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Por Natacha Mazzaro

A relação entre médico-paciente com a influência da internet (reprodução)

O acesso à Internet tem provocado mudanças na relação médico-paciente. O paciente tem nas mãos o “Doutor Google”, um veículo de pesquisa ilimitado, chegando à consulta com o pré-diagnóstico pronto, com os sintomas, causas e tratamento. Já o médico sente-se obrigado em estar atualizado sobre as mudanças e novidades que surgem dia após dia, seja nos medicamentos e nos tratamentos. Essa relação tornou-se mais dinâmica e houve uma ruptura com aquela antiga relação de dependência entre ambos e de subordinação por parte do paciente sob seu médico. Mas há dúvidas sobre a afirmação de que essa nova relação entre os dois é positiva, sobretudo pela falsa impressão de que é possível substituir o médico.

A relação entre médico-paciente é uma interação que envolve confiança e responsabilidade. Segundo a médica especialista em Medicina Interna e acupuntura, Ivana Abdo Martins, essa relação nasce a partir de vários fatores. São eles: as crenças apostadas do paciente em seu médico, quem o recomendou, a credibilidade do médico para com a comunidade, se no atendimento os horários foram respeitados, se o local transpassa discrição, e se a consulta houve atenção e interesse por parte de ambos. “Há aspectos culturais (os latinos são ávidos por prosa, por aconchego e carinho, os europeus querem objetividade), sociais (classes sociais na mesma cultura exigem  respostas diferentes), de raça e de gênero também. Especialistas lidam com respostas mais específicas que os médicos da área mais geral como a ginecologia, a pediatria e a clinica”, complementa.

E como a internet pode influenciar nessa relação?

Os pacientes hoje se tornaram muito mais ativos para com sua saúde. Utilizam a Internet para pesquisar sobre sintomas, causas, tratamentos e diagnósticos, além de verificar se o que o médico lhe disse corresponde com o que a web lhe apresenta. É através da pesquisa que os pacientes vão gerar perguntas, dúvidas, ampliando o diálogo entre os dois, ampliando a autonomia do paciente. A partir da tese de mestrado Navegar é preciso: avaliação de impactos do uso da internet na relação médico-paciente, da pesquisadora e médica Wilma Madeira, que comprova em um estudo feito com 116 pessoas de todas as regiões do Brasil, que mais de 85,4% dos entrevistados acessam a internet após a consulta médica para aprofundar os dados fornecidos pelo especialista. Representado um avanço, já que a informação passa a ser percebida como um direito do paciente, agindo ativamente nas decisões sobre sua própria saúde.

Segundo Ivana, “a Internet traz conquistas incríveis em diversos níveis e provoca uma revolução sobre o saber”. Os médicos também estão utilizando a rede como fonte de pesquisas, estendendo o saber específico, mantendo-se atualizados com as práticas médicas. Essa busca para estar sempre atualizados é fundamental para manter a credibilidade do médico com seus pacientes. “Confesso na frente do paciente numa unidade de saúde ou no consultório: “Deixe ver, nunca ouvi falar desse medicamento” e o Google resolve de imediato. Longe de me acharem ignorante, mas sim, motivada, ágil e resolutiva”, confessa Ivana.

A médica ainda revela que há muitos sites que contribuem para a pesquisa e atualização, principalmente aqueles que disponibilizam artigos médicos. Bons hospitais e universidades oferecem ótimos sites, como o do Hospital Albert Einstein e do site da Faculdade de Medicina, UFMG, ou da Universidade de Medicina de São Paulo. Há blogs como de o “Medicina baseada em evidências” de um cardiologista da Universidade da Bahia que apresenta para seus leitores atualizações de maneira criteriosa e o site de educação em saúde do Doutor Drauzio Varela, que é construído em forma de perguntas e respostas em uma linguagem simples e direta. Além de muitos médicos adotarem as Redes Sociais, como uma maneira de aumentar sua acessibilidade com seus pacientes e a fim de trocar experiências e informações não apenas com outros integrantes das comunidades que está inserido, mas com a comunidade científica do mundo inteiro, tornando-se o “médico online”. Porém, vale destacar que o Código de Ética Médica é bem rigorosa na questão da privacidade do paciente e do comportamento dos profissionais da Medicina perante a Internet. Caso haja qualquer falta grave, de desrespeito com o paciente, ou fazer uso da internet de forma sensacionalista, ou promocional, ou também, consultar, diagnosticar e prescrever através dos meios de comunicação, poderá acarretar a suspensão imediata do exercício profissional.

Alerta

 É importante salientar que o uso da Internet deve ser cauteloso, já que devido a sua abrangência de informações, estão espalhadas muitas informações erradas, mitos e recomendações equivocadas sobre os diagnóstico e tratamentos. Além da automedicação sem acompanhamento médico, podendo levar a morte rápida, como por exemplo, se ocasionar um choque anafilático, ou o tratamento de doenças erradas.

Muitos sites hoje oferecem diagnósticos médicos gratuitos, como, por exemplo: Planeta Médico (http://www.planetamedico.com.br/), o MySpine (www.mycommunity.com.br/myspine), o Meu Prontuário (http://www.meuprontuario.net/), o Sermo (http://www.sermo.com/), uma rede originária dos Estados Unidos que conta com mais de 115 mil membros, o Diagnósticos Médicos (http://www.diagnosticosmedicos.com/inicio.html) e também o MEDgle (http://www.medgle.com/#start), no qual o paciente escreve seus sintomas e os sites indicam os prováveis diagnósticos, com a descrição completa da doença e seus possíveis tratamentos e medicamentos, um prato cheio para o aumento das neuroses e para os hipocondríacos.

Por isso o uso da rede deve ser pensado e feito com responsabilidade. Ao mesmo tempo em que ela tornou-se um canal de autonomia do paciente, quebrando com o monopólio do poder de conhecimento dos médicos, ela pode ser um veículo de uso promocional de empresas comerciais, interessadas na divulgação de medicamentos e novas tecnologias que levem a buscar seus produtos. Ao contrário dos que acreditam que a Internet ocasiona a desprofissionalização do médico, ela age de maneira inversa, aumentando o interesse dos profissionais de estarem sempre atualizados nas novidades do universo da saúde e que fortalece a profissão e o saber médico. Além de melhorar a relação médico-paciente, já que ambos procuram o conhecimento. Mas é importante ressaltar que em momento algum ela poderá substituir a presença física do médico, sendo de essencial importância a consulta e o atendimento médico.

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