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Por Giulia Simcsik

Casamento. O famoso vínculo afetivo e social entre duas pessoas, hoje até do mesmo sexo, reconhecido pelo governo, pela igreja e/ou pela sociedade. Ocorre por motivos diversos, desde amor verdadeiro, até tentativa de estabilidade e obtenção de direitos.

Independentemente do amor ter virado paixão, da mulher ter se tornado mãe, da vida ter se tornado uma rotina interminável, o casamento deve ser feliz. Marido e mulher precisam manter diálogos francos e sinceros sobre tudo, afinal, dividem uma vida; precisam se colocar um no lugar do outro e tentar sair da rotina quando possível, precisam tentar preservar a relação, sempre se lembrando do que pode agradar ou incomodar o cônjuge, e, acima de tudo, precisam se respeitar e permanecer unidos, não apenas fisicamente, como também mentalmente.

 A partir do momento que isso não acontece, e/ou com a intervenção de outros fatores, externos, como uma gravidez indesejada ou uma traição, por exemplo, e internos, como a extinção do amor e todas as consequências que essa extinção acarreta, como falta de respeito e de consideração, principalmente. A melhor solução é a separação ou o divórcio. Quantos livros nos catálogos das mais famosas livrarias anunciam: o casamento perfeito, um casal feliz, como ser feliz dentro do casamento. Mal sabem eles que, se o casamento não possui fundamentos básicos, nada disso é possível e, melhor do que fingir a felicidade, é ser feliz sozinho. 

Numa sociedade tão superficial, que considera tudo descartável, inclusive a construção de uma relação intima, na qual, duas pessoas tem a eterna missão de aperfeiçoar a convivência mútua, não apenas as compras foram facilitadas pela Internet, os tratamentos médicos pelas vastas pesquisas e a comunicação pelo telefone; o divórcio e/ou a separação também foram facilitados. Facilitadissimos. E pela lei. 

Foto: reprodução

Separação e divórcio não são uma coisa só, porém são semelhantes e podem, ou não, caminhar juntos. A separação não necessariamente ocorre de maneira oficial, mas o divórcio ocorre. Com ele, o homem e a mulher não precisam mais manter os deveres do casamento e, ambos podem se casar novamente com outros parceiros, na união civil. Separação pode ser simplesmente não morar mais no mesmo ambiente, não dividir mais as atividades, entre outras coisas.  A separação pode referir-se ao afastamento físico e/ou afetivo dos cônjuges, enquanto o divórcio é a separação legalizada e reconhecida.

Carla Lima é independente e bem humorada, tem 37 anos e é mãe de uma linda menina, Gabriela, atualmente com 8 anos. Ela se casou aos 25 e teve sua filha aos 29. Aos 32 se separou do marido. Carla afirma que tanto ela quanto seu marido tinham o gênio muito forte e que toda a relação dos dois se situou entre altos e baixos: “Quando era bom, era muito bom. Quando era ruim era péssimo”. Marido e mulher, após 9 anos juntos, perceberam que o respeito estava se extinguindo e que não havia mais um esforço mútuo para manterem a relação de uma maneira legal. Carla coloca o relacionamento de extremos como algo muito desgastante, “acaba com a energia dos dois”. Como a filha do casal ainda era criança, a mãe afirma que chegou a comentar com ela que o ‘papai’ iria morar em outra casa, mas que, mais tarde, a menina lhe questionou sobre a separação e obteve a seguinte resposta: “nós brigavamos muitos e o papai ir morar em outra casa foi o único jeito da gente continuar amigos e te criar bem”. A pequena entende e acha normal ter pais separados, acredita que quando as pessoas são diferentes o convivio pode ser difícil e, tudo isso, graças às inúmeras conversas que tem com a mãe. Carla e seu ex-marido, são um exemplo de uma separação saudável, eles nunca divergiram sobre a guarda da criança, o estabelecimento das visitas e nem mesmo sobre a pensão que seria paga pelo pai. Ambos cumprem com as obrigações definidas pela separação/divórcio e, atualmente, são amigos. O ex faz questão de morar num apartamento próximo ao que a filha vive com a mãe e,além disso, de visitar a pequena na casa da mãe em alguns momentos. Nenhum dos dois se interessou pelo estabelecimento de regras e a filha, segundo Carla, “vê o pai sempre que quer”, tem um quarto na casa dele e participa de cada resolução sobre a decoração do ambiente. “Sente de verdade que tem duas casas.”

