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Por Carolina Veneroso

Quase a totalidade dos consumidores desconhece o modo como foi testado o produto que está comprando. Maquiagem, remédios, alimentos entre outros chegam às prateleiras depois do sofrimento de milhões de animais que serviram como cobaias dos testes. Os resultados obtidos nos laboratórios isão extrapolados para humanos, e sua eficácia está sendo cada vez mais questionada. Este é o tema principal do documentário “Não Matarás – os animais e os homens nos bastidores da ciência”, feito pelo Instituto Nina Rosa, um olhar abrangente sobre o sistema que mata mais do que salva. É um documentário muito, muito forte, mas muda a visão de qualquer um sobre várias coisas. O Instituto Nina Rosa é uma organização independente, sem fins lucrativos, que atua voluntariamente, com autonomia. Desde 2000 promovem conhecimento sobre defesa animal, consumo sem crueldade e vegetarianismo. Thales Tréz, biólogo e professor da UNIFAL – MG, explica o que é vivisseção, que acontece nos cursos de Biologia, Medicina, e áreas da saúde, que nada mais é do que abrir o animal vivo ou causar algum dano para ilustrar algum tipo de conhecimento para depois é jogá-lo no lixo. Vivisseção = CORTAR VIVO. Thales conta que são usados vários tipo de animais e que o objetivo é afastar o sinal de compaixão que o aluno possa ter ao animal e passar a vê-lo como objeto. “No começo o estudante se sente mal, mas com a repetição ele passa a sublimar isso”. Thales conta também que desde 1976 quando a primeira Lei de Proteção aos animais foi criada na Inglaterra, as Faculdades de lá não usam mais animais nos cursos de Medicina, Bilogia etc, e que nos EUA a tendência é que isso vá sumindo também, 90% das faculdade não usam mais, mas no Brasil é diferente.

Qualquer mau- trato a qualquer tipo de animais é crime. A Lei Federal das Contravenções penais 6.638/79

Artigo 3º- a vivisseção não será permitida:
I – Sem o emprego de anestesia
II- Em centros de pesquisas e estudo não registrados em órgãos competentes
III- Sem a supervisão de um técnico especializado
IV – Com animais que não tenham permanecido mais de quinze dias em biotérios legalmente autorizados
V- Em estabelecimentos de ensino de primeiro e segundos graus e em quaisquer locais frequentados por menores de idade

A Declaração Universal dos Direitos dos Animais condena qualquer prática que implique em sofrimento animal, sendo para experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação. O biólogo Sérgio Greif afirma que todos os remédios são testados em animais por força de lei, cosméticos não obrigatoriamente, mas acabam sendo testados para alguma segurança jurídica do fabricante. Os remédios são testados nos estômagos dos animais vivos, e os cosméticos nas peles e olhos dos animais tudo para ver o que acontecerá com o ser humano ao tomar o remédio ou usar determinado cosmético, e o mais alarmante: tudo é usado sem anestesia.

A PEA (Projeto Esperança Animal) é uma entidade ambiental, que tem o objetivo de propiciar harmonia entre os seres humanos e o planeta. No site é possível encontrar uma lista de produtos que não são testados em animais, que vai desde alimentos até cosméticos, e uma lista das empresas que não testam em animais. A boa notícia é que as duas listas têm muitos produtos e empresas, mas ainda existem muitas outras conhecidas no mercado que não aparecem.

Empresas que usam animais em testes para seus produtos

A idéia de criar a PEA começou em 1998, com um trabalho de conclusão de curso da então aluna Ana Gabriela de Toledo que deu início a um arrojado projeto voltado para a preservação dos animais silvestres brasileiros, com impactos diretos nos ministérios do Meio Ambiente e do Turismo. Após alguns meses de estudos a iniciativa tomou forma com a criação do nome e do logotipo da entidade. No segundo semestre de 2002 iniciou-se uma seqüência de reuniões com a intenção de aproximar pessoas e originar uma entidade ambiental que atuasse com determinação em busca dos objetivos do grupo. Nesse momento, optou-se por unanimidade em prosseguir com a marca PEA e iniciaram-se imediatamente os trabalhos de desenvolvimento e votações do estatuto interno da entidade. Em 27 de agosto de 2003 a PEA foi oficializada como pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos. Em 14 de setembro de 2005 a PEA recebeu a qualificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), fornecida pelo Ministério da Justiça.

Além dos testes em animais a PEA é contra a eutanásia em animais sadios pelas autoridades públicas. Recomendamos a esterilização e a vacinação como métodos de controle populacional e sanitário de animais domésticos, ao abandono, os maus-tratos e abusos: A PEA luta contra o abandono, o aprisionamento, o espancamento, a mutilação e o envenenamento de animais, além da negligência em prestar cuidados básicos (alimentação e abrigo) e atendimento veterinário.

O uso de animais em entretenimento: circos, rodeios, rinhas, farra do boi, touradas, caça e pesca esportiva, tração etc.. Além do uso de animais em vestuário (peles) e como cobaias em testes e experimentos científicos dolorosos, abusivos e desnecessários. E ao comércio de animais. Marilia Nunes, 27, formada em Jornalismo, desistiu da faculdade de Biologia por presenciar as aulas com testes em animais vivos. ”É cruel, arcaica e ineficiente, matar um para que outros sobrevivam era o que meus professores falavam, e pra mim isso é a maior burrada do mundo! Duvidar, ir contra o professor era pior ainda, eu era humilhada no meio da sala. Isso só vai mudar se os alunos que vivenciam isso se juntarem contra isso!”, conclui Marília.

Na Itália, milhares de pessoas foram às ruas e conseguiram fechar um biotério (lugar que “fabrica” animais) com mais de 2.500 cães da raça Beagle que seriam usados para testes farmacêuticos . Aqui no Brasil, um grande grupo organizou protestos contra o Instituto Royal, localizado em São Roque-SP, que ainda mantém sob tortura atualmente cerca de 60 cachorros da raça Beagle.

Em todo o mundo, especialistas se dividem sobre o papel dos testes em animais no progresso científico. De um lado, há os que dizem que não há condições de haver novas descobertas importantes para a saúde humana sem este tipo de prática. Por outro lado, existe o grupo dos que dizem que os testes animais impedem que a ciência evolua, mantendo-a em um ciclo arcaico de práticas sem razão.

Grupos de cientistas favoráveis à testes sem animais usualmente citam o lucro da indústria como principal causador de sua permanência no meio acadêmico e farmacêutico. Fica claro que há uma economia dependente dos bilhões de dólares investidos por ano neste mercado. Porém, boa parte deste dinheiro, com certeza, não está sendo aplicado para o bem das pessoas.

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