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foto: caieiro – Creative Commons

por Bianca Gancedo

              A educação é um problema crônico no Brasil e, em São Paulo, como nas outras grandes metrópoles, as creches têm sido notícia, quase que invariavelmente, devido suas precariedades. Essas instituições são fundamentais para a atividade social das cidades, visto que além da necessidade das mães trabalhadoras, elas devem funcionar de modo que sejam o início da formação educacional das crianças que a frequentarem. Porém, a realidade não corresponde a esses fatos. Uma publicação de O Estado de S.Paulo em 11 de maio de 2012, mostra que o município de São Paulo atende apenas 67% das vagas requeridas para as C.E.I. (Centro de Educação Infantil). Mesmo com o aumento de 5% da quantidade de vagas, subprefeituras, como a de Campo Limpo, na zona sul, atendem menos da metade dessa demanda. As periferias são as mais prejudicadas, com destaque para a região extremo sul.

O poder público alega a falta de terreno e ocupações irregulares nessas localidades, o que impede a construção de novas creches. Assim, resta aos interessados por vagas, recorrerem a locais distantes, sujeitando-se a esperas por tempo indeterminado. Marilene, moradora paulistana, relatou que demorou cerca de oito meses para conseguir vaga para sua filha mais nova em uma creche próxima a sua casa. “Eu precisava trabalhar e tive que mudar os estudos da minha filha de 10 anos para o período da manhã, porque eu não tinha quem cuidasse da pequena, a mais velha ficou responsável por ela”. Ao conseguir a vaga, a auxiliar doméstica passou a sair às 6h00min para levar a filha à creche, de modo que não alterasse seu horário no trabalho. A situação é agravada quando o número de filhos entre zero e seis anos de idade é maior. Em determinados casos, indivíduos vindos de outras cidades e estados, voltam para suas regiões natais ou vão para outras localidades pela impossibilidade de trabalho devido a ausência de vagas para todos os filhos. “Na minha cidade, mesmo que também não tenha vaga, eu posso contar com a minha mãe ou a minha irmã enquanto eu trabalho”, argumenta Nice, que veio do interior da Bahia para São Paulo em busca de trabalho e melhoria de vida, para ajudar seus parentes que continuaram em sua cidade.

Outra crítica recorrente se refere a falta de preparo dos profissionais que atuam nos C.E.I. A média paulista de professores sem Ensino Superior nas creches é de 12%, chegando ao dobro na região de Parelheiros, por exemplo. Muitos desses profissionais não sabem lidar com as crianças, ao passo de que não são educadas, apenas criadas por esses indivíduos. Se, por um lado, a população enfrenta esse problema, por outro, existe a dificuldade de conseguir profissionais capacitados, por dois principais motivos: o desinteresse em atuar na Educação Infantil e atender as regiões periféricas do município.

Um pensamento em “Infância e descaso público

  1. Parabéns meu amor pelo primeiro artigo, matéria. Ficou muito legal mesmo, muitas palavras difíceis, mas muito bacana. Passou as idéias claramente, o objetivo da matéria, acredito eu, que foi passado com sucesso. Só acho que você só mostrou os pontos negativos das creches. Realmente, acho difíceis pontos positivos, mas senti falta de algo “de bom” nas creches. Beijão, parabéns. Te amo.

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