O pai e a mãe de Gabriela, se sentem responsáveis em dar a ela uma formação como pessoa e em prepará-la para enfrentar o mundo. Para o pai, exclusivamente, existe a responsabilidade do pagamento das despesas, apesar de saber que a mãe possui um bom emprego e que pode arcar sozinha com as contas. “Vivemos numa sociedade machista em que o homem é visto como provedor, então acho normal que ele se sinta responsável por financiar a criação da filha.”. Além disso, ambos acreditam que pai e mãe têm a mesma importância na transmissão de valores e na educação de uma criança.

Atualmente, Carla namora, trabalha, e se considera uma mãe sem conflitos. “Consigo dividir meu tempo de um jeito que nenhum aspecto da vida seja prejudicado.”. Ela não tem ressentimentos em relação ao casamento e diz, de maneira despojada, que se casaria muitas vezes se sentisse vontade, “mas não tenho necessidade de marido”.  Maturidade, dedicação, paciência, esforço, são, na sua opinião, exigências de um casamento, “e a gente pode não simplesmente não querer ou não poder dedicar tudo isso em determinados momentos da vida”. Para  Carla todos somos capazes de construir novos relacionamentos  e o contato de um novo parceiro com sua filha deve ser feito de maneira calma e apenas depois que a relação se solidifica. “Costumamos apresentar novos namorados (as) como amigos e, com o tempo, explicamos que o relacionamento se modificou. Fazemos questão que ela (a filha) entenda que ninguém vai ocupar o lugar do pai ou da mãe; que o novo parceiro (a) é companheiro (a) e pode se tornar um amigo para ela”.

“Me divorciaria quantas vezes fosse preciso para ser feliz. Acho que ninguém opder abrir mão da felicidade e que, se a relação vai mal, o divórcio pode ser um caminho”.  – afirma Carla num tom sereno.

Na regra geral, ex-marido e ex-mulher, enfrentam grandes obstáculos até conseguirem concretizar o fim do casamento. Muitas vezes o marido é responsável pela criação da maioria desses obstáculos, por não querem a separação amigável e, concomitantemente, não aceitarem os acordos determinados pela justiça. Outras vezes, a mulher pode ser considerada um obstáculo, por diversos outros motivos, entre eles impedir que a criança se relacione com o pai e com a família paterna.

Principalmente entre aqueles que se casaram a partir da década de 90, a dificuldade de manter um relacionamento é enorme. Isso ocorre principalmente pela banalização do divórcio, obviamente, somada aos fatores já citados, que banalizam o matrimonio, e à coragem dos casais em assumir que a vida a dois não funciona mais e que a felicidade deve ser procurada novamente, pois deixou de existir.

Segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica, há dois anos a taxa de divórcios foi a maior dos últimos 26 e, a cada 1.000 pessoas que são casadas, quase 2 se divorciam. Isso aconteceu tanto por causa da superficialidade que é cada vez maior em nossa sociedade, quanto, principalmente por causa da Emenda Constitucional 66/2010, que eliminou o tempo mínimo necessário de separação precedente da solicitação do divórcio. Vale lembrar que a maioria da população que se casa e se divorcia possui entre 20 e 30 anos, mas para toda regra existem exceções.

Casar deveria ser um ato de amor que, para ser formalizado, deveria exigir uso maior da razão e menor da emoção.Além da falta de amor, de cumplicidade, de respeito, ou de traições e semelhantes, outros motivos que levam a um grande número de divórcios devem ser abordados. São eles: filhos indesejados e agressividade.

