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Depilar as sobrancelhas agora também é masculino

Por Ana Flávia Soares e Amanda Brandão Lima

É clara a mudança que vem acontecendo dentro universo masculino. Nesses dez últimos anos, a vaidade desse público só tem aumentado. Deixando um pouco o preconceito de lado os homens agora estão frequentando salões, passando cremes, depilando-se e valorizando cuidados que até então eram vistos como hábitos femininos. Eles não são mais os mesmos, sairam da loção pós-barba e descobriram um universo estético que além de preservá-los podem também rejuvenescê-los.

Novos habitos como depilação, fazer as unhas, limpezas faciais e corporais surgiram e vieram para ficar entre os homens. Vaidade e beleza já não são mais coisas exclusivas de mulheres. Em um questionário realizado no bairro de  Higienópolis, 71% dos homens consideram importante ter cabelos bem tratados, 76% valorizam as unhas bem feitas e 58% se preocupam com a limpeza do rosto. Para aqueles que acham que o “dia da noiva” ou o “um dia de princesa” acontecem só para as mulheres,  se enganam. Hoje também existe o “dia do noivo” ou também “dia do princípe”. Os tratamentos oferecidos são completos e exclusivos para homens. Relaxamento facial e corporal, massagem, corte e hidratação da barba e do cabelo são os cuidados essenciais para este dia. Fica a critério do público se deseja realizar depilação corporal e das sobrancelhas, ou fazer a unha.

A vaidade masculina lota os salões de beleza de todo o Brasil, principalmente aqueles que são destinados exclusivamente ao público masculino, como o salão Mr Jardins, localizado no Jardim Paulista na grande São Paulo. Lá, encontram-se homens que levam a sério esse assunto de vaidade. Enquanto realizava o procedimento da máscara facial, Lucas Pereira, 22 anos, advogado, afirmou: “Essa mascára é rejuvenecedora, hidrata bastante o rosto. Dá uma sensação bem boa, mexe bastante com a nossa auto estima”. Os próprios proprietários dos salões afirmam que o que os levaram a propor essa novidade no mercado foi a própria necessidade e dificuldade dos homens de encontrar um lugar onde possam ficar á vontade para se cuidarem sem que precisem passar por algum tipo de inconveniência, rótulo ou preconceito por estarem fazendo procedimentos que antes eram exclusivos ao público feminino. Porém os próprios donos afirmam: “Sim, o preconceito ainda existe dependendo do nível cultural.”

Homens adotam a limpeza facial

Entretanto, neste novo mercado ainda existem os clientes que ainda preferem não ser identificados ou reconhecidos. A equipe do salão Mr Jardins afirma: “Alguns não gostam de assumir a vaidade principalmente quando estão no trabalho, por medo de serem criticados pelos colegas.” Hoje muitos empresários e profissionais autônomos, dependendo da necessidade de cada um dentro do que trabalham, vêem a obrigação de estarem bem cuidados. É como se hoje em dia, a própria profissão exigisse dos homens essa vaidade.

A sociedade tem cobrado cada vez mais a aparência, e por isso, os homens estão sempre em busca de novidades. Buscam o bronzeamento artificial, usam produtos como perfumes e loções, cremes anti-rugas e próprio para o rejuvenescimento, aplicam silicone em regiões do corpo como panturrilhas, peitos e glúteos, para que sejam vistos de forma positiva. A psicóloga Lilian Braga afirma que o tratamento que possui maior demanda e é considerado o “número 1” é a procura pela musculação e definição do corpo, cuidado que gera o atraso dos homens para chegar ao trabalho para que possam ficar o maior tempo possível na academia. E em segundo lugar é a procura pelas cirurgias plásticas.

BELO MERCADO

Sem nenhum tipo de restrição, os homens estão comprando maquiagens, bases e corretivos, produtos que tiram a oleosidade da pele, e cremes contra a irritação após fazer a depilação. O Brasil tornou-se o segundo país no mundo onde os homens mais gastam com aparência, perdendo apenas para os Estados Unidos. Procuram serviços de roupas sob medida, voltando a moda da alfaiataria, com peças individuais e exclusivas. Não há idade certa para frequentar um salão de beleza, todas as faixas etárias estão procurando por novos tratamentos. Mas, o maior público fica na faixa etária entre 30 e 40 anos. São esses os homens que aceitaram e assumiram a vaidade que possuem.

