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Por Cristiano Síndici Hernandes

A Reuters, 18/9, publicou a descoberta de um papiro cóptico do século 4, recentemente apresentado por uma professora da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Karen King, que diz que Jesus Cristo tinha uma mulher. A manchete da Reuters foi combustível para o sensacionalismo. A notícia espalhou-se como incêndio na imprensa. O papiro cóptico sobre a “esposa” de Jesus é chocante o suficiente para despertar suspeitas de fraude, coisa comum em se tratando de artefatos que se dizem bíblicos.O jornal vaticano “L’Osservatore Romano”, 27/9, afirmou que o papiro cóptico é “falso”. A própria Karen ressaltou que a descoberta não é conclusiva sobre o estado conjugal de Jesus. “Quero deixar bem claro que esse trecho não nos dá evidência de que Jesus fosse ou não casado”, afirmou ela.O jornal vaticano acrescentou que a professora americana preparou o anúncio “sem deixar nada ao acaso: imprensa americana avisada e entrevista coletiva prévia de King para preparar a exclusiva mundial, que, no entanto, foi posta em dúvida pelos especialistas”.”Para mim não é nenhuma novidade, acontece que a maioria dos manuscritos confiáveis não faz nenhuma referência ao estado civil de Jesus como casado, Jesus era solteiro. Não posso ignorar todo material encontrado e pesquisado anteriormente. Até o autor do livro O Código Da Vinci teve que dar explicações e retirar algumas afirmações que foram feitas em sua obra a respeito da vida de Jesus, afirmações que não procediam. Fazer afirmações infundadas é fácil, difícil é comprová-las”, disse o Pastor Presbiteriano Danillo Scarpelli Dourado, Capelão da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Resumindo, um dos critérios científicos para lidar com os achados é a ‘unidade na diversidade’: os achados são acompanhados, suas informações cruzadas e não entram em contradição. O Casamento é instituição e desejo de Deus, ele o faz e o abençoa, mas, no caso de Cristo, ele era comprovadamente solteiro”, completou o Pastor Scarpelli.Karen King disse esperar que o achado ajude teólogos e cristãos a debater questões sobre sexualidade e o papel das mulheres.
“A declaração da referida professora de Harvard em nada muda as orientações do Vaticano sobre Jesus e a questão da sexualidade na forma que a Igreja a encara. A opção pela castidade é, ainda, uma decisão norteadora da vocação sacerdotal, que, na verdade, é uma opção eclesial”, disse o Dr. Jarbas Vargas Nascimento, Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP.
As teorias da conspiração estão mais uma vez na moda; e movidas com o combustível mais inflamável deste começo de milênio: a religião. Depois de O Código Da Vinci – o best-seller que vendeu mais de 60 milhões de exemplares em todo mundo e virou filme estrelado por Tom Hanks – ter alardeado que Jesus Cristo e Maria Madalena eram casados, chegou a vez do misterioso fragmento cóptico sugerir que Jesus seria casado. A Igreja é acusada de perseguir a verdade e manipular os fiéis, para manter seu poder. Tudo que é ensinado sobre Jesus Cristo é “falso”.
Deixando de lado o sensacionalismo que a imprensa tem feito em torno do fragmento cóptico sobre a “esposa” de Jesus, o Pastor Batista, Teólogo e Professor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo – FTBSP – Dr. Haroldo Rosendo Rico se empenhou na missão de separar a realidade e ficção.
PROTOTTIPO – Fale um pouco mais sobre essa questão, no âmbito acadêmico teológico.
HAROLDO ROSENDO RICO – A Resenha Teológica da Universidade de Harvard decidiu pela não publicação do artigo de Karen King sobre o fragmento de papiro cóptico sobre a suposta esposa de Jesus sob alegação de sua falta de comprovação de autenticidade.
Há manifestações de eruditos e especialistas em estudos cópticos?
Por outro lado, o Dr. Craig Evans, emérito Professor de Novo Testamento da Universidade de Arcádia e da Faculdade Divinity, e os seguintes eruditos: Helmut Koesler (Universidade de Harvard), Bentley Laygton (Universidade de Yale), Stephen Emmet (Universidade de Munique) e Gesine Robinson (Universidade de Clermont), todos especialistas de primeira linha em estudos cópticos, examinaram o fragmento e não se convenceram de sua autenticidade.