No caso de Carolina dos Santos, o divórcio foi uma situação muito delicada e também, infelizmente, já esperada. Carolina se casou aos 25 anos, já mãe de uma menina (na época, com 6 anos). Sua segunda filha chegou quando ela tinha 28, prematura e cheia de complicações, abalou a relação do casal: o pai tinha necessidade constante de viajar a trabalho e, no primeiro ano de vida da menina, essa necessidade aumentou ainda mais.  Três anos mais tarde, após algumas discussões e um período de distanciamento, o casal teve seu terceiro filho. E, acredite se quiser, o menino nasceu extremamente prematuro, foi uma enorme dor de cabeça e uma gigantesca batalha. É chamado, pelos pais, de ‘milagre’. Mas não foi, e nem poderia, ser utilizado por ambos, como um motivo para manterem a união, que ficou cada vez mais enfraquecida.  Após 10 anos de relacionamento o casal se divorciou e, para Carolina, o divórcio trouxe um salto na qualidade de vida, “divórcio não é uma coisa feliz e também não é solução para muitos problemas que surgem durante o casamento, mas se não há outra maneira, pode ser uma nova chance de felicidade na vida dos dois.”. Com a alta maré que o casal enfrentou durante o divórcio, Carolina afirma que só conseguiu se relacionar com o marido tempos depois, “quando as mágoas melhoraram”. O ex não aceitou a guarda compartilhada e o valor estipulado para pagamento de pensão, mas atualmente, ambos cumprem com suas obrigações, após muitas visitas ao cartório e muitos acordos com e sem suporte de advogado.

Carolina não se sente feliz em abordar os papeis determinados para ela, como mãe, e para o ex, como pai. Ela se diz provedora, 100% responsável pelo suporte emocional e pelo dia a dia das crianças e enfatiza a participação de sua mãe e da babá nessa rotina. Magoada, ela afirma que sempre deu espaço para o pai, mas que ele não interefere mais por que não faz questão dessa interferência.

Na opinião de Carolina, durante seu relacionamento, foram cometidos alguns erros que ela diz tentar evitar atualmente, com seu novo namorado. Para ela, nos dias de hoje, a família está preparada para mudanças, quando elas são realizadas com respeito e com calma, logo, é normal introduzir um novo parceiro no convívio de todos, porém, isso só deve ocorrer, quando ambos estiverem certos de que vão ficar juntos, “pelo menos por um bom tempo.”.

“Separação nunca é algo bom, mas pode não ser traumatizante se você não colocar expectativas ou raiva nela.”, afirma Carolina.

O ex-marido de Carolina, Rodrigo Amaral, também deu seu depoimento ao Protottipo. Disse que ele e a mulher, em certo momento, se deram conta de que tinham cuidado muito de outras coisas e pouco do casamento: “percebemos que mal nos conhecíamos”, diz, sem rancor. Ele diz ter consciência de que as brigas eram frequentes e que, acima de todos os outros motivos, a falta de intimidade foi o mais determinante para a separação, “nós esquecemos e cuidar de nós, do nosso casamento, do respeito mútuo… Depois já era tarde para resgatar o que se havia perdido”. Para Rodrigo a notícia da separação, dada aos filhos, foi merda formalidade: “eles já viam e sabiam que aquilo já estava acabado. Me lembro de ter conversado com eles para dizer que estava saindo de casa e que isso não mudaria nada entre nós, eles apenas teriam uma casa a mais.”. Ele afirma, assim como Carolina, que houve muitos conflitos e diz ter tentado poupar os filhos de confusões que ele julgava cada vez mais frequentes e intensas. Além disso, para Rodrigo a convivência com as crianças e com sua mãe melhorou após a separação; em paz é a expressão que ele utiliza para definir a relação ex marido – ex mulher atualmente, “conseguimos conversar como duas pessoas civilizadas que somos”. Quanto a profissão e ao fato de viajar muito, Rodrigo diz que sua consciência está tranquila. E quando relaciona isso aos seu papel como pai e a seus deveres legais, diz cumprir com as obrigações legais e ser provedor. “Mas é minha profissão. Não tenho como mudar.”.