Carlos, 37 anos, administrador de uma loja de esporte que afirma: “Eu corto o cabelo, faço a unha das mãos e dos pés, depilo a orelha, o nariz e faço massagem. Tratamento completo para ficar bonito e me sentir bem.” Ou por exemplo Pedro, de 28 anos, gerente de uma empresa alimentícia que deixa claro: “Não tenho vergonha de ficar bonito. Se for preciso, faço até plástica”. Mas ainda existe o lado preconceituoso do homem, que não deixa sua vaidade falar mais alto: “Vaidade tem limites, vou duvidar da masculinidade do cara que se depila e faz a unha. Se não for gay, deve ser meio fresco”, afirma Thiago Franchi, de 19 anos, estudante de Engenharia. Alguns homens não vêem problema em cultivar a vaidade masculina, entretanto, não adotam tratamentos, como é o caso de Wilmar Maia, 24 anos, outro estudante de Engenharia: “Não adoto tratamentos simplesmente por acreditar que isso não me satisfaz em nenhum sentido. Acredito que exageros desse tipo são um meio que os homens encontram de mascarar características em si que a sociedade condena como anormal e fora dos padrões, excessos nesses casos são somente imposicões sociais.”

Contudo, se enganam os homens que ainda possuem restrições e acreditam que esse novo mercado é destinado aos homossexuais. Pelo contrário, a maior parte do público são homens casados e com filhos. Hoje a prática estética masculina impulsiona o mercado. Existe competitividade entre as marcas, e o lucro mensal chega a cerca de  400 mil reais. As linhas ainda afirmam que os homens são bem mais exigentes que as mulheres, eles querem produtos “de primeira”.

Mas essa mudança de comportamento nos homens, com os novos perfis, ainda divide a opinião das mulheres. Algumas aprovam, outras não aceitam e outras simplesmente não conseguem se adaptar com a ideia dos homens realizando os mesmos tratamentos que elas, como é o caso de Gabriela Lira, 18 anos, estudante de Arquitetura que afirma: “Os homens estão cada vez mais femininos, perderam a masculinidade. Faltam ser ‘machos’.” Rita, 42 anos, gerente de lojas tem a mesma opinião: “Esse negócio de homem pintar o cabelo, não sei não, é meio gay. Agora depilação fica a critério de cada um mesmo, mas não é legal ser parecido com o Tonny Ramos, né.”

O público feminino diverge no que se trata ao tipo de tratamento que o homem realiza. Por exemplo, acreditam que fazer a unha pode ser excessivo, entretanto, a depilação é muitas vezes necessária. A empresária Roberta Lopez diz que aprova o homem vaidoso. “Acho super legal o homem que se cuida, sou totalmente a favor. Acho que não deve existir preconceito de que o homem não deve se depilar, pintar o cabelo, fazer as unhas. Na minha opinião fica muito bom, dá um certo aspecto de limpeza. Normalmente homem que não se cuida parece porco.” Ana Elisa Lemos, 18 anos, editora de vídeos entra na mesma linha de pensamento: “A vaidade masculina eu aprovo, acho que todo mundo tem que se cuidar, independente do sexo. Mas não em excesso. Em excesso, reprovo tanto a masculina, quanto a feminina. Mas acho que essa moda de homem colocar silicone é um exagero. Se dá pra ter um crescimento através de musculação, acho desnecessário um homem colocar silicone no peito, por exemplo.”

A vaidade sempre foi um comércio em alta, nunca vai deixar de existir. Ser bonito ou estar bonito é um assunto do interesse da maioria das pessoas, até mesmo daquelas que se recusam passar por tratamentos. Entretanto, existe um limite entre a vaidade e o exagero, e agora essa questão deixou de ser apenas das mulheres e tornou-se também dos homens. A sociedade cobra uma boa apresentação de ambos os sexos, mas há vários tipos de ressalvas para o público masculino. Existem os que querem adotar tratamentos mas contém o próprio preconceito, porém, há também aqueles que assumem a vaidade sem problemas. E nesse meio há as mulheres, que divergem a opinião. Um ponto a ser considerado é que o cuidado masculino cresceu de mãos dadas com um mercado milionário de produtos de beleza e com a imposição de novos padrões estéticos fabricados em escala mundial.

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