Há algum aspecto a acrescentar?
Há um aspecto interessante a considerar: as notícias rumorosas a respeito desse fragmento voaram rapidamente, pouco mais de dez dias, na mídia com discussões calorosas. É tempo muito curto para que se saiba o que é e o que não é a respeito do fragmento em si, quanto mais da verdade de seu conteúdo. Isso é inescapável.
Há alguma influência decorrente da filosofia/visão de mundo de quem pesquisa?
O fato é que muitos pesquisadores abordam a temática a respeito de Jesus a partir de pressuposições e cosmovisões antibíblicas e manifestamente anticristãs. Perdem, assim a natural isenção para avaliar e, ainda menos, lançar juízos de valor sobre os fatos.
Para os tais, qualquer coisa que supostamente se contraponha ao testemunho da fé cristã, por improvável, e absurdo, e duvidoso que seja, mesmo que uma frase solta em um documento antigo, é suficiente para “derrubar” os fundamentos históricos da fé cristã.
E a cosmovisão cristã do pesquisador teológico?
É uma coisa maravilhosa ser crente em Jesus. Se este fragmento cóptico é verdadeiro ou falso, a fé cristã se fundamenta em dezenas de milhares de manuscritos comprovadamente autênticos que testemunham a historicidade e autenticidade da pessoa de Cristo, ou do Jesus histórico.
“Descobertas” como essa da Profa. Karen King não oferecem ameaça real nenhuma para a fé cristã. Tudo aqui repousa por enquanto unicamente na credibilidade de Karen King.
Não é a primeira nem a segunda vez que os dados bíblicos serão desafiados e cada vez que isso tem acontecido somente tem cooperado para autenticar e destacar a fidedignidade das Escrituras.
A Bíblia não precisa de advogados, ela se defende por si mesma, pois é a Palavra de Deus, infalível, suficiente e inerrante. “A Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do que a espada de dois gumes; penetra entre a divisão da alma e do espírito, entre as juntas e medulas e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4.12).
As Escrituras testificam de Jesus e o apresentam como nosso único, eterno e suficiente Salvador. Ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Duas naturezas numa só pessoa, que veio ao mundo para buscar e salvar o que se havia perdido. Para isso veio, para isso se fez carne, para dar a sua vida em nosso resgate e tirar nossos pecados.
Qual a natureza da fé cristã?
Esse é um discernimento espiritual, que é comunicado a nós pelo ouvir a Palavra de Deus. A fé vem pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus. Essa fé não é um salto no escuro, pelo contrário, se fundamenta em fatos testemunhados por todos os meios aceitos para credibilidade histórica. Essa fé não é irracional, ou seja, não é contrária à razão, porém supra-racional, por isso que parte da razão, mas vai além dela.
Fatos como esse, oferecido pelo fragmento de Karen King, acabam por chamar atenção sobre a pessoa de Cristo e, quando isso acontece, muita gente pode se converter ao procurar saber mais a Seu respeito.
YELLOW KID
 
O termo imprensa amarela apareceu em 1893, nos Estados Unidos, quando o jornal New York World instalou uma impressora a cores. Benjamin Bem-Day, um dos técnicos do jornal, quis testar a máquina imprimindo em cor amarela o camisolão de um herói de História em Quadrinhos que se tornaria famoso com o nome de Yellow Kid. Logo o jornal se tornava popular por causa das histórias em quadrinhos e das cores, desagradando, porém, certos leitores conservadores que achavam que a popularização do periódico tinha sido conseguida à custa de sensacionalismo. A partir daí, começaram a chamar de imprensa amarela o jornalismo que apela para notícias duvidosas ou falsas, para fazer furor e impressionar o público.
No Brasil, jornalismo marrom é sinônimo de imprensa amarela. Tudo é apenas questão de cor, pois o conteúdo é o mesmo.
  
      
 
 

 

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