Rodrigo se casou novamente com a única mulher que apresentou aos filhos, simplesmente pelo principio de que só apresentaria aos filhos a pessoa que seria sua mulher. “Tive algumas namoradas depois de separado que não conheceram meus filhos, apesar de insistirem nisso.”. Para ele, a apresentação da parceira foi algo planejado e muito conversado. “Contei a eles que tinha conhecido uma pessoa que gostaria que eles conhecessem. Quando senti que eles estavam prontos, realizei a apresentação”.

O distanciamento entre Rodrigo e os filhos fica evidente quando, conversando sobre as lições aprendidas com o casamento e com o divórcio, ele afirma ainda não ter transmitido nenhuma delas para os filhos “Mas gostaria de transmtir que eles têm o direito de serem felizes e de refazerem suas vidas. Gostaria também de deixar claro que meu amor por eles não muda uma vírgula se quer.”. Rodrigo adoraria ter uma vida mais tranquila em relação ao trabalho para que as crianças pudessem viver com o pai. Mas, logo após realizar essa afirmação, diz que sua vida está boa e que não pode reclamar.

“Não consigo enxergar o casamento como uma instituição falida. Quanto ao divórcio, nunca é uma situação pela qual gostamos de passar. Um rompimento tem sempre a sensação de fracasso, pois não se entra num casamento pensando no fim dele, apesar de, em muitos casos, ser a melhor solução.”, ratifica Rodrigo enquanto fuma um cigarro sentado no sofá do apartamento de 130m², que divide com a atual esposa, nos Jardins.

Conseqüências como o aumento do peso corporal dos ex-casados; a maior facilidade de desenvolvimento de doenças crônicas, e o desenvolvimento de doenças psicológicas são perceptíveis. O que muitos não percebem são os corolários aos filhos dos casais já separados, se a abordagem dada ao divórcio e a reação desses pais não são realizadas de maneira correta. Crianças que possuem entre 8 e 12 anos reagem demonstrando ansiedade e solidão, por não poderem fazer nada em relação ao afastamento dos pais. Muitas vezes, o desempenho escolar e social dessas crianças também é afetado. Adolescentes, com mais de 12 anos, as vezes se sentem depressivos e, muitas vezes, ficam desorganizados. Se o divórcio ocorre por causa de uma gravidez indesejada, é grande a probabilidade de, ou o pai, ou a mãe, se afastarem da criança e deixarem sua criação por conta de outra pessoa. Já no caso de o divórcio ocorrer devido agressões, caso não haja interpelação correta, o (a) filho (a) do casal pode se tornar igualmente agressivo.

Foto: reprodução

Dra. Olga Inês Tessari, psicóloga, psicoterapeuta e pesquisadora, além de escritora e figura conhecida nas mídias, afirma que os filhos, durante conflitos entre os pais, se sentem responsáveis a assumir uma posição (para um lado ou para o outro) e, muitas vezes, são usados como chantagem entre o casal. São muitos os cônjuges que só se mantém unidos por causa dos filhos e isso também não é saudável; na maioria das vezes, uma separação realizada corretamente e com ética pode ser mais conveniente.

Segundo Dra. Tessari, mulheres que se separam de seus maridos chantageiam-nos, utilizando os filhos, além de transformar seus herdeiros em fontes de informação sobre o pai. Entre os homens, é mais comum o afastamento e até mesmo a perda total de contato com os filhos, ou o excesso de agrados e atenção, decorrente da culpa pela separação, que transforma-os em pessoas mimadas. Caso a separação aconteça, os pais são obrigados a evitar ao máximo consequências ruins aos filhos: “os pais separados nunca deveriam: falar mal um do outro para os filhos, usar os filhos como espiões para saber da vida do outro, fazer chantagens, tirar a autoridade do ex-conjuge”, afirma a médica. Diálogos, limites, educação conjunta e contato frequente são fundamentais.

Pedro, atualmente com 21 anos, enfrentou o divórcio de seus pais aos 15. Para ele, mesmo quando as coisas não caminhavam bem, os pais transmitiam uma imagem de família perfeita. As brigas frequentes, a visão de mundo sui generis e os objetivos diferentes motivaram a separação. O pai desejava adquirir bens, economizar dinheiro, enquanto a mãe planejava viajens e outras maneiras de aproveitar melhor a vida.

