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Por Maria Augusta Valente e Mariana Stocco

A cidade de São Paulo possui cerca de 1,5 milhão de cães – 1 para cada sete habitantes e 230 mil gatos – 1 para cada 46. Destes, 70% são semidomiciliados, 20% domiciliados e 10% em total abandono, dados fornecidos pelo Centro de Controle de Zoonoses de São Pauloem 2003, números que vem crescendo cada vez mais e assim agravando a situação de abandono de cães e gatos na cidade, além dos inúmeros casos de maus tratos.

Inicialmente, os animais abandonados e maltratados eram encaminhados ao Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, o CCZ, órgão da Prefeitura responsável pela contenção de agravos e doenças transmitidas por animais (zoonoses), localizado na Zona Norte de São Paulo. O trabalho é realizado através do controle de populações de animais domésticos (cães, gatos e animais de grande porte) e de animais sinantrópicos (morcegos, pombos, ratos, mosquitos, abelhas entre outros) que por ali eram abrigados.

Filhotes não liberados para adoção no CCZ

Porém, a realidade se tornou outra, o número de animais abandonados vem se tornando maior do que a capacidade de recebê-los no CCZ, e a procura para a adoção desses animais não supera ao número de abandono, tornando assim o centro um espaço sem capacidade para receber todos os animais que perambulavam pelas ruas da cidade, sendo uma ameaça à saúde e à segurança da população, antes então recolhidos pela carrocinha. Além, das especulações de maus tratos, más condições que os animais enfrentavam e o sacrifício de animais que não eram adotados após 60 dias abrigados – fato confirmado até sua proibição em 2008, pelo então governador José Serra.

Atualmente o CCZ apenas recolhe os animais em algumas áreas periféricas da cidade e os recebe através de denúncias, devido à carência de espaço físico para abrigar todos os animais abandonados todos os dias. Todos são encaminhados, passam por um período de quarentena, onde são castrados, vacinados e devidamente tratados, para em seguida serem colocados para a adoção.

Corredor com as baias onde ficam os cachorros no Centro de Controle de Zoonose

Para quem ali visita pela primeira vez, parece encontrar um local amplo para os cuidados dos animais que ali chegam. Divididos em setores entre cães e gatos, os que estão em fase de tratamento, o que já podem ser adotados, os que precisam de celas individuais, os filhotes, os idosos e por assim vai. Porém, com um pouco mais de cuidado logo se nota a precariedade de espaço físico que o CCZ enfrenta que apesar de estar em obras para ampliação o local, recebe muitas vezes mais do que cinco animais por “cela”, revelando a enorme quantidade de animais abandonados na cidade e a dificuldade em serem adotados.

Os problemas não param por aí, logo na entrada do CCZ a recepção é feita por seguranças do local, que possuem a tarefa de identificar, informar e conduzir os que chegam para os diversos setores ali existentes, como por exemplo, onde é feito o registro dos animais, o laboratório, o local de adoção etc. Identificação que muitas vezes passa batida pelos seguranças, que não sabem informar com precisão qual a função de cada setor e sem paciência com os visitantes que ali chegam pela primeira vez.

Baias a céu aberto onde ficam alguns gatos do Gatil

No setor de adoção, a recepção é feita por pessoas que parecem não possuir qualquer instrução sobre os cuidados necessários que cada animal. Funcionários contratados por concurso público, que precisam apenas do ensino fundamental completo, sem qualquer preparação ou noção sobre os cuidados básicos a serem tomados com os animais que ali convivem. Estes criam gosto pelos animais com o tempo, já que a maioria nunca havia lidado com cães e gatos anteriormente. Reclamam sem qualquer inibição da jornada de trabalho que enfrentam e da má administração do setor, ansiando por serem transferidos para setores de saúde mais tranquilos, como por exemplo, o controle de dengue. Apenas com a função de mostrar aos visitantes os animais que estão para adoção, muitas vezes instigando o visitante a adotar filhotes e/ou os mais dóceis.

Pátio de adoção do Centro de Controle de Zoonose

Fica a pergunta quanto ao que acontece com os animais não adotados que por ali ficam ocupando espaço e superlotando o CCZ de São Paulo e tantos outros que existem pelo Brasil, uma vez que nenhum funcionário soube responder tal questão e negam que o sacrifício desses animais ainda ocorra. Dúvida respondida por ONGS e Associações que existem por toda São Paulo que acreditam que a eutanásia desses animais ainda ocorre.

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