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Por Isabella Amaral

A 30ª Bienal de Artes de São Paulo agrupa cerca de 3 mil obras contemporâneas e tem como título “A Iminência das Poéticas”. O tema, assim como a grande maioria das obras, causa muitos questionamentos. Luis Pérez-Oramas, venezuelano, curador desta edição explicou que nenhum título seria suficientemente abrangente para uma exposição de arte contemporânea.

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Foto: Isabella Amaral

Cartaz colado em uma parede na Bienal: isto é uma obra de arte ou a opinião de um visitante?

Os visitantes franzem a testa ao se afastarem de emaranhados e novelos arranjados criativamente pela artista Sheila Hicks ou dão risada do trenzinho que passeia sobre a mesa provocando o tilintar de copos e garrafas que foram colocados no seu caminho pelo artista Cadu. Alguns até debocham, como João que aos 68 anos de idade acompanhou todas as edições da Bienal de Artes, ao observar a obra de Hans-Peter Feldmann ele diz rindo “Ah, animaizinhos no tapete. Que bonitinho, ele também teve infância”. Perguntado se estava gostando da exposição ele responde assertivo: “não”. E continua: “É muito conceitual requentado. Essa coisa de videozinho, brinquedo e barulhinhos foi legal nos anos 70, quarenta anos depois já virou uma piada sem graça”.

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Foto: Isabella Amaral

Visitante observa circuito ferroviário criado por Cadu

Talvez essa seja a opinião de quem já se cansou de visitar o pavilhão a cada dois anos. Para as estudantes Mariana e Stela de Maringá, que visitaram sua primeira Bienal este ano, as criações alcançaram todas as expectativas. “A gente esperava encontrar bastante coisa louca,” diz Stela, “e encontramos.” As duas meninas estão no primeiro ano do ensino médio e vieram até São Paulo especialmente para ir à Bienal por indicação da professora de história da arte. Elas podem não entender muito sobre arte, mas conhecem seus favoritos. Stela quer fazer faculdade de arquitetura e adorou as “casinhas”, espaços criados pelo artista israelense Absalon que se propôs a fabricar esculturas habitáveis funcionais e privativas, a partir das medidas de seu corpo. Essa obra é uma das favoritas do público que não se cansa de explorar o interior das habitações, subindo escadas e espiando nas janelas. Já, Mariana se emocionou com a criatividade de Arthur Bispo do Rosário, um artista nordestino, indigente diagnosticado com esquizofrenia que passou a maior parte de sua vida em um hospital psiquiátrico.

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Foto: Isabella Amaral

Uma das eculturas criadas pelo artista israelense

Bispo é um dos grandes destaques desta trigésima edição: a sala na qual são apresentadas tanto obras inéditas quanto consagradas do artista está sempre lotada, é consideravelmente maior do que as demais e está muito bem localizada logo após as escadas que levam ao segundo andar. Ele acreditava ser o mensageiro de Deus na Terra e produzia sem se preocupar com o público ou com a crítica. Suas mais de 800 obras são compostas de materiais descartados do hospital e discursos recortados que acabaram por mapear a realidade em que o artista viveu, confeccionando grande parte de sua extensa obra quando estava em surto.

No primeiro andar, outras esculturas interativas disputam a atenção do público com obras mais fantasiosas. Uma grande escada de construção é a diversão de crianças e adultos que podem subir e ter uma vista panorâmica da exposição. Fábio, de 40 anos, levou a filha de 6 para conhecer arte contemporânea. Enquanto o pai lê descrições e procura conhecer o nome dos artistas a menina olha maravilhada para esculturas de anjos, textos de cunho revolucionário e imagens tridimensionais. “Ela está gostando muito” afirma Fábio “ela é bem criativa… Eu até expliquei que isso pode ser uma profissão”.

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Foto: Isabella Amaral

Metade das obras dos 111 artistas foi feita especialmente a convite do curador e sob o tema “A Iminência das Poéticas”, a outra metade vem de museus e coleções do mundo todo. É possível observar uma sintonia entre as obras expostas na Bienal de São Paulo e as apreciadas no circuito internacional. A professora de artes carioca Ana Paula Paes comenta: “Acabei de voltar de Paris, já estive em Londres e em Nova York. Achei que o que eu vi hoje reflete muito do que estamos vendo na contemporaneidade lá fora”.

Esta foi a primeira Bienal de Artes da professora que veio do Rio para ver as obras de Caravaggio em cartaz no MASP e aproveitou para visitar o pavilhão. O elemento mais marcante para Ana Paula não foi nenhuma das obras expostas e sim o próprio prédio. O edifício foi projetado pelo célebre Oscar Niemeyer em 1954 como parte do conjunto para o parque do Ibirapuera em comemoração aos 400 anos da cidade e “é uma exposição à parte” como coloca simplesmente a professora.

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Foto: Isabella Amaral

Pavilhão da bienal: uma obra de arte por si só.

Seja para conhecer o famoso prédio, ver algumas das mais de 3 mil obras, se divertir com as esculturas, entender o significado de “iminência das poéticas” ou até dizer com propriedade que arte contemporânea está ultrapassada vale a pena visitar a 30ª Bienal de Artes de São Paulo que fica em cartaz até 9 de dezembro no Parque do Ibirapuera.

Serviço:

TRIGÉSIMA BIENAL DE SÃO PAULO – A IMINÊNCIA DAS POÉTICAS7 DE SETEMBRO – 9 DE DEZEMBRO 2012
PARQUE DO IBIRAPUERA, PAVILHÃO DA BIENAL
SÃO PAULO
ENTRADA GRATUITA:
DIAS E HORÁRIO DE VISITAÇÃO
TER, QUI, SÁB, DOM E FERIADOS
DAS 9 ÀS 19H – ENTRADA ATÉ 18h
QUA E SEX DAS 9 ÀS 22H – ENTRADA ATÉ 21H
FECHADO ÀS SEGUNDAS

Um pensamento em “Bienal vai até dezembro

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