter relações ou marcar encontros sem o Facebook. Conversar com quem está longe sem utilizar o Skype. Contar o que está pensando sem o Twitter, receber correspondências através dos correios e não apenas dos e-mails, e receber notícias apenas através do jornal impresso e a da televisão. E assim é a vida das pessoas que não querem usar a Internet.

Maria Aparecida, 51 anos, empresária, afirma que não usa a Internet porque não vê interesse ou necessidade. “Gosto raramente de entrar em jornais, mas só isso. Não sei mexer e não tenho vontade de aprender. Se quero conversar com meu amigo, ou ver minhas filhas, vou até elas ou faço uma ligação. Esse negócio que Internet aproxima as pessoas é mentira. Elas continuam longe da gente do mesmo jeito.” Maria afirma que hoje a Internet está mudando as relações e o modo como as coisas sempre fluíram, e que isso é algo negativo para a sociedade. “Antes quando as crianças chegavam da escola elas queriam ir para casa brincar de escolhinha, pique-pega ou esconde-esconde. Hoje elas querem mexer no computador, jogar jogos ou até mesmo, mexer no Facebook. A infância não é mais brincar, mas digitar.” Maria também é categórica ao dizer que “Sente muito por elas”, porque se soubessem o valor que a infância tem, jamais viriam na internet uma fonte de brincadeira.

Assim como Maria, existem muitas outras pessoas que preferem manter uma certa distância da web e seus recursos, como Charles Judica, 43 anos, professor de História, que declara ser adepto a “moda antiga”, marcando encontros pelo telefone e usando jornal em folhas para se manter informado. O entrevistado se diz obrigado de certa forma a usar a rede em algumas circunstâncias de trabalho, pelas coisas que ali são impostas, como por exemplo receber um email. Porém, só faz esse uso pontualmente, no mais age e pensa da maneira que fazia quando não existia a Internet, vendo isso  como uma maneira de simplificar a sua vida.

Mesmo com essa renúncia Charles não é um pessimista ao analisar o crescimento que essa modernidade traz para a era em que vivemos, diz que há sim uma vantagem prescrita no uso da rede, na qual se pode ganhar tempo utilizando-a e também interagir com pessoas que estão a longas distâncias, além de por ser um instrumento de “fácil acesso”, presente em celulares ou pequenos notebooks por exemplo, as pessoas acabam ganhando tempo na correria do dia-a-dia ao optarem pelo uso da web, e também, economizam dinheiro. O professor é bem sincero ao dizer que não gosta do Facebook e não faz a mínima questão de estar por dentro de uma rede social, prefere contatar as pessoas que gosta pessoalmente, só usa essa socialização a distância em casos muito específicos.

Ao ser questionado sobre como avalia o fenômeno chamado internet, Charles se mostra completamente a favor da relação visual entre pessoas “A internet é realmente importante e não podemos desconsiderar tal situação. Contudo, não se deve atribuir a internet uma importância superestimada. Vale lembrar que o computador não vai substituir as relações publicas. “. Este, é o caso de um morador da maior cidade da América Latina, que tem acesso a internet e prefere manter certa distância da mesma, declarando que não sente falta e vê a vida de uma forma mais saudável sem ela. “Não sei muito bem o que é Facebook e as pessoas que eu convivo também não sabem. Mas sempre que preciso fazer alguma coisa na internet, eu vou até a Lan House que fica perto de casa”, Inês Aparecida, 29 anos, é uma das pessoas que não acessam a internet por não terem acesso a um computador. Inês, auxiliar doméstica, assume ser interessada pelo mundo virtual, desde as informações que a internet pode trazer para cada um, até as músicas que ela pode ouvir com um simples toque no “Youtube” mas a sua visita na internet é muito rara, mesmo com todo interesse.

O crescimento da internet colaborou para o crescimento de diversas redes sociais que apareceram com o longo do tempo. Essas, que são vistas como um dos maiores colaboradores até para publicidades empresariais, também encontram seus inimigos pelas ruas, aqueles que abominam redes sociais mesmo utilizando seus tradicionais emails para contatar pessoas. “O maior mal da internet são suas redes sociais” Mauricio Lima, 50 anos, se declara o pior inimigo do Facebook, recusa-se a entrar na rede por qualquer motivo que seja, dizendo que essas redes sociais servem apenas para expor as pessoas e não para uni-las, pois ali pessoas que nem ao menos se conhecem sabem da vida uma das outras.

Edna Aparecida, 52 anos, secretária e moradora do interior de Minas Gerais, afirma que hoje a Internet é sim importante, mas não para ela. Não é algo que faça falta em sua vida, ou então, que possa adquirir importância. Mesmo morando em uma cidade menor e mais calma, Edna afirma que nos dias de hoje a internet veio para firmar laços, o que para ela não tem muito sentido. “No meu tempo, as coisas eram por telefone ou pessoalmente, ninguém precisava de entrar no computador. Hoje continuo com o mesmo método e não perdi nenhum amigo. Nos encontramos do mesmo jeito.” Mesmo a cidade onde mora sendo menor, Edna afirma que não entende como algumas pessoas encaram sua escolha como algo “radical”, o que para ela, viver sem internet é extremamente normal.

As relações também foram outro ponto que perderam muito com a chegada da internet. Hoje é possível  conhecer uma pessoa, namorar ela e terminar o “relacionamento”, tudo através da internet. Você está longe, mas está com ela. Não conhece, nunca a viu, mas sente algo por ela. E depois, mesmo sem nem ao menos se terem visto, você se cansa e termina com ela. E é assim. Friamente, sem toque ou presença, é possível você “amar” e “conhecer” pessoas.

Se é bom ou ruim não acessar web isso fica á critério de cada pessoa. Mas, é importante lembrar que os computadores, a tecnologia e a internet veio para aprimorar, facilitar e acelerar; e não tomar os nossos papéis ou comandos. Somos nós os donos da rede e não ao contrário. Não podemos desmerecer os grandes feitos que aconteceram através da Internet, e principalmente, que ela é sim uma ferramenta importante em nossas vidas. Entretanto, nem todos encaram desta maneira, veêm mais a web como uma imensa rede social do que uma fonte de pesquisa e material interminável.

Em grandes ou pequenas cidades, ainda é capaz de encontrar pessoas que preservam sua maneira de viver afirmando ser o melhor jeito de levar a vida. Pessoas otimistas e que não sentem falta do objeto que às vezes chega a ser doentio e persegue milhares de brasileiros em seu dia-a-dia. Se viver sem a Internet é certo ou errado, ninguém sabe, mas, todos que vivem sem dizem que é perfeitamente possível viver bem, e muito bem.

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