Para Pedro e para sua irmã, três anos mais nova, os pais avisaram, ao longo de um período, que algumas coisas na casa iriam mudar, mas não diziam o que era. “Então do nada informaram que iriam se separar”, diz Pedro. Nem o pai nem a mãe se comunicaram muito com os filhos durante o processo de separação, o pai se afastou e relação entre ele e as crianças esfriou.

“Com o passar do tempo, demonstraram que apesar da separação a história deles valeu a pena, pois tudo o que eles tem hoje, construíram juntos. Estudaram juntos no colégio e na faculdade, muitas vezes trabalharam juntos também”, Pedro demonstra compreensão. “A separação foi amigável, o meu pai deixou tudo para minha mãe. Ele nos deu o apartamento que tinha acabado de comprar, construído recentemente, e nós fomos morar lá com nossa mãe. Ele foi morar no apartamento antigo.”.

Tanto para Pedro e para sua irmã, como para, pelo menos 90% das crianças que possuem pais divorciados, a separação foi um período de sofrimento e muito encomodo: “minha mãe chorava constantemente e eu também. Já minha irmã sofria mais calada. Só depois de muito tempo eu percebi que ela também não estava bem”.  Atualmente, já amadurecido, Pedro não tem dificuldade em aceitar o fato de o pai ou a mãe iniciarem novos relacionamentos e diz que buscar a felicidade amorosa é um direito que ambos têm, com a seguinte ressalva: “se eu achar que meus pais estão insatisfeitos, não tem como eu gostar deles (os parceiros). Sorrindo, afirma que não se envolve na escolha dessas companhias: “meus pais são financeiramente estáveis, o dinheiro não importa. A beleza física, muito menos, até por que isso são eles que devem escolher”. O garoto é um exemplo de quem acredita que ninguém pode substituir a mãe ou o pai: “se eles quiserem falar alguma coisa ou dar algum conselho, que seja como amigos, não mais do que isso.”.

“Agora eu vejo que (o divórcio) foi uma coisa boa, principalmente para minha mãe, que parece estar recuperando a alegria. Foi ótimo também para eu me aproximar mais da minha mãe e da minha irmã. Hoje é indiferente para mim eles estarem separados e minha relação com meu pai é uma relação pai-filho, até por que não tem como ser a mesma já que na época da separação eu era um moleque, que precisava do pai muito mais do que agora.”

Existe vida no casamento, quando ele é, independentemente de seguir, ou não, as tradições, sinceramente feliz. Mas, é possível afirmar que, sim, existe vida após a separação! Nem um, nem outro, deixou de ser quem sempre foi e deixou de ter sua personalidade (apesar de achar que sim, por ela ter caído no esquecimento). Tanto o ex-marido, quanto a ex-mulher, podem voltar a ser apenas um homem e uma mulher, vivendo uma vida normal e conquistando suas respectivas independências. Um casamento, conforme dita a sociedade, é ótimo! Mas separação e/ou divórcio não são sinais de fim do mundo.

Ninguém deve esconder a separação, pelo contrário, é essencial reconhecer a perda (ou ganho!), mas sem arrependimentos e é essencial estar aberto para se encantar novamente com atividades, pessoas e gestos, além de colocar sua melhor roupa e sair para um passeio, sozinho ou com amigos.

A psicóloga e psicoterapeuta Renata Kraiser afirma que para digerir os acontecimento é importante falar, reconstruir uma nova identidade e trabalhar a auto-estima. “Com o tempo (…) Na sociedade do imediatismo, queremos tudo para ontem (…) Não é bem assim.”. Para ela, cada individuo tem seu tempo e deve respeita-lo, aproveita-lo para reconhecer os fatos e para realizar um balanço do que viveu e do que deixou de viver.

Claúdia Moraes, escritora e também psicóloga, relembra que o divórcio/separação causam muito stress e impactam todos os setores da vida: “trata-se do fim de um projeto de vida (…) quando há filhos a angústia é maior.”, porém o tempo permite que, nas palavras de Claúdia, o desespero dê lugar à reconstrução. “O divórcio não representa o fim da linha. Como todas as crises, implica um conjunto de desafios e oportunidades (…) Mas há milhões de pessoas felizes que ultrapassaram esses constrangimentos.”.

Em algumas situações, o marido e a mulher que se separam, não possuem apoio da família. Essas pessoas possuem como alternativa desesperada de amparo, instituições especializadas em divórcio e/ou separação. A Organização Não Governamental Apase, Associação de pais e mães separados, ilustra perfeitamente o desespero: via internet e telefone, a instituição faz consultorias sobre alienação parental, guarda compartilhada, pensão alimentícia, entre outros temas frequentes do divórcio, contando com o suporte de Analdino Rodrigues Paulino Neto, o presidente. No website da Apase, além da divulgação do trabalho, aparecem inúmeras entrevistas e vídeos sobre os assuntos; diversos textos em relação a tópicos jurídicos, psicológicos e afetivos; opiniões e testemunhos. Além disso, a “instituição” faz questão de se apresentar e de expor suas parcerias com associações semelhantes na IberoAmérica e na Argentina. E qual não é a surpresa daquele que procura ajuda na APASE, quando digita os números do “disk-ajuda” e o próprio Paulino atende a ligação, seja no meio da rua ou no banheiro de sua casa.

(Ex)emplificando:

Nicole Nunes, portuguesa, de 20 e poucos anos, é, hoje em dia, blogueira. Após o término de seu casamento, poucos anos atrás, Nicole tentou sucidio mais de uma vez e entrou em profunda depressão. Quando se deu conta de que era possível voltar a sorrir, aderiu seu espaço gratuito na web e lhe atribuiu o seguinte título: “Depois do divórcio, voltar a viver”. Durante dois anos, sob o status de alguém que esteve no fundo do poço, mas sobreviveu, Nicole narrou a particular aventura pós-casamento; partindo de uma poesia escrita por Charles Chaplin, que diz: Viva! Bom mesmo é ir a luta com determinação. Em seguida, passando por postagens relativamente longas, responsáveis por narrações de primeiras situações vividas sem o amado, declarações de amor eterno, abordagens à filha, momentos de solidão e intermináveis balanços da vida. E, por fim, apresentando, consolada, um resumo de seu ultimo encontro com o ex-marido, acompanhado pela nova companheira. A música preferida de Nicole é ‘I Will Survive’, de Gloria Gaynor. Abaixo, a comparação:

Em outubro de 2008, no inicio do blog:

O primeiro post de Nicole explica: “A razão que me levou a criar este blog, é muito simples, desabafo, e se calhar existe a remota hipótese de alguém ler aquilo que escrevo e esteja a passar por igual situação, e eu sou a testemunha viva de que, doí, doí muito um divorcio, principalmente quando ainda se ama, mas agente sobrevive.”

No segundo, a inevitável dor: “Eu nunca te trocava por nada. Prometeste-me que seria até que a morte nos separasse (…) E se um dia reconsiderares, se algum dia quiseres voltar, eu te irei receber. Nunca falarei do passado. Mas resgatarei os sonhos por anos adormecidos e farei deles o meu lema de vida. Só então voltarei a sorrir, só então adormecerei feliz. Provavelmente estou louca por te amar assim. Pois assim seja serei louca toda a vida. Pois toda a vida te amarei.”

Em novembro de 2009, após nove meses sem atualizações:

A blogueira se mostra outra pessoa: “A minha vida deu mais uma volta de 180 graus. Mudei de emprego e, graças a isso voltei a ter uma enorme vontade de viver. Parece um tanto ao quanto exagerado mas na realidade assim não é. Deixei de passar os dias sozinha num escritório para estar rodeada de gente o dia todo. Graças ao meu empenho e muita força de vontade fui promovida e hoje sou responsável por uma equipa de trabalho o que me dá muito que fazer, mas também um enorme prazer. (…) Quanto ao ex, descobri muitas coisas interessantes (…) Como ele continua a se recusar a falar comigo, agora é a irmã que liga para mim.

Fonte: http://nicolenunes.blogspot.com.